Categoria: Gibidiversidade

Pedagogia da Autonomia, Paulo Freite

Sinopse:

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA, publicado em 1996, reafirma o profundo compromisso ético de Paulo Freire na defesa da existência digna. Neste seu último livro publicado em vida, o educador aprofunda sua teoria-ética de uma vida voltada para a liberdade, a verdade e a autenticidade dos sujeitos, contra a lógica do capital. A partir do amor revolucionário e do rigor crítico, reflete sobre o que o ato de ensinar exige de educadores e educandos.

Citações

“É preciso, sobretudo, e aí já vai um destes saberes indispensáveis, que o formando, desde o princípio mesmo de sua experiência formadora, assumindo-se como sujeito também da produção do saber, se convença definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibililidades para a sua produção ou a sua construção” (Freire, 2024, p. 24).

“[…], quem forma se forma e re-forma ao formar e que é formado forma-se e forma ao ser formado. É neste sentido que ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (Freire, 2024, p. 25).

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QUADRINHOS NA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: PANORAMA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

XXV ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO – XXV ENANCIB
GT 7 – Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia & Inovação
QUADRINHOS NA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: PANORAMA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA
COMICS IN INFORMATION SCIENCE: OVERVIEW OF SCIENTIFIC PRODUCTION

Ana Ligia Feliciano dos Santos – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Fábio Mascarenhas e Silva – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Modalidade: Resumo Expandido

Resumo: O estudo investiga a produção científica sobre histórias em quadrinhos no campo da Ciência da Informação, por meio de publicações indexadas em bases de dados nacionais de acesso aberto. Realiza uma revisão sistemática da literatura e análise quantitativa dos dados. Os resultados traçam um panorama dos estudos dos quadrinhos na área, evidenciando o crescimento dessas pesquisas nos últimos anos e a predominância de periódicos como meio de publicação, bem como aponta os autores mais produtivos. Conclui que os resultados contribuem para a compreensão do tema na área e indicam possíveis direções para futuras investigações.

https://enancib.ancib.org/enancib/pt_BR/article/view/1429/1468

Citações

“Histórias em Quadrinhos (HQs) são, em linhas gerais, narrativas ficcionais ou não, compostas por texto e imagens sequenciais. Também conhecidas como arte gráfica sequencial, gibis, bandas desenhadas, ou apenas quadrinhos, as HQs podem ser caracterizadas tanto como produtos artísticos e culturais, quanto na condição de meio de comunicação e produto comercial, pois são capazes de transmitir ideias e informações, bem como representações e modos de agir e pensar da sociedade” (Santos; Silva, 2025, p. 1)

“No Brasil, essas pesquisas vêm sendo desenvolvidas desde a década de 1960, inicialmente no campo da comunicação, com a apresentação de artigos nos congressos anuais da Intercom, a criação de disciplinas voltadas para o tema em cursos de graduação e grupos de estudo e produção de quadrinhos” (Vergueiro, 2017a, 2017b).

“Desse modo, ainda não é possível afirmar que os quadrinhos constituem um campo científico na perspectiva de Bordieu, mas, se configuram como objeto de estudo” (Miorando, 2019).

” Considerando seus objetivos, o presente estudo apresenta-se como exploratório, pois busca identificar as pesquisas sobre HQs desenvolvidas no campo da CI. Quanto aos meios de sua execução, pode ser classificado como bibliográfico, pois realiza um mapeamento dessas pesquisas”.

“Ao analisar a distribuição por tipo de publicação, verificou-se, também, que os artigos publicados em periódicos científicos, ainda constituem a maioria das publicações sobre HQs na área da CI, seguidos dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) e apresentações em congressos. Já em outros trabalhos acadêmicos, resultantes de cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), os quadrinhos ainda são pouco explorados, diferente do que ocorre em outras áreas do conhecimento, como Linguagem, Educação e Comunicação” (Vergueiro; Santos, 2019).

“Os resultados revelam um panorama geral da produção acadêmica referente às histórias em quadrinhos na Ciência da Informação no contexto nacional, destacando um crescimento significativo nas publicações ao longo dos últimos anos e a predominância de artigos em periódicos científicos como o principal formato de publicação dos resultados das pesquisas”.

SANTOS, Ana Lígia Feliciano dos; SILVA, Fábio Mascarenha e. Quadrinhos na Ciência da Informação: panorama da produção científica. In: XXV ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 2026, Rio de Janeiro. Anais […], v. 5, n. 1, Rio de Janeiro. GT 7 – Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia & Inovação. Disponível em: https://enancib.ancib.org/enancib/pt_BR/article/view/1429/1468.

Histórias em Quadrinhos na Educação

Fábio Paiva

Sinopse

História em Quadrinhos na Educação é o resultado de um trabalho de 4 anos durante o curso de doutorado. Reúne dados, entrevitas e muito material teórico sobre o tema, tratando o assunto como os Quadrinhos merecem: de maneira leve e descontraída.

O livro faz parte de uma iniciativa que busca aproximar a nova arte das salas de aula e demais práticas educativas, constribuindo para o desenvolvimento de uma Educação mais dinâmica e interessante.

Acreditamos que os Quadrinhos podem ocupar muito mais espaço no processo educativo e que esse livro será uma contribuição para esse avanço.

Citações

“A construção específica das HQs propiciam interação diferenciada, com palavras e ilustrações, em uma dinâmica que se propõe a comunicar desde elementos mais simples aos mais complexos, por meio de situações, personagens e narrativas que fazem parte do patrimônio cultural humano e que compõem de forma única o desenvolvimento educacinal” (Paiva, 2017, p. 62-63).

“É possivel verificar que a aceitação das HQs como um estratégia de expansão do alcance de ferramentas de informação, formativas e educativas, foi ampliando conforme sua eficácia era percebida de maneira prática. Essa aceitação acompanhou a evolução da presença e importância das HQs na cultura e comunicação” (Paiva, 2017, p. 69).

PAIVA, Fábio da Silva. Histórias em Quadrinhos na Educação. Salvador: Quadro a Quadro, 2017.

Gibi: a revista sinônimo de quadrinhos

De Roberto Elísio dos Santos
Waldomiro Vergueiro
Nobuyoshi Chinen
Paulo Ramos

Sinopse:

Criada pelo jornalista e empresário Roberto Marinho e lançada em 1939, a revista Gibi ganhou o gosto popular e, logo, passou a designar as publicações de histórias em quadrinhos no Brasil. Ao longo de sete décadas, foi fundamental para a consolidação desse formato entre os leitores epassou por várias mudanças. Este livro, realizado por pesquisadores do Observatório de HIstórias em Quadrinhos da Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo, analisa a trajetória dessa importante mídia impressa brasileira.

Sumário

  • Produção editorail de quadrinhos no Brasil: do surgimento ao Gibi
  • A História do Gibi
  • Roberto Marinho, Editor de Quadrinhos
  • O Gibi, passaporte para o mundo da imaginação, fantasia e emoção.
  • Rumo ao velho oeste pelos quadrinhos da RGE.

SANTOS, Roberto Elísio dos; [et al.]. Gibi: a revista sinônimo de quadrinhos. São Paulo: Via Lettera, 2010.

Os quadrinhos e a comunicação de massa

Laonte Klawa e Haron Cohen

Preocupação com o movimento

Os quadrinhos, como o próprio nome indica, são um conjunto e uma sequência. O que faz do bloco de imagens uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido depois de visto o anterior; a ação contínua continua e estabelece a ligação entre as diferentes figuras. Existem corte de tempo e espaço, mas estão ligados a uma rede de ações lógicas e coerentes.

[…]

Uma característica vital foi acrescentada à representação das imagens: o tempo passava a ser um elemento de organização da série. No entanto, fazia-se necessário que o leitor completasse o “vazio” entre um e outro quadrinhos.

(Klawa; Cohen, 1977, p. 110)

Pensamos que a grande probabilidade do desfecho da ação não seja uma característica da linguagem das histórias em quadrinhos, mas sim de uma mercantilização, […] A sequência de quadros não é obrigatoriamente provável, […] Cada quadrinho tem, quando isolado, um grau menor de inteligibilidade e maior quando em conjunto. O grau maior é conferido pela continuidade de tempo, espaço e movimento na maneira descrita anteriormente. Contudo, a articulação dos quadros pode ser feita exclusivamente através da unidade de ação.

Não fica difícil portanto chegar à conclusão de que as histórias em quadrinhos são uma forma de representação diversa da ilustração, da caricatura e do cartoon.

A inclusão dos quadrinhos dentro de balões

De fato, a inclusão de palavras no campo imagístico implicou numa transformação do seu uso, acrescentando conotações e algumas vezes alterando o seu significado. As palavras sofreram um tratamento plástico; passaram a ser desenhadas; o tamanho, a cor, a forma, a espessura, etc.; tornaram-se elementos importantes para o texto.

(Klawa; Cohen, 1977, p. 112-113)

KLAWA, Laonte; COHEN, Haron. Os quadrinhos e a comunicação de massas. In: MOYA, Álvaro de Moya (org.). Shazam!. Coleção Debates Comunicação. São Paulo: Editora Perspectiva, 1977. p. 103-114.

Guerras Culturais na mídia

De Celbi Pegoraro

Jornalismo, quadrinhos, cinema e redes sociais. Em cada uma dessas frentes, discursos se chocam, imaginários são disputados e narrativas tentam prevalecer. Neste ensaio instigante, Celbi Pegoraro investiga as chamadas Guerras Culturais a partir de uma perspectiva crítica e interdisciplinar, articulando episódios históricos, movimentos ideológicos e a atuação dos meios de comunicação de massa. Um guia para compreender os conflitos do presente – e refletir sobre as possibilidades de diálogos em tempos de extrema polarização.

PEGORARO, Celvi Vagner Melo. Guerras culturais na mídia. São Paulo: Peirópolis, 2025

CDD 303.2
CDU 316.77

  1. Comunicação. 2. Mídia. 3. Jornalismo. 4. Quadrinhos. 5. Cinema. 6. Política. 7. Cultura.

Barzine #2 – Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos – Belo Horizonte

Comunicação científica feita nas Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, com lançamento do fanzine Barzine #2 e artigo públicado na revista Nona Arte – Revista Brasileira de Pesquisas em Histórias em Quadrinhos, do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, vol. 14/2026. Qualis B2.

Autores: Richardson Santos de Freitas e Lorena Tavares de Paula

DOI: https://doi.org/10.11606/2316-9877.2026.v14.e241815

Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos de Belo Horizonte

RESUMO: Pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, que faz um estudo de caso sobre a Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos. Inaugurada no final de 1987, esse foi o primeiro espaço com acervo aberto ao público dedicado às histórias em quadrinhos de Belo Horizonte. A gibiteca foi idealizada pelo colecionador Antônio Roque Gobbo, que ao mudar para a capital de Minas Gerais, disponibilizou sua coleção para consulta de forma gratuita. Defensor da preservação da memória dos quadrinhos, em um gesto de generosidade, em 1992 Gobbo doou toda a coleção para dar origem à Gibiteca da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte.

Antônio Roque Gobbo

Antônio Roque Gobbo nasceu em 11 de novembro de 1935, na cidade de São Sebastião do Paraíso. O município está localizado na região sudoeste do estado de Minas Gerais. O gosto pela leitura veio cedo. Entre os 6 e 7 anos ganhou seu primeiro livro, Dom Quixote para Crianças, de Monteiro Lobato. Gobbo em entrevista para a Rede Minas (Conversações, 2018) disse que este prazer pela leitura foi influenciado pelo seu tio Armando, que morava na mesma casa. Seu tio assinava diversas revistas e tinha uma biblioteca em casa. “A paixão pelas histórias em quadrinhos começou por volta dos 7 anos, num tempo em que televisão era peça de ficção de um futuro quase intergalático” (Werneck, 2010). No princípio lia as revistas que os seus colegas de escola emprestavam. Entre os seus personagens preferidos estavam o Fantasma, Tarzan, Super-Homem e Capitão América. Com o tempo, passou a guardar as suas revistas O Tico-Tico, Globo Juvenil, Guri, Mirim, Gazeta Infantil, Clássicos Ilustrados e qualquer outro gibi que chegasse em suas mãos. Com o tempo, foi se constituindo sua coleção, que passava a crescer em volume. 

Devido ao emprego de bancário de seu pai, Gobbo e sua família faziam constantes mudanças de cidade. Em todas elas, nunca deixava para trás suas revistas. Sua coleção era armazenada cuidadosamente em caixas e transportadas para a nova moradia. Virou bancário no Banco Credireal e passou a ter dinheiro para comprar mais livros e revistas em quadrinhos. Casou-se com Enny Gobbo. 

Em 1985, quando chega com a família na cidade Belo Horizonte, traz na bagagem mais de quatro décadas de acervo acumulado. Foi quando sua esposa o perguntou o que ele iria fazer com todo aquele material. Depois de sua aposentadoria, Gobbo idealizou, junto com Vicente de Paula Penido e Lenine Lucas, um espaço para disponibilizar o acesso às suas HQs. 

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Quadrinhos na educação: da rejeição à prática

Organização: Waldomiro Vergueiro e Paulo Ramos

Houve um tempo, não tão distante assim, em que levar revistas em quadrinhos para a sala de aula era motivo de repressão por parte dos professores. Tais publicações eram interpretadas como leitura de lazer e, por isso, superficiais e com conteúdo aquém do esperado para a realidade do aluno. Dois dos argumentos muitos usados é que geravam “preguiça mental” nos estudantes e afastavam os alunos da chamada “boa leitura”. Na realidade, tratava-se de discursos ocos, sem embasamento científico, reproduzido de forma acrítica para contornar um desconhecimento sobre a área.
(Vergueiro; Ramos, 2015, p. 9)

Dizer que quadrinhos são literatura evidencia duas posturas. A primeira é que se busca um rótulo social e academicamente prestigiado – o literário – para justificar a presença dos quadrinhos na escola e, possivelmente, na lista do PNBE. A outra indica um desconhecimento da área de quadrinhos, que soma pouco estudos acadêmicos, embora em número já suficiente para afirmar que quadrinhos são quadrinhos e literatura é literatura.

[…]

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Do gibi à gibiteca: origem e gênese de significados historicamente situados

Artigo científico publicado na revista Biblionline v.19, n. 1 (2023). Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Autoria: Richardson Santos de Freitas e Lorena Tavares de Paula

DOI: https://doi.org/10.22478/ufpb.1809-4775.2023v19n1.64771

Resumo:

A proposta deste artigo é estudar a palavra gibi, através do método histórico, sobre as mudanças de seu significado e sua assimilação social e cultural. Considera-se que esse gênero artístico e fonte de informação para desenvolvimento de coleções especiais prescinde de estudos críticos sobre abordagens teóricas, lexicais e historiográficas para melhor compreensão desses materiais para o desenvolvimento de coleções. Nesta investigação, os primeiros registros foram encontrados em jornais de 1888, pesquisados na Hemeroteca Virtual da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil. Constatou-se que inicialmente gibi era um apelido atribuído a pessoas negras. Posteriormente, transformou-se em uma gíria racista direcionada aos meninos negros, possuindo o sentido pejorativo de feio e grotesco, publicados em anúncios e em páginas de quadrinhos de periódicos. Depois a palavra passou a ser usada para designar os meninos negros que vendiam jornais nas ruas. Desses pequenos vendedores surgiu a inspiração para o título da revista Gibi, lançada em 1939 pela editora O Globo. O sucesso de vendas da revista transformou gibi em sinônimo de revista de histórias em quadrinhos no Brasil, fazendo o sentido original cair em desuso. A popularização do termo inspirou as bibliotecas brasileiras a adotarem a denominação de gibiteca para seus acervos de quadrinhos.

Download: https://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/view/64771

FREITAS, Richardson Santos de; PAULA, Lorena Tavares de. Do gibi a gibiteca:: origem e gênese de significados historicamente situados. Biblionline[S. l.], v. 19, n. 1, p. 3–19, 2023. DOI: 10.22478/ufpb.1809-4775.2023v19n1.64771. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/view/64771. Acesso em: 1 jul. 2026.

Quadrinhos, sedução e paixão, de Moacy Cirne

Sinopse:
“Quadrinhos, sedução e paixão é o sexto livro de Moacy Cirne sobre o tema, desde o pioneiro A explosão criativa dos quadrinhos, lançado em 1970 pela Editora Vozes, e que seria o primeiro livro publicado no Brasil dedicado ao fascinante universo dos “heróis e heroínas de papel”. A obra é capaz de mobilizar não apenas os que apreciam – e discutem – a linguagem dos comics. Aqueles que admiram poesia, cinema e ficção científica, por exemplo, também terão motivos para se interessar por suas indagações críticas – e que não são poucas. São indagações que abrangem o mundo dos quadrinhos, mas que procuram abarcar outras vertentes na esfera da arte. Afinal, a “febre sociológica” que norteava os primeiros ensaios sobre os quadrinhos, nos anos 60 e 70, já passou. O momento exige uma reflexão mais profunda sobre as potencialidades criativas e seus devaneios oníricos, assim como continua exigindo uma visão acurada de seus embates ideológicos e de sua relação com as novas tecnologias e algumas das demais linguagens do campo artístico.

Moacy Cirne nasceu em Jardim do Seridó, RN, em 1943. Morou longos anos em Caicó e Natal, no mesmo Estado. Passou a residir no Rio de Janeiro em 1967. Estudou Direito. Participou da fundação do poema-processo , em 1967. Secretariou a revista Cultura Vozes, nos anos 70. Publicou mais de 15 livros, entre os quais História e crítica dos quadrinhos brasileiros (1990), premiado em Cuba com o troféu La Palma Real. Laureado, em 2000, com o Troféu Angelo Agostini, de São Paulo. Criou a “folha porreta” Balaio, distribuída a partir de 1986. Professor da Universidade Federal Fluminense desde 1971, atualmente vice-diretor do Instituto de Arte e Comunicação Social e chefe do Departamento de Comunicação Social.”

Capítulos:

  • Imaginário e especificidade dos quadrinhos;
  • Quadrinhos, política e saber militantes;
  • Heróis e personagens – talvez sim, talvez ficção;
  • Quadrinhos, máquina & imaginário;
  • Lugar do erotismo nas histórias-em-quadrinhos;
  • Cinema e quadrinhos: uma nova leitura;
  • Quadrinhos e literatura: um olhar marcado pela poesia;
  • Da ficção científica ao mundo dos quadrinhos;
  • Há um cânone dos quadrinhos?

Quadrinhos são uma narrativa gráfico-visual, impulsionada por sucessivos cortes, cortes estes que agenciam imagens rabiscadas, desenhadas e/ou pintadas. O lugar significante do corte – que chamaremos de corte gráfico – será sempre o lugar de um corte espácio-temporal, a ser preenchido pelo imaginário do leitor. Eis aqui sua especificidade: o espaço de uma narrativa gráfica que se alimenta de cortes igualmente gráficos. Na “banda desenhada”, a grafia exibe uma dupla articulação semiótica: a narrativa enquanto tal e o seu agente impulsionador (o corte), que mobilizam a relação produção/leitura de forma a mais eficaz possível, tendo em vista a própria operacionalidade semântica e estrutural de sua vigência quadrinhística. Isto é, seu espaço narrativo só existe na medida em que articula com os cortes, que, assim, seriam redimensionados pelo leitor. De maneira mais simpler, diremos: a especificidade dos quadrinhos implica seu modo narrativo, determinado pelo ritmo das tiras e/ou páginas em função de cada leitura particular, leitura esta que se constrói a partir das imagens e dos cortes. Neste sentido, os balões, que encerram a “fala” e/ou o “pensamento”, por mais importantes que sejam, não passam de elementos lingüísticos, mesmo quando inventem na estesia de suas possibilidades criativas. Mesmo quando são metalingüísticos. (CIRNE, 2000, p. 23-24)

CIRNE, Moacy. Quadrinhos, sedução e paixão. Petrópolis: Vozes, 2000.

CDD- 741.5 1. Histórias em quadrinhos : interpretação crítica