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Barzine #2 – Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos – Belo Horizonte

Comunicação científica feita nas Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, com lançamento do fanzine Barzine #2 e artigo públicado na revista Nona Arte – Revista Brasileira de Pesquisas em Histórias em Quadrinhos, do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, vol. 14/2026. Qualis B2.

Autores: Richardson Santos de Freitas e Lorena Tavares de Paula

DOI: https://doi.org/10.11606/2316-9877.2026.v14.e241815

Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos de Belo Horizonte

RESUMO: Pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, que faz um estudo de caso sobre a Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos. Inaugurada no final de 1987, esse foi o primeiro espaço com acervo aberto ao público dedicado às histórias em quadrinhos de Belo Horizonte. A gibiteca foi idealizada pelo colecionador Antônio Roque Gobbo, que ao mudar para a capital de Minas Gerais, disponibilizou sua coleção para consulta de forma gratuita. Defensor da preservação da memória dos quadrinhos, em um gesto de generosidade, em 1992 Gobbo doou toda a coleção para dar origem à Gibiteca da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte.

Antônio Roque Gobbo

Antônio Roque Gobbo nasceu em 11 de novembro de 1935, na cidade de São Sebastião do Paraíso. O município está localizado na região sudoeste do estado de Minas Gerais. O gosto pela leitura veio cedo. Entre os 6 e 7 anos ganhou seu primeiro livro, Dom Quixote para Crianças, de Monteiro Lobato. Gobbo em entrevista para a Rede Minas (Conversações, 2018) disse que este prazer pela leitura foi influenciado pelo seu tio Armando, que morava na mesma casa. Seu tio assinava diversas revistas e tinha uma biblioteca em casa. “A paixão pelas histórias em quadrinhos começou por volta dos 7 anos, num tempo em que televisão era peça de ficção de um futuro quase intergalático” (Werneck, 2010). No princípio lia as revistas que os seus colegas de escola emprestavam. Entre os seus personagens preferidos estavam o Fantasma, Tarzan, Super-Homem e Capitão América. Com o tempo, passou a guardar as suas revistas O Tico-Tico, Globo Juvenil, Guri, Mirim, Gazeta Infantil, Clássicos Ilustrados e qualquer outro gibi que chegasse em suas mãos. Com o tempo, foi se constituindo sua coleção, que passava a crescer em volume. 

Devido ao emprego de bancário de seu pai, Gobbo e sua família faziam constantes mudanças de cidade. Em todas elas, nunca deixava para trás suas revistas. Sua coleção era armazenada cuidadosamente em caixas e transportadas para a nova moradia. Virou bancário no Banco Credireal e passou a ter dinheiro para comprar mais livros e revistas em quadrinhos. Casou-se com Enny Gobbo. 

Em 1985, quando chega com a família na cidade Belo Horizonte, traz na bagagem mais de quatro décadas de acervo acumulado. Foi quando sua esposa o perguntou o que ele iria fazer com todo aquele material. Depois de sua aposentadoria, Gobbo idealizou, junto com Vicente de Paula Penido e Lenine Lucas, um espaço para disponibilizar o acesso às suas HQs. 

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Fanzine, de Edgard Guimarães

“Ao se falar de fanzines no Brasil temos necessariamente que passar pela obra de Edgard Guimarães. Quadrinista exímio, produtor e editor de inúmeras publicações independentes, Edgard é ainda um camarada na expressão exata do termo. Seu contato com grande parte dos editores e leitores de fanzines no país se dá num clima de cordialidade rara num meio onde vez ou outra explodem egos insuflados.

Em plena crise da produção dos fanzines, na segunda metade dos anos 1980, estava Edgard a todo vapor, lançando verdadeiros álbuns temáticos, reunindo os maiores nomes dos novos autores de quadrinhos. Esse espírito militante, essa capacidade visionária, faria com que ele lançasse pouco depois um projeto ousado: produzir e distribuir fanzines de vários editores de todo o país. Em paralelo, passou a editar o que viria a ser o guia de nossa imprensa autoral, o fanzine Informativo de Quadrinhos Independentes. Atualmente conhecido apenas como QI, esta publicação reúne a cada dois meses centenas de títulos de fanzines, livros e álbuns não só de quadrinhos, mas de quase tudo o que circula fora do circuito comercial.

Conhecimento de causa, portanto, Edgard tem de sobra e não só por teorizações acadêmicas. Na prática ele construiu uma das mais ricas histórias do universo dos fanzines, com domínio de todas as fases de produção. É exatamente esta experiência que ele disponibiliza aos leitores por intermédio do livro que se tem em mãos.

Este trabalho tem os fanzines como tema, abordando seus variados aspectos, desde a definição do termo até a distribuição, passando por aspectos inusitados, mas interessantes, como a pirataria nos fanzines, as premiações e a relação com o meio profissional. Se no livro O rebuliço apaixonante dos fanzines eu me detenho na trajetória dessas publicações no Brasil, Edgard procura ser mais didático, oferecendo aos leitores um precioso guia para quem quer adentrar o meio com informações objetivas sobre os caminhos que se deve trilhar para chegar à edição.

Enfim, é bom frisar que Fanzine teve sua primeira edição produzida pelo autor em janeiro de 2000 e se tornou de imediato leitura indispensável para quem admira ou estuda esse tipo de publicação. A segunda e a terceira edição saíram pela Marca de Fantasia, assim como esta quarta edição digital, cujo propósito é ampliar ainda mais seu público, favorecendo a produção independente no país.”

Henrique Magalhães

Fanzine – 4ª Edição
Edgard Guimarães
Marca de Fantasia
ISBN 978-65-86031-02-7

GUIMARÃES, Edgard. Fanzine. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2005. Disponível em: https://www.marcadefantasia.com/livros/quiosque/fanzine/fanzine4ed.pdf

Cadê a minha cabeça

Publicada na revista 4X4 nº1 – Perdi minha cabeça na zona (Abril/2016) – Peba Edições

4×4 é uma publicação coletiva da Peba Edições. Artistas do nº 1: Ric / Vitu Maia / Wagner Nyhyw / Marcelo Dola

Boteco do fim do mundo

Revista 4×4 nº2 – Meu pai é um E.T. (Setembro/2016) – Peba Edições

4×4 é uma publicação coletiva da Peba Edições. Aristas:  Marcelo Dola, Lexy Soares, Wagner Nyhyw, Ric, Vitu Maia. Capa de Rosa Inês.

Apenas mais uma história em quadrinhos

História publicada no Fanzine “De Última Hora”, lançada em 2003 no III Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte.

Fanzine completo, com as histórias de Leo Romão e Ricardo Lima (Laranja).

1965 – Fanzine Ficção

1ª edição: 12 de outubro de 1965, Piracicaba/SP.

O primeiro fanzine de histórias em quadrinhos do Brasil é o “Ficção – Boletim do Intercâmbio Ciência – Ficção Alex Raymond”, idealizado pelo desenhista Edson Rontani. Feito em mimeógrafo, a edição era distribuída via correio. Chegou a ter 12 edições e tiragens de 300 cópias.

O boletim trazia reportagens sobre personagens, artistas e editoras. Publicava catálogos de compra e venda de hqs e uma lista de produções. Tinha o objetivo de ser uma publicação de troca de informações entre os colecionadores de histórias em quadrinhos .

Ao enviar exemplares do antigo boletim para um clube de colecionadores na França, eles responderam chamando a publicação de fanzine. Assim, Rontani lançou uma nova versão substituindo o termo “boletim” por “fanzine”, ficando Fanzine Ficção.

Fanzine é uma palavra inglesa que vem da contração dos termos FANatic + magaZINE (revista de fã). Significa uma revista artesanal feita por fãs que querem trocar informações ou mostrar seus trabalhos independentes. Os primeiros fanzines surgiram a partir da década de 30 nos EUA, elaborado por leitores de revistas de ficção científica. A revista artesanal, devido ao seu baixo custo e a possibilidade de reprodução em pequena escala, logo foi adotado também por fãs de quadrinhos. Com o novo lançamento de Rontani, o termo passou a ser disseminado e adotado no cenário da produção brasileira, tanto para edições informativas, quanto para revistas independentes e experimentais.

Painel de exposição em homenagem a Esdon Rontani.
Crédito: http://edsonrontani.blogspot.com/

Edson Rontani nasceu em Piracicaba em 23 de março de 1933. Foi formado em Direito mas nunca exerceu a profissão. Era polivalente, atuando em diversas atividades profissionais como jornalista, pintor, decorador, radialista, cartunista e ilustrador. Era amante de quadrinhos e um grande colecionador. Sua coleção chegou a ter um acervo de mais de mil gibis. Criou o Estúdio Orbis de Desenho nos anos 50, onde ministrava aulas e prestava serviços de desenho e publicidade. Em 1974, teve a ideia de realizar o Salão de Caricaturas de Piracicaba, na Pinacoteca Municipal.

Criou o mascote Nhô Quim para o time de futebol XV de Novembro de Piracicaba. Passou a criar ilustrações de Jeca, sobre futebol, o que o levou seus desenhos para a Gazeta Esportiva. Trabalhou para as publicações Folha Piracicabana, Tribuna, Jornal de Piracicaba e O Diário. Contribui para as revistas da EBAL fazendo desenho para as capas. Entre elas, Superman nº 9 e Batman nº 43, ambas publicadas em janeiro de 1965.

Em 1981, cria o suplemento infantil “Você Sabia?”, sendo redator e ilustrador. Rontani produziu a página até 1997, ano de seu falecimento.

REFERÊNCIAS

Blog Edson Rontani: http://edsonrontani.blogspot.com/

GUIMARÃES, Edgard. Fanzine. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2005. Disponível em https://www.marcadefantasia.com/livros/quiosque/fanzine/fanzine4ed.pdf

MEDEIROS, Lucas de Sousa. A identidade de fã mediada pelos fanzines: análise do discurso de fã nos fanzines brasileiros de história em quadrinhos da década de 1990. Dissertação (Mestrado em História Cultural) – Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/16527/1/IdentidadeFaMedida.pdf

NEGRI, Ana CAmila. Quarenta anos de fanzine no Brasil: o pioneirismo de Edson Rontani. V Encontro de Pesquisa da Intercom. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2005/resumos/R0469-1.pdf