Categoria: Gibidiversidade

Mais além da cultura : espaço, identidade e política da diferença

Citação

“Outra direção promissora promissora que nos leva adiante da cultura como fenômeno espacialmente localizado é proporcionada pela análise do que é chamado de ‘meios de comunicação de massa’, ‘cultura pública’ e ‘indústria cultural’. (Nisso, tem sido muito influente a revista Public Culture.) Existindo simbioticamente com a forma de mercadoria, influenciando profundamente os povos mais remotos de cujo estudo os antropólogos fizeram um tal fetiche, os mass media apresentam o desafio mais claro às noções ortodoxas de cultura. É claro que as fronteiras locais, regionais e nacionais nunca contiveram a cultura de maneira como supunham amiúde as representações antropológicas. Porém, a existência de uma esfera pública transnacional significa que não é mais possível sustentar a ficção de que essas fronteiras encerram culturas e regulam trocas culturais.

A produção e distribuição da cultura de massa – filmes, programas de rádio e televisão, jornais, discos, livros, concertos ao vivo – é controlada, em larga medida, por aquelas organizações notoriamente sem lugar, as empresas multinacionais. A ‘esfera pública’ é, portanto, dificilmente pública no que se refere ao controle sobre as representações que nela circulam. Os trabalhos recentes nessa área enfatizam os perigos de reduzir a recepção da produção cultural multinacional ao consumo passivo, não deixando espaço para a criação ativa de agentes de disjunções e deslocamentos entre fluxo de mercadorias industriais e produtos culturais. Preocupa-nos, porém, da mesma forma, o perigo oposto de celebrar a inventividade dos ‘consumidores’ da indústria cultural (especialmente na periferia), que adaptam de maneira bastante diferente os produtos a eles vendidos, reinterpretando-os e refazendo-os, às vezes, numa direção que promove a resistência em vez do conformismo. O perigo, aqui, reside na tentação de usar os exemplos dispersos dos fluxos culturais que gotejam da ‘periferia’ para os principais centros da indústria cultural como um maneira de descartar a ‘grande narrativa’ do capitalismo (em especial, a narrativa ‘totalizante’ do capitalismo tardio) e, assim, evitar as poderosas questões políticas associadas à hegemonia global do Ocidente” (Gupta, 2000, p. 45-46).

GUPTA, Akhil; FERGUSON, James. Mais além da “cultura”: espaço, identidade e política da diferença. In: ARANTES, A.A. (org). Espaço da diferença. Campinas: Ed. Unicamp, 2000, p. 31-49.

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA FORMAÇÃO DE LEITORES NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Autor: Zailton Oliveira Sousa

DOI: https://doi.org/10.47820/recima21.v7i8.8706

Resumo

Esta pesquisa analisa o processo relacionado à aquisição e ao desenvolvimento das habilidades de leitura em alunos do Ensino Fundamental – Anos Iniciais. Apesar de se reconhecer a relevância da leitura para a vida do estudante, ressalta-se que alunos e professores enfrentam diversos desafios durante a formação de leitores nesse segmento. Nesse sentido, o uso das Histórias em Quadrinhos (HQs) como recurso estratégico pode instigar os alunos a se tornarem participantes ativos do próprio progresso leitor. As HQs possuem características capazes de atrair e envolver os novos leitores devido à sua linguagem dinâmica. No tocante aos desafios desse processo, destacam-se: as lacunas na formação inicial docente, a falta do hábito leitor por parte do professor, a concepção errônea de que apenas as aulas de Língua Portuguesa devem trabalhar a leitura e a ausência de incentivo familiar. Assim, o objetivo deste estudo consiste em observar como as HQs impactam o processo de leitura nos anos iniciais do ensino fundamental. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica para examinar a literatura existente sobre o tema. Constatou-se a importância de o professor ser um leitor assíduo, além da necessidade de as HQs serem trabalhadas de modo planejado, a fim de que os alunos desenvolvam as competências de um leitor fluente.

Citações:

A alfabetização e o letramento, “Aparentemente, são a mesma coisa, no entanto, há diferença entre os ambos os termos […] (Souza, 2026, p. 4).

Apesar da diferenciação entre alfabetização e letramento, a alfabetização não se torna inferior ao letramento; pelo contrário, ela é condição para que o letramento ocorra. Para que haja esse
processo, é necessário que o aluno seja alfabetizado, sabendo decodificar as palavras e fazer uma leitura que vá além da leitura do cotidiano. Alfabetizar está na essência do letramento, mas não é o seu único objetivo, sendo apenas a primeira parte do processo. (Canguçu, 2013, p. 15).

“De acordo com Santos e Bonfim (2015), a leitura, em muitas escolas brasileiras, permanece atrelada exclusivamente a notas e avaliações. O professor é quem escolhe os livros que os alunos precisam ler, e estes realizam tal ato de forma mecânica, por obrigação, sem prazer. Tendo em vista a reflexão realizada por estas autoras nota-se o quanto apesar de ser importante e necessário o desenvolvimento da leitura desde cedo, a maneira como esse processo é conduzido implica diretamente na vida do aluno positiva ou negativamente” (Souza, 2026, p. 4).

“Nesse contexto, Viccini (2011) aponta que o primeiro passo para mediar futuros leitores é auxiliá-los a descobrir que tipo de leitor ele é, tendo como base seus gostos e afinidades. Pois quando o leitor faz uma leitura do seu interesse, ele transmite para os ouvintes uma leitura satisfatória e prazerosa, despertando curiosidade no que lhe está sendo apresentado” (Souza, 2026, p. 5).

” Dessa maneira, um recurso que pode ser utilizado para atrair, instigar e motivar os alunos a se tornarem protagonistas ativos desse processo seriam as HQs. Isso se dá pelo fato de que, a linguagem utilizada na maioria das HQs é comum no uso cotidiano das crianças em classes de alfabetização e reflete uma linguagem mais informal. Essa forma de representação da linguagem escrita pode ser compreendida como uma aproximação da realidade do leitor e, desta forma, minimizando a complexidade da linguagem escrita no processo de alfabetização (Zanona et al., 2026)” (Souza, 2026, p. 9).

“Em se tratando de proporcionar o protagonismo dos alunos durante sua formação quanto leitor cabe aludir que as HQs têm se sobressaído como recurso que auxilia o processo de formação da criança leitora, por apresentarem narrativas com ação, diálogos diretos, linguagem acessível, ilustrações atraentes, cores vibrantes, expressões faciais e onomatopeias. Esse conjunto de elementos aguça a vontade de as crianças lerem, almejando descobrir os encantos expostos e implícitos que permeiam as HQs (Silva; Bertoletti, 2016)” (Souza, 2026, p. 9).

“Percebe-se que esse tipo de leitura permite que o aluno conecte o texto às suas vivências. Na visão de Santos e Bonfim (2016), os quadrinhos realmente provocam mais interesse nas crianças pela leitura, pelo fato de serem maravilhosas ferramentas no processo educativo, compreendendo-se que educar não é somente repassar conhecimentos, através de regras a serem seguidas, mas possibilitar as relações cognitivas e a construção do conhecimento que esse tipo de gênero textual oferece sobre a sensação agradável da leitura, o prazer real de ler. Ao possibilitar o protagonismo dos alunos no seu processo formativo quanto leitor levando em consideração que ler por ler não é o objetivo final. Todavia sim, construir uma sociedade de leitores com capacidade de compreensão, autonomia e criticidade de modo que, tenham consciência do seu papel quanto pessoas e a leitura intencional possui significativa contribuição para que essa sociedade seja construída” (Souza, 2026, p. 10).

Sousa, Zailton Oliveira; HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA FORMAÇÃO DE LEITORES NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, v. 7, n. 8, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.47820/recima21.v7i8.8706.

Memória institucional: a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horiozonte

Artigo científico publicado na revista Biblionline v.22, n. 2 (2026). Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Autoria: Richardson Santos de Freitas e Lorena Tavares de Paula

Resumo:

A Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte foi inaugurada em 7 de fevereiro de 1991 com o objetivo de promover o incentivo à leitura, explorando o potencial criativo e crítico da literatura e das artes, trazendo uma visão cidadã e de respeito à diversidade. Este artigo explora quais foram as condições históricas que permitiram a fundação desta biblioteca voltada ao público infantil e juvenil na capital de Minas Gerais, através de uma pesquisa exploratória de abordagem qualitativa. Para esse registro de memória institucional foi feita uma revisão bibliográfica, uma análise historiográfica e um estudo documental dos ofícios e projetos encontrados no Arquivo Público de Belo Horizonte para se recontar a história da biblioteca e compreender o fenômeno social de sua criação. Essa trajetória trará o papel social da biblioteca na memória, mediação e identidade social da cidade ao se tornar um espaço dedicado às práticas de promoção da leitura, pesquisa, fomento e difusão da cultura destinados às crianças e jovens, com alcance ao público adulto, como educadores e profissionais envolvidos na produção para esse segmento.

Download: https://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/view/74439

FREITAS, Richardson Santos de; PAULA, Lorena Tavares de. Memória institucional: a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte. Biblionline[S. l.], v. 22, n. 2, p. 141–153, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/view/74439. Acesso em: 1 jul. 2026.

Uma introdução política aos quadrinhos, Moacy Cirne

Sinopse:

As estórias em quadrinhos continuam ocupando um dos lugares centrais da cultura de massa: sua ideologia ainda é capaz de mobilizar milhões de consumidores em torno de objetivos políticos e culturais bastante concretos. É o que nos mostra este livro, através de uma leitura crítica fundada no marxismo e voltada para alguns dos problemas que forma, aqui e agora, os complexos meadros da(s) cultura(s) brasileira(s).

Citações:

“Não existem quadrinhos inocentes, assim como não existem leitura inocente (cf. Althusser) e livros inocentes (cf. Macherey). As estórias em quadrinhos procuram ‘ocultar’ sua verdadeira ideologia através de fórmulas temáticas muitas vezes simples ou simplistas, fazendo da redundância (a repetição em série imposta pela engrenagem operacional da cultura de massa) o lugar de sua representação: Tio Patinhas, Mickey, Zorro, Fantasma, Tarzan, Super-Homem, Batman, Capitão América, Capitão Marvel, Homem de Ferro, Home de Borracha, Brotoeja, Riquinho – para citar apenas alguns exemplos conhecidos – expressam uma ideologia conservadora e/ou reacionária” (Cirne, 1982, p. 11).

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Educação como prática da liberdade, Paulo Freire

Sinopse:

EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA DA LIBERDADE foi escrito em 1967, durante o exílio forçado de Paulo Freire no Chile. É este o livro em que Freire detalha as complexas forças que perpassam a relação dos seres humanos com o mundo, no contexto brasileiro, e propõe a execução prática, em cinco fases, do seu Método de Alfabetização. Objetiva com isso alcançar a educação que liberta seres humanos da condição de oprimido e os insere na sociedade como forças transformadoras, críticas, politizadas e responsáveis por todas as pessoas que a integram.

Citações

“NÃO HÁ EDUCAÇÃO FORA DAS SOCIEDADES humanas e não há homem no vazio” (Freire, 2024, p. 51).

“A educação das massas se faz, assim, algo de absolutamente fundamental entre nós. Educação que, desvestida da roupagem alienada e alienante, seja uma força de mudança e de libertação. A opção, por isso, teria de ser, também entre uma ‘educação’ para a ‘domesticação’, para a alienação, e uma educação para a liberdade. ‘Educação’ para o homem-objeto ou educação para o homem-sujeito” (Freire, 2024, p. 52).

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Protocolo RSL

Protocolo RSL: Revisão Sistemática da Literatura (RSL)

Marta Lígia Pomim Valentim

PROTOCOLO RSLDESCRIÇÃO
Objetivo GeralIdentificar os conceitos sobre gestão do conhecimento e seus elementos constitutivos mais significativos, publicados por autores brasileiros no âmbito da Ciência da Informação
Fontes de Informação Pesquisadas– Base de dados de Periódicos em Ciência da Informação(BRAPCI)
– Scientific Electronic Library Online (Scielo)
– BENANCIB
Restrição temporal– O período pesquisado se refere a:
– BRAPCI – todo o período que consta na base
– SciELO – todo o período que consta na base
– BENANCIB – todo o período que consta na base
Critérios de Inclusão e de ExclusãoInclusão:
– Textos de autores brasileiros
– Textos do campo da Ciência da Informação
Exclusão:
– Textos de autores estrangeiros
– Textos de outras áreas do conhecimento
Campos PesquisadosCampos Pesquisados:
– Título
– Palavras
-Chave- Resumo
Procedimentos de SeleçãoProcedimento realizado nos textos recuperados:
– Leitura do abstract dos textos recuperados, no intuito deverificar a pertinência do conteúdo ao objetivo geral deste Protocolo RSL
Procedimentos de AnáliseCritérios:
– Identificação de definições e/ou conceitos sobre gestão do conhecimento e seus elementos constitutivos mais significativos
Palavras-Chave Utilizadas– Gestão do conhecimento and definição
– Gestão do conhecimento and conceito

VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Conceitos sobre gestão do conhecimento: uma revisão sistemática da literatura brasileira. Informação & Sociedade: Estudos, v. 30, n. 4, 2020. p. 1-34. Disponível em: https://cip.brapci.inf.br//download/153257

Humanismo Digital, Milad Doueihi

Trechos do livro que foram traduzidos do francês usando ferramentas online de tradução de texto.

O humanismo digital é o resultado de uma convergência entre nosso complexo patrimônio cultural e uma técnica que transformou, sem precedentes, os espaços de sociabilidade. Uma convergência que, em vez de simplesmente reconectar o antigo e o atual, redistribui conceitos, categorias e objetos, assim como os comportamentos e práticas a eles associados, em um novo ambiente.

Version 1.0.0

O humanismo digital tem dimensão cultural, no sentido de que estabelece um novo contexto em escala mundial que modifica nossa percepção dos objetos, das relações e dos valores, e pelas novas perspectivas que introduz no campo da atividade humana.

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Pedagogia do oprimido, Paulo Freire

Sinopse:

PEDAGOGIA DO OPRIMIDO, escrita entre 1967 a 1968, quando Paulo Freire estava exilado no Chile, foi proibido pela ditadura civil-militar do Brasil, onde permaneceu inédito até 1974. Ancorado em situações concretas, este livro desvela as relações dos opressores e pelo medo da liberdade que os oprimidos sentem. É um livro radical, sobre o conhecer solidário, o amor, o diálogo e a esperença. Aborda a luta pela desalienação, pelo trabalho livre, pela afirmação dos seres humanos como pessoas, e não coisas. É destinado aos revolucionários, que se comprometem com os oprimidos, para, com eles e ao lado deles, lutar na construção de um mundo em que seja mais fácil amar.

Citações:

“Mais uma vez os homens, desafiados pela dramaticidade da hora atual, se propõem a si mesmos como problema. Descobrem que pouco sabem de si, de seu ‘posto no cosmo’, e se inquietam para saber mais. Estará, alías, no reconhecimento do seu puco saber de si uma das razões desta procura” (Freire, 2024, p. 39).

“A violência dos opressores, que os faz também desumanizados, não instaura uma outra vocação – a do ser menos. Como distorção do ser maiss, o ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra que os fez menos. E esta luta somente tem sentido, quando os oprimidos, ao buscarem recuperar sua humanidade, que é uma forma de criá-la, não se sentem idealistamente opressores, nem se tornam, de fato, opressores dos opressores, mas restauradores da humanidade de ambos. E aí está a grande tarefa humanista e histórica dos oprimidos – libertar-se a si e aos opressores” (Freire, 2024, p. 41).

Estes, que oprimem, exploram e violetam, em razão de seu poder, não podem ter, neste poder, a força da libertação dos oprimidos nem de si mesmos. Só o poder que nasça da debilidade dos oprimidos será suficientente forte para libertar a ambos. Por isto é que o poder dos opressores, quando se pretende amenizar ante a debilidade dos oprimidos, não apenas quase sempre se expressa em falsa generosidade, como jamais a ultrapassa” (Freire, 2024, p. 41).

“Talvez dês esmolas. Mas, de onde as tiras, senão de tuas rapinas cruéis, do sofrimento, das lágrimas, dos suspiros? Se o pobre soubesse de onde vem o teu óbolo, ele o recusaria porque teria a impressão de morder a carne de seus irmãos e de sugar o sangue de seu próximo” (São Gregório de Nissa – Sermão contra os usurários (330-395) apud Freire, 2024, p. 42).

“[…] em certo momento de sua experiência existencial, os oprimidos assumem uma postura que chamamos de ‘aderência’ ao opressor. Nestas circustâncias, não chegam a ‘admirá-lo’, o que os levaria a objetivá-lo, a descobri-lo fora de si. […] Daí esta quase aberração: um dos polos da contradição pretendendo não a libertação, mas a identificação com o seu contrário. […] a sua visão do homem novo é uma visão individualista. A sua aderência ao opressor não lhes possibilita a consciência de si como pessoa, nem a consciência de classe oprimida. […] Desta forma, por exemplo, querem a reforma agrária, não para se libertarem, mas para passarem a ter terra e, com esta, torna-se proprietários ou, mais precisamente, patrões de novos empregados. […] Raros são os camponeses que, ao serem ‘promovidos’ a capatazes, não se tornam mais duros opressores de seus antigos companheiros do que o patrão mesmo” (Freire, 2024, p. 44-45).

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido: saberes necessários à prática educativa. 78 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2024.

Gibiteca BPIJ

Dissertação de Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) – UFMG

GIBITECA DA BIBLIOTECA PÚBLICA INFANTIL E JUVENIL DE BELO HORIZONTE: indicadores para uma política de coleção de revistas de histórias em quadrinhos

RESUMO
A Gibiteca da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte foi inaugurada em 1992 a partir da doação de toda a coleção da Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos, feita por seu idealizador Antônio Roque Gobbo, contendo revistas de grande valor cultural para leitores e pesquisadores. De um acervo inicial de nove mil exemplares, a gibiteca chegou ao auge quando atingiu 25 mil exemplares, tornando-se a quarta maior do Brasil. Porém, com a mudança de sede da biblioteca para o Centro de Referência da Juventude em 2016, surgem diversos problemas estruturais que resultaram em furtos e extravios de revistas que colocou em risco a coleção de quadrinhos. 14 mil revistas foram perdidas, chegando em 2025 com uma coleção de 10.925 volumes. Esta dissertação propõe estudar a Gibiteca Antônio Gobbo através de uma pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, usando a modalidade do estudo de caso, divididas nas etapas de coleta de dados e de análise. Na primeira etapa, se estabeleceu a trajetória histórica da origem e desenvolvimento das coleções desta gibiteca e a coleta de informações. Na segunda etapa, elaborou-se uma fundamentação metodológica que produziu uma tabela com seis temas e 18 categorias de análise, que resultaram nos indicadores de avaliação: estudo da comunidade leitora; diretrizes de desenvolvimento de coleção de quadrinhos; recursos informacionais; plano de preservação e conservação das coleções; avaliação: quantitativa e qualitativa; e atribuição de valor.


PALAVRAS-CHAVE: Gibiteca; Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte; História em quadrinhos; Desenvolvimento de coleções.

FREITAS, Richardson Santos de. GIBITECA DA BIBLIOTECA PÚBLICA INFANTIL E JUVENIL DE BELO HORIZONTE: indicadores para uma política de coleção de revistas de histórias em quadrinhos. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2026. Disponível em: https://hdl.handle.net/1843/3613.

Apresentação:

https://docs.google.com/presentation/d/1W6Ax5jJzYyIjobXTvt39AX7vMRk9SG_gQia8KLIvRho/edit?usp=sharing

Gibiteca da BPIJ-BH 2024 – Sede Centro de Referência da Juventude – Crédito: Richardson Santos de Freitas
Coleção Especial de Quadrinhos – Gibiteca da BPIJ-BH – Sede CRJ – 2024 – Crédito: Richardson Santos de Freitas

Gibiteca da BPIJ-BH 2024 – nova sede: Rua Espírito Santo, 593 – Crédito: Richardson Santos de Freitas

Transformaciones del Espacio Público

“Como es sabido, entre 1970 y 1973 los pobladores de este país anduvimos embarcados en un proyecto de “transición al socialismo”. Dentro de este marco general, hubo de parte del gobierno de aquella época una preferencia ostensible, aunque no excluyente ni del todo clara, por la cultura popular” (Rojo, 2008, p. 81)

Entre 1970 e 1973, o povo deste país (Chile) esteve envolvido em um projeto de “transição para o socialismo”. Dentro deste quadro geral, o governo da época demonstrou uma clara, embora não exclusiva, preferência pela cultura popular.

“Desde el punto de vista del trabajo de las instituciones culturales, dependiendo muchas de ellas del gobierno de la Unidad Popular, se produjo entre 1970 y 1973 una apertura de las mismas hacia la mayoría de la población. Se trató de que los chilenos entendieran y sintieran que las universidades, los museos, las bibliotecas, los medios de comunicación, etc., eran suyos, y que lo eran por el solo hecho de ser ellos, los ciudadanos, los dueños legítimos de ese patrimonio, lo que les daba el derecho a usarlo cuando y cómo se les diese la gana” (Rojo, 2008, p.81).

Do ponto de vista do trabalho das instituições culturais, muitas das quais dependiam do governo da Unidade Popular, houve uma abertura dessas instituições à maioria da população entre 1970 e 1973. O objetivo era que os chilenos entendessem e sentissem que as universidades, museus, bibliotecas, meio de comunicação, etc., lhe pertenciam, e que isso devia simplesmente ao fato de serem cidadãos, os legítimos proprietários desse patrimônio, o que lhes dava o direito de usá-lo quando e como bem entendessem.

“Todo lo anterior se hizo humo con el advenimiento de la dictadura” (Rojo, 2008, p. 82).

Tudo isso desapareceu com o advento da ditadura.

“Por una parte, existió durante los años de Pinochet la cultura que el régimen favorecía e intentaba instalar directa o indirectamente. Directamente, a través de la inducción de un nacionalismo de corte militarista, hecho de marchas, himnos, banderas y estatuas de hombres de a caballo, y para cuya entronización se utilizó, entre otros mecanismos, el aparato educacional. Indirectamente, a través de la entrega de la cultura al mercado, dios incuestionable en la teología económica neoliberal, especialista, como bien lo sabemos y lo padecemos hasta el día de hoy, en la producción y transmisión de “ideologías livianas”, destinadas ellas básicamente a asegurar el buen desempeño del capitalismo por medio de un gustoso entrenamiento de los consumidores.Era ése el in de la cultura de las políticas solidarias y participativas y el comienzo de unacultura en la que cada uno corre con colores propios o, mejor dicho, era ése el comienzo del feliz matrimonio entre militarismo y mercado […] y que iba a ser hasta el in de los 80 el rasgo deinitorio del régimen dictatorial. (Rojo, 2008, p. 82-83).

Por um lado, durante os anos de Pinochet existiu uma cultura que o regime favoreceu e tentou estabelecer, direta ou indiretamente. Diretamente, através da indução de um nacionalismo militarista, composto por marchas, hinos, bandeiras e estátuas de homens a cavalo, e para cuja entronização se utilizou, entre outros mecanismos, o aparato educativo. Indiretamente, através da submissão da cultura ao mercado, o deus incontestável na teologia econômica neoliberal, especialista, como bem sabemos e sofremos até hoje, na produção e transmissão de “ideologias leves”, basicamente destinadas a assegurar o bom funcionamento do capitalismo através da formação prazerosa dos consumidores. Este foi o fim da cultura da solidariedade e das políticas participativas e o início de uma cultura em que cada um corre com as suas próprias cores, ou melhor, este foi o início do feliz casamento entre o militarismo e o mercado […] e que seria, até o final da década de 1980, a característica definidora do regime ditatorial.

“Perdura, por lo pronto, una buena parte de la legislación represiva, la que coarta la libertad de expresión en la prensa y comunicaciones en general. Recién en mayo de 2001, el presidenteRicardo Lagos irmó una nueva ley de prensa que, junto con la eliminación del respaldo constitucional a la censura cinematográica, eliminó algunos de las disposiciones que cercenaban hasta entonces la libertad de expresión, tales como el Artículo 6 (b) de la Ley Nº 12.927 de Seguridad del Estado, castigador del desacato contra “los que difamen, injurien o calumnien al Presidente de la República, Ministros de Estado, Senadores o Diputados, miembros de los Tribunales Superiores de Justicia, Contralor General de la República, Comandantes en Jefe de las Fuerzas Armadas o Director General de Carabineros, sea que la difamación, la injuria o la calumnia se cometa con motivo o no de las funciones del ofendido”. También se desmontó en ese año la legislación que autorizaba el requisamiento de publicaciones consideradas injuriosas por los funcionarios aludidos en ellas (era lo que había permitido que el juez Rubén Ballesteros,de la Corte de Apelaciones de Santiago, ordenara coniscar El libro negro de la justicia chilena,una obra de la periodista Alejandra Matus, el 1 de abril de 1999, obedeciendo a una querella del magistrado de la Corte Suprema, Servando Jordán). Con todo, se dejaron en pie otras disposiciones que para los nostálgicos que las echan de menos subsanan las pérdidas de 2001 y que tienen su sitio en los artículos 263, 264 y 265 del Código Penal y 276 y 284 del de Justicia Militar (este último interesado más bien en lo que designa como la “sedición”). Los mecanismos censuradores, en consecuencia, si bien no puede negarse que han disminuido, no han desaparecido del todo. La represión brutal a la libertad de expresión ha dejado de existir en nuestro país, eso es cierto, y nadie arriesga hoy como antaño su integridad física por el solo hecho de exponer opiniones que discrepan con las de aquellos que están en el poder (de otromodo yo mismo no estaría diciendo lo que digo), pero no menos efectivo es que las diicultadespara dar a conocer públicamente tales opiniones continúan existiendo” (Rojo, 2008, p. 84-85)

Por ora, uma parte significativa da legislação repressiva permanece em vigor, restringindo a liberdade de expressão na imprensa e nas comunicações em geral. Foi somente em maio de 2001 que o presidente Ricardo Lagos sancionou uma nova lei de imprensa que, além de eliminar o respaldo constitucional para a censura cinematográfica, removeu algumas das disposições que anteriormente restringiam a liberdade de expressão, como o Artigo 6(b) da Lei nº 12.927 sobre Segurança do Estado, que punia o desacato contra “aqueles que difamarem, insultarem ou caluniarem o Presidente da República, Ministros de Estado, Senadores ou Deputados, membros dos Tribunais Superiores de Justiça, o Controlador Geral da República, Comandantes-em-Chefe das Forças Armadas ou o Diretor-Geral dos Carabineiros, independentemente de a difamação, o insulto ou a calúnia serem cometidos em conexão com as funções da parte ofendida”. Também foi desmantelada naquele ano a legislação que autorizava a confiscação de publicações consideradas difamatórias pelas autoridades nela mencionadas (foi isso que permitiu ao juiz Rubén Ballesteros, do Tribunal de Apelações de Santiago, ordenar a confiscação de O Livro Negro da Justiça Chilena, obra da jornalista Alejandra Matus, em 1º de abril de 1999, em resposta a uma denúncia apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Servando Jordán). No entanto, outras disposições permaneceram em vigor, as quais, para aqueles que sentem saudades delas, compensam as perdas de 2001. Essas disposições encontram-se nos artigos 263, 264 e 265 do Código Penal e nos artigos 276 e 284 do Código de Justiça Militar (este último mais preocupado com o que designa como “sedição”). Consequentemente, embora os mecanismos de censura tenham inegavelmente diminuído, não desapareceram por completo. É verdade que a brutal repressão à liberdade de expressão deixou de existir em nosso país, e hoje ninguém arrisca sua integridade física como antes pelo simples fato de expressar opiniões que discordam das dos que estão no poder (caso contrário, eu mesmo não diria o que digo), mas não é menos verdade que as dificuldades em tornar essas opiniões públicas ainda persistem.

“Elijo, en primer lugar, por su incidencia obvia, la mantención del impuesto al valor agregado (IVA), que grava en Chile la compra de libros con el mismo 19% con que grava todo lo demás, como si la adquisición de libros tuviese un peso social idéntico al que el que tiene la adquisición de un bien o un servicio suntuario. El resultado es que los libros son hoy en nuestro país más caros que en cualquiera de los demás países de América Latina y más caros también que en los países capitalistas del centro del mundo, como pudieran ser Estados Unidos y varios de los europeos. Nada mejor para contrastar las políticas culturales de la Unidad Popular con las concertacionistas de hoy. Si la Unidad Popular se propuso que Chile leyera y para eso creó Quimantú, la editorial que puso en los kioskos de periódicos la mejor literatura universal al mismo precio que un diario o una revista cualquiera, las políticas (y los políticos) de hogaño parecieran (y uno tiene la tentación de pensar de que en efecto es así) desear lo contrario. Que la gente no lea o que lean nada más que aquellos que se ubican en los quintiles superiores de la distribución del ingreso. Cierto, un esfuerzo morigerador en este sentido, que pudiera interpretarse como el Quimantú de Michelle Bachelet, ha sido el “maletín literario”, que se lanzó en 2007 y que consiste en hacer llegar a las familias de escasos recursos una minibiblioteca de obras seleccionadas por una comisión de mentes igualmente esclarecidas” (Rojo, 2008, p. 85 )

Em primeiro lugar, e mais obviamente, escolho destacar a manutenção do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que no Chile tributa a compra de livros com a mesma alíquota de 19% aplicada a todos os outros bens, como se adquirir livros tivesse o mesmo peso social que adquirir um bem ou serviço de luxo. O resultado é que os livros são agora mais caros em nosso país do que em qualquer outro país da América Latina, e também mais caros do que nos países capitalistas do Sul Global, como os Estados Unidos e diversas nações europeias. Não há melhor maneira de contrastar as políticas culturais do governo da Unidade Popular com as da atual coalizão Concertación. Se o governo da Unidade Popular almejava fazer o Chile ler, e para isso criou a Quimantú, a editora que colocava o melhor da literatura mundial nas bancas de jornal pelo mesmo preço de qualquer outro jornal ou revista, as políticas (e os políticos) de hoje parecem (e somos tentados a pensar que esse é de fato o caso) desejar o oposto: que as pessoas não leiam, ou que apenas aqueles nas faixas de renda mais altas leiam. Certamente, um esforço atenuante nesse sentido, que poderia ser interpretado como o Quimantú de Michelle Bachelet, foi a “pasta literária”, lançada em 2007, que consiste em fornecer às famílias de baixa renda uma mini-biblioteca de obras selecionadas por um comitê de mentes igualmente esclarecidas.

“Respecto de las editoriales, en Chile, como en otros lugares de América Latina, las multinacionales del libro se han convertido de un tiempo a esta parte en las dueñas del territorio y, por lo tanto,en las que arbitran y determinan el valor de la letra, las que ijan el canon de lo que se publica yno se publica, de lo que se lee y lo que no se lee. Si en el siglo XIX y primera mitad del XX esa tarea la desempeñaron los intelectuales, y si los periodistas fueron quienes la asumieron entre los sesenta y los ochenta, en los días que corren ella se encuentra en las manos de empresas tales como Random House Mondadori, Alfaguara, Santillana y unas pocas más. Se unen ellas de este modo, a la campaña de banalización, achatamiento y recorte del espíritu crítico que despliegan los medios como si ése fuera su mandato misional. La regla de oro, la que amarra alos medios con las editoriales a las que me estoy reiriendo, la formulé hace algunos años. De loque se trata, dije entonces, es de “llegar al mayor número de receptores posible recurriendo a la censura y remoción sin contemplaciones de cualquier aspereza indeseable”. Basta echarle una mirada a la lista de los libros más vendidos que publica el diario El Mercurio cada domingo para comprobar el rigor con que esta regla se cumple o, lo que es lo mismo, de qué está compuesto el menú lector del cincuenta y pico por ciento de personas que todavía leen algo en nuestro país: en estas últimas semanas desde el Horóscopo chino a El oráculo del guerrero” (Rojo, 2008, p. 86).

Em relação às editoras, no Chile, assim como em outras partes da América Latina, as multinacionais do setor editorial tornaram-se, há algum tempo, as proprietárias de fato do território e, portanto, as árbitras e determinantes do valor da literatura, estabelecendo o cânone do que é publicado e do que não é, do que é lido e do que não é. Se no século XIX e na primeira metade do século XX essa tarefa era desempenhada por intelectuais, e se os jornalistas a assumiram entre as décadas de 1960 e 1980, hoje ela está nas mãos de empresas como Random House Mondadori, Alfaguara, Santillana e algumas outras. Dessa forma, elas se unem à campanha de trivialização, simplificação e cerceamento do pensamento crítico promovida pela mídia como se essa fosse sua missão. A regra de ouro, aquela que une a mídia às editoras, da qual estou zombando, formulei há alguns anos. O que se trata, eu disse então, é “alcançar o maior público possível recorrendo à censura e removendo impiedosamente qualquer aspereza indesejável”. Basta olhar para a lista de livros mais vendidos publicada pelo jornal El Mercurio todos os domingos para ver com que rigor essa regra é seguida, ou, em outras palavras, do que consiste o cardápio de leitura dos cerca de cinquenta por cento das pessoas que ainda leem alguma coisa em nosso país: nas últimas semanas, do Horóscopo Chinês ao Oráculo do Guerreiro.

El problema es pues bastante más complejo de lo que se imaginan los ingenuos burócratas que recomiendan el reemplazo de Shakespeare por Paulo Coelho. Tiene que ver con un descrédito de la cultura de las humanidades, el que es directamente proporcional a la reactivación capitalista en curso y con las consecuencias nefastas que eso no puede sino tener para la salud espiritual de los habitantes de nuestro país. Hoy por hoy o mandamos la cultura de las humanidades alpatio de atrás, por ser inútil para el crecimiento económico, o la descaliicamos por aburriday elitista. En cambio, abundan los ofrecimientos de “cultura entretenida” (Rojo, 2008, p. 87)

O problema, portanto, é muito mais complexo do que imaginam os burocratas ingênuos que recomendam substituir Shakespeare por Paulo Coelho. Tem a ver com o descrédito das humanidades, que é diretamente proporcional à atual reativação capitalista e às consequências desastrosas que isso inevitavelmente acarreta para a saúde espiritual dos habitantes do nosso país. Hoje, ou relegamos as humanidades a um segundo plano, considerando-as inúteis para o crescimento econômico, ou as descartamos como enfadonhas e elitistas. Enquanto isso, abundam as ofertas de “cultura de entretenimento”.

ROJO, Grínor. Campo cultural y neoliberalimos en Chile. In: Segunda Escuela Chile – Francia: Transformaciones del Espacio Público. Santiago: Universidade do Chile, 2008. p. 81-90. Disponível em: libro_chile_francia_final_imprenta-libre.pdf

(Rojo, 2008, p. ) Grínor Rojo, Doutor em Filosofia e Literatura Espanhola da Universidade de Iowa, EUA.