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Candidatura COMUC – Regional Noroeste

Olá. Sou atualmente representante suplente da Regional Noroeste (Gestão 2024-2026) do Conselho Municipal de Política Cultural de Belo Horizonte. Estou me recandidatando para a nova gestão (2026-2028).

Richardson Santos de Freitas (Ric)

Cartunista e Doutorando em Ciência da Informação (PPGCI-UFMG), com Mestrado (PPGCI-UFMG), Bacharelado em Biblioteconomia (UFMG) e Licenciatura em Desenho (UEMG). 
Sobre mim: https://nanquim.com.br/o-autor/
Minha trajetória artística e acadêmica: https://nanquim.com.br/linha-do-tempo/

 Uma breve PRESTAÇÃO DE CONTAS destes dois anos de trabalho no COMUC:

Como Conselheiro Suplente Noroeste (Gestão 2024-2026):

01) Atuo pela defesa da construção do novo Centro Cultural Padre Eustáquio (CCPE), conforme contrato da Concessão da FECOPE Concorrência 001/2020, junto com Fórum Cultural Noroeste, Associação de Moradores do bairro São Francisco das Chagas, FEMAU e Cineclube Azteca;

02) Defendo a construção do novo centro cultural no antigo aeroporto Carlos Prates;

03) Defendo a ampliação da estrutura física do CCLAO Liberalino Alves de Oliveira (Lagoinha), dentro dos Projetos Transformadores do Plano de Governo da PBH, que contempla a revitalização da Lagoinha;

04) Participei da Câmara Temática do COMUC que defendeu o concurso público da FMC e debateu a definição de “equipe mínima” para o funcionamento dos centros culturais, proposta aprovada na VIII Conferência Municipal e inserida no Plano Municipal de Cultura (2026-2035), ampliada para contemplar as equipes de todas as unidades culturais;

Relatório CTCC – 2025
Pré-Conferência Municipal de Cultura – Regional Noroeste CCPE

05) Apresentei, junto com o Fórum Cultural Noroeste, a realocação de R$100 mil de recursos no PPAG 2026-2029 da FMC para ampliar as atividades dos centros culturais nos programas: Estímulo à Leitura; Aquisição de Acervo; e Territórios Criativos;

06) Cobrei a ampliação de espaços de diálogo entre a curadoria dos grandes festivais com os agentes culturais;

07) Pautei o Festival Internacional de Quadrinhos FIQ!BH em reunião do COMUC e apontei seus problemas.

08) Aprovei a Recomendação COMUC 01/2026 sobre a implantação de metodologia para seleção de propostas artísticas no FIQ!BH.

Foto: Rafael Costa/ASCOM FMC

09) Fiz a solicitação para a apresentação da execução orçamentária da SMC e FMC para o COMUC;

10) Participei do Grupo de Trabalho que fez a revisão do Regimento Interno do COMUC;

11) Solicitei que as reuniões do COMUC fossem registradas e divulgadas no perfil da @fmcbh para melhor conhecimento da sociedade das pautas e trabalho do conselho, no momento em que justifiquei a crítica do Plano de Comunicação para as políticas culturais.

12) Solicitei a pauta com informes sobre o Concurso Público 0024/2025 da SMC/FMC.


Barzine #2 – Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos – Belo Horizonte

Comunicação científica feita nas Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, com lançamento do fanzine Barzine #2 e artigo públicado na revista Nona Arte – Revista Brasileira de Pesquisas em Histórias em Quadrinhos, do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, vol. 14/2026. Qualis B2.

Autores: Richardson Santos de Freitas e Lorena Tavares de Paula

DOI: https://doi.org/10.11606/2316-9877.2026.v14.e241815

Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos de Belo Horizonte

RESUMO: Pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, que faz um estudo de caso sobre a Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos. Inaugurada no final de 1987, esse foi o primeiro espaço com acervo aberto ao público dedicado às histórias em quadrinhos de Belo Horizonte. A gibiteca foi idealizada pelo colecionador Antônio Roque Gobbo, que ao mudar para a capital de Minas Gerais, disponibilizou sua coleção para consulta de forma gratuita. Defensor da preservação da memória dos quadrinhos, em um gesto de generosidade, em 1992 Gobbo doou toda a coleção para dar origem à Gibiteca da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte.

Antônio Roque Gobbo

Antônio Roque Gobbo nasceu em 11 de novembro de 1935, na cidade de São Sebastião do Paraíso. O município está localizado na região sudoeste do estado de Minas Gerais. O gosto pela leitura veio cedo. Entre os 6 e 7 anos ganhou seu primeiro livro, Dom Quixote para Crianças, de Monteiro Lobato. Gobbo em entrevista para a Rede Minas (Conversações, 2018) disse que este prazer pela leitura foi influenciado pelo seu tio Armando, que morava na mesma casa. Seu tio assinava diversas revistas e tinha uma biblioteca em casa. “A paixão pelas histórias em quadrinhos começou por volta dos 7 anos, num tempo em que televisão era peça de ficção de um futuro quase intergalático” (Werneck, 2010). No princípio lia as revistas que os seus colegas de escola emprestavam. Entre os seus personagens preferidos estavam o Fantasma, Tarzan, Super-Homem e Capitão América. Com o tempo, passou a guardar as suas revistas O Tico-Tico, Globo Juvenil, Guri, Mirim, Gazeta Infantil, Clássicos Ilustrados e qualquer outro gibi que chegasse em suas mãos. Com o tempo, foi se constituindo sua coleção, que passava a crescer em volume. 

Devido ao emprego de bancário de seu pai, Gobbo e sua família faziam constantes mudanças de cidade. Em todas elas, nunca deixava para trás suas revistas. Sua coleção era armazenada cuidadosamente em caixas e transportadas para a nova moradia. Virou bancário no Banco Credireal e passou a ter dinheiro para comprar mais livros e revistas em quadrinhos. Casou-se com Enny Gobbo. 

Em 1985, quando chega com a família na cidade Belo Horizonte, traz na bagagem mais de quatro décadas de acervo acumulado. Foi quando sua esposa o perguntou o que ele iria fazer com todo aquele material. Depois de sua aposentadoria, Gobbo idealizou, junto com Vicente de Paula Penido e Lenine Lucas, um espaço para disponibilizar o acesso às suas HQs. 

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Do gibi à gibiteca

Do gibi à gibiteca: origem e gênese de significados historicamente situados
Autor: Richardson Santos de Freitas

Orientadora: Lorena Tavares de Paula

Monografia apresentada em 14 de novembro de 2023 à Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), como atividade optativa do curso de graduação em Biblioteconomia.

Banca:
Waldomiro de Castro Santos Vergueiro
Lígia Maria Moreira Dumont
Terezinha de Fátima Carvalho de Souza

RESUMO
Esta pesquisa faz um estudo sobre a palavra gibi, através do método histórico, investigando as mudanças de seu significado e sua assimilação sociocultural. Considera-se que esse gênero artístico e fonte de informação para desenvolvimento de coleções especiais prescinde de estudos críticos sobre abordagens teóricas, lexicais e historiográficas para melhor compreensão desses materiais para o desenvolvimento de coleções. Nesta investigação, os primeiros registros foram encontrados em jornais de 1888, pesquisados na Hemeroteca Virtual da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil. Constatou-se que inicialmente gibi era um apelido atribuído a pessoas negras. Posteriormente, transformou-se em uma gíria racista direcionada aos meninos negros, possuindo o sentido pejorativo de feio e grotesco, publicados em anúncios e em páginas de quadrinhos de periódicos. Depois a palavra passou a ser usada para designar os meninos negros que vendiam jornais nas ruas. Desses pequenos vendedores surgiu a inspiração para o título da revista Gibi, lançada em 1939 pela editora O Globo. O sucesso de vendas da revista, a ampla publicidade, o investimento em relações públicas e o cenário de críticas aos quadrinhos vindas principalmente de adversários da editora transformaram a palavra gibi em sinônimo de revista de histórias em quadrinhos no Brasil, fazendo o sentido original cair em desuso. A popularização do termo inspirou as bibliotecas brasileiras a adotarem a denominação de gibiteca para seus acervos de quadrinhos.

ORIGEM E GÊNESE DA PALAVRA GIBI (GIBY)

A pesquisa começou pela busca do significado da palavra gibi nos dicionários disponíveis nos acervos das bibliotecas da Faculdade de Ciência da Informação, da Faculdade de Letras e da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais. Ao todo foram encontradas 23 edições, de diferentes editoras, publicadas entre 1940 a 2011. 

O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa de 2010 é o exemplar com o maior detalhamento do significado da palavra gibi. O termo é definido como um substantivo masculino e um brasileirismo, isto é, próprio do português do Brasil. A palavra é sinônimo de revista em quadrinhos, mas o dicionário também informa que é uma gíria em desuso atribuída a menino negro:

gibi. S. m. Bras. 1. Gír. Desus. Meninote preto; negrinho. 2. Nome registrado de determinada revista em quadrinhos, infatojuvenil. 3. P. ext. Qualquer revista em quadrinhos. 4. Publicação interna […] (Ferreira, 2010, p. 1030, grifo nosso).

São raros os vestígios do uso de gírias até o fim do século XIX. “[…] com o crescimento das cidades brasileiras, em particular da capital, o Rio de Janeiro, observamos que a gíria começa a fazer parte da linguagem dos grupos sociais […]” (Preti, 2001, p. 60). Esse uso coincide com o aumento da circulação de jornais que passam a exercer influência social e política nos centros urbanos. 

A gíria é um fenômeno sociolinguístico que constituiu um vocábulo tipicamente oral. Ela é um código que pode pertencer a um grupo social restrito ou transformar-se em um fenômeno que extrapola essa comunidade, tornando-se popular. Segundo Preti (2001, p. 68) os especialistas possuem dificuldade em encontrar a evolução e as transformações de sentido referente à língua oral porque a documentação escrita existente é precária e ocasional. 

O desconhecimento da origem da gíria gibi é citado em dois dicionários, que usam o termo “origem obscura”. No Novíssimo Aulete: Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa define gibi como “[…] 2. Gír. Menino negro; Negrinho [F.: De or. Obsc.]” (Aulete, 2011, p. 711, grifo nosso). O Dicionário Houaiss confirma que a palavra informal brasileira tem origem etimológica desconhecida, registrando “gibi s.m. B. Infrm. 1 garoto negro; negrinho. […] ETIM orig. obsc.” (Houaiss; Villar, 2007, p. 1449, grifo nosso). 

No Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa há uma segunda definição, que diz que gibi vem do latim gibbus possuindo o significado de giba, ou seja, uma pessoa corcunda ou com o corpo disforme.

gibi. [Do lat. gibbus, í.] El. comp. = ‘giba’, ‘corcunda’; gibífero, bibifloro.   (Ferreira, 2010, p. 1030).

giba. [Do lat. gibba.] S. f. 1. V. corcunda (1): “Seu corpo disforme, cheio de gibas de gordura, dava-lhe aspecto de grande besouro castanho e zumbidor, “ (Cornélio Pena, A Menina Morta, p. 20) […] (Ferreira, 2010, p. 1030).

O exemplo do uso da palavra, que aparece na edição do dicionário Aurélio, trata-se de trecho da obra de Cornélio Penna intitulada “A Menina Morta”. Ambientada no tempo da escravidão, o livro conta a história da morte da filha de um senhor de pessoas escravizadas e os preparativos para o enterro. Um dos personagens, o senhor Justino, é um homem adulto que possui o cargo de administrador da fazenda. Justino foi encarregado de levar um pedido dos escravizados ao seu senhor. Eles desejariam acompanhar o cortejo fúnebre da menina. Justino é descrito como um negro “cheio de gibas de gordura” por ser tão gordo que aparentava ser disforme. 

No Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa, organizado por Laudelino Freire, publicado em volumes entre 1940 a 1943, traz a descrição de que gibi é a “Forma inexata de jibí” (Freire, [194?], v. 3, p. 2725). Jibí é “s.m., Gír. 1 Negrinho, moleque. || 2. Tipo feio, hediondo, grutesco.” (Freire, [194?], v. 4, p. 3073, grifo nosso). Nenhum outro dicionário possui essa alternativa de grafia e não se encontrou nenhum registro de jibí em jornais ou revistas na hemeroteca da Biblioteca Nacional. Ainda na década de 1940, o dicionário Lello define “Gibi, s. m. Pop. Negro, Typo feio e grotesco” (Lello, [194?], p. 1157, grifo nosso). A definição do Dicionário Brasileiro Contemporâneo Ilustrado, elaborado por Francisco Fernandes, que traz “gibi. s.m. (bras.) (pop.) Moleque; negrinho; indivíduo feio, grotesco” (Fernandes, 1965, p. 558, grifo nosso). Essas definições indicam que o uso da palavra era empregado para definir criança negra e estava vinculada a um segundo sentido pejorativo de pessoa feia, grotesca e hedionda.

Sabendo da dificuldade para se encontrar a origem da gíria gibi, optou-se por mapear o momento em que o seu uso tornou-se popular, incorporado aos textos jornalísticos. O trabalho pesquisou a palavra em jornais e revistas que circulavam no Brasil antes de 1939, data de lançamento da revista Gibi. O objetivo era encontrar a palavra sendo usada no seu sentido mais antigo. Durante esta busca, percebeu-se que gibi poderia assumir a forma variante giby, que foi incorporada nas buscas.

Alcunha Giby/Gibi

A mais antiga menção de gibi encontrada na hemeroteca virtual da Biblioteca Nacional tem a grafia de giby. A palavra está em uma nota na seção de notícias policiais da Gazeta da Tarde da edição que circulou na cidade do Rio de Janeiro em junho de 1888. O ano é marcado pela Lei Áurea, assinado em 13 de maio, no processo gradual do fim da escravidão no país. Sem nenhum tipo de compensação ou integração social, os recém-libertados se viram na situação de continuar trabalhando nas fazendas como assalariados ou seguir para os grandes centros urbanos em busca de alguma ocupação. Porém, esses centros urbanos não foram capazes de absorver o novo contingente de mão de obra, aumentando o número de pessoas desocupadas que vagavam pelas cidades em busca de sobrevivência. 

O crime de vadiagem já era usado para o controle social desde a promulgação do Código Criminal do Imperio do Brazil em 16 de dezembro de 1830. O mecanismo ganhou regulamentação através do Código do Processo Criminal de 1832, que em seu artigo 12 detalhou as competências e procedimentos dos Juízes de Paz diante de vadios, mendigos ou qualquer outra pessoas que perturbasse o sossego público:

§ 1º Tomar conhecimento das pessoas, que de novo vierem habitar no seu Districto, sendo desconhecidas, ou suspeitas; e conceder passaporte ás pessoas que lh’o requererem.

§ 2º Obrigar a assignar termo de bem viver aos vadios, mendigos, bebados por habito, prostitutas, que perturbam o socego publico, aos turbulentos, que por palavras, ou acções offendem os bons costumes, a tranquillidade publica, e a paz das familias. (Brasil, 1932).

As pessoas fora do mercado de trabalho eram consideradas perigosas pela elite imperial e, por isso, o termo de bem viver foi o instrumento jurídico criado para vigiar, punir e segregar os indivíduos pobres livres, estigmatizados como vadios ou vagabundos. Eduardo Martins esclarece que: 

No contexto de uma sociedade escravista, em que o controle dos senhores no máximo abrangia escravos agregados, a criminalização da vadiagem se constituiu em poderoso recurso de controle extra-econômico utilizado pelas autoridades para constranger os pobres livres ao trabalho. (Martins, 2003, p. 64-65).

Na seção “Pela Polícia” da Gazeta da Tarde em 4 de julho de 1888 (Figura 1), está noticiado que “Assignou termo de bem viver, como vagabundo, na subdelegacia da freguezia da Lagoa, Joaquim dos Santos, vulgo Giby.” (Pela polícia, 1888, p. 3). A mesma notícia foi publicada no dia seguinte, nas seções dedicadas as notícias policiais do Diario de Noticias e Jornal do Commercio, ambos da cidade do Rio de Janeiro. O Jornal do Commercio acrescentou ao fato a informação de que Joaquim dos Santos recebeu a punição de três meses de prisão e foi encaminhado para a casa de correção.

Figura 1 – Vulgo Giby assina termo como vagabundo.   Gazeta da Tarde, Rio de Janeiro, n. 125, 4 de junho de 1888. Fonte: Fundação Biblioteca Nacional
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Ponto de Vista

Além do enquadramento, a ação dentro de uma história em quadrinhos pode ser modificada a partir da localização do ponto de vista. Estes ângulos podem ser do tipo Superior, Médio e Inferior.

ÂNGULO MÉDIO

O enquadramento posiciona o leitor a ver a ação de frente. É o mais comum e mais utilizado nas histórias em quadrinhos.

Na cena de exemplo, uma mulher corre com um chinelo atrás de uma barata pelo banheiro. A posição de ângulo médio faz o leitor acompanha a perseguição através de olhar de distanciamento. É possível ver a diferença de tamanho real entre os personagens. Pela distância entre eles, é eminente o golpe de chinelo que estar por vir.

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Hachuras

A hachura é uma técnica do desenho usada para produzir os efeitos de sombreamento e de profundidade, além de ser empregada para simular textura de diferentes superfícies.

Vários materiais possuem a capacidade de criar tonalidades, indo do claro para o escuro. Isso depende das características específicas de cada um. Em tinta pode ser usado solventes ou a mistura com outras tintas. Em lápis e giz, a pressão sobre a superfície determinará suas variações. Na foto abaixo é usado um lápis grafite nº 6, que varia de tonalidade de acordo com a força que você exerce no lápis sobre o papel. Por outro lado, a caneta nanquim descartável independe de força, ela sempre desenhará com a mesma tonalidade. Então a hachura servirá para simular esse efeito usando uma cor chapada, isto é, cor única sem graduações.

Geralmente a hachura é composta por traços paralelos ou cruzados, podendo variar o espaçamento, a espessura da linha e a quantidade de entrelaçamento. Existem outras foram para produzir esses efeitos para além da hachura, como o uso do pontilhismo.

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Metodologia: linguagem dos quadrinhos

Você encontrará aqui uma metodologia para ensino da linguagem dos quadrinhos dentro de sala de aula.

Quando aplicado uma atividade de história em quadrinhos dentro de uma sala é provável que o professor encontre alguma resistência entre os alunos que dizem não saber desenhar. Isso pode provocar uma barreira no desenvolvimento do trabalho.

A proposta desta atividade não é ensinar a desenhar. A finalidade é fazer com que os alunos entendam o funcionamento básico de construção de uma história em quadrinhos. O entendimento servirá tanto para melhorar a compreensão da leitura, quanto para desenvolver histórias mesmo com um desenho simples.

Por esse motivo, esta lição é feita com um personagem feito de formas geométricas simples.

Os quadros são apresentados um a um, colocados em cima de uma mesa. A cada novo quadro acrescentado, o professor vai dialogando, colhendo depoimentos e instigando os alunos a completarem e comentarem as histórias.

QUADRO A QUADRO

Esta é a primeira figura apresentada, onde se pergunta para a turma: “- O que o personagem está fazendo?”

Existem várias interpretações válidas. O personagem podem estar andando tranquilamente, fazendo caminhada, correndo, passeando …

Agora acrescenta-se um segundo quadro onde o personagem se depara com uma situação inusitada. Uma lâmpada!! Ele fica curioso…

Perceba que mesmo sem ter expressões faciais, a imagem induz a curiosidade. Para isso, além da interrogação, o corpo foi desenhado de forma inclinada para o objeto misteriosos.

Nesse ponto pergunta-se para a turma: “- O que vai acontecer no próximo quadro, depois que ele encontrou a lâmpada mágica?”

Isso fará com que os alunos busque em sua experiência pessoal a opinião para o que vai acontecer em seguida. A lâmpada está associada a histórias onde ao esfregá-la, aparecerá um gênio que irá realizar três desejos.

Depois de todas as ideias e conclusões, apresente o terceiro quadro:

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Expressões faciais

As histórias em quadrinhos trabalham com as emoções. Fazer rir, chorar, sentir apreensão, medo, raiva… são importantes na condução da história. Para isso, as expressões faciais dos personagens são fundamentais para provocar esses sentimentos no leitor.

Como referência, pode-se usar fotografias, pedir para alguém fazer posses e caretas, dar um pausa em uma cena de um vídeo ou mesmo usar um espelho para se chegar na melhor expressão.

As expressões possuem graduações, de acordo com a cena, como um sorriso tímido até uma gargalhada exagerada. Para realçar, pode-se acrescentar recursos gráficos que irão ressaltar os sentimentos.

Abaixo algumas exemplos:

Funções na produção de uma história em quadrinhos

Quando se fala em quadrinhos é muito comum as pessoas relacionarem a imagem do quadrinista na produção de uma história. Alguns até acreditam que só quem desenha pode trabalhar com quadrinhos.

Em um trabalho autoral, existe a possibilidade de uma única pessoa pode executar todo o processo de elaboração e montagem de uma história. Porém, quadrinhos pode ser também uma arte coletiva, dividida em várias etapas e feitas por diversos pessoas ao longo do processo. Tudo vai depender da estrutura, desde a de uma editora profissional que conta em sua equipe com diversos profissionais ou uma iniciativa independente, onde uma pessoa acumula várias funções.

A lista abaixo traz uma divisão de funções mais comuns na produção de uma história em quadrinhos.

ROTEIRISTA

Responsável por escreve a história em formato de roteiro. Nesse roteiro, haverá a descrição das cenas, diálogos e informações relevantes para auxiliaram o quadrinista a desenvolver os desenhos.

Dependendo do estilo, o roteirista pode apenas passar uma ideia geral da história e deixa o resto por conta da imaginação do quadrinista. Outros são detalhistas, descrevem quadro a quadro, informam o tipo de enquadramento; descrevem os personagens e que tipo de expressão facial ou corporal devem apresentar; detalham o cenário e que elementos de composição de objetos devem ter na cena.

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Enquadramento

Enquadramento é um conceito criado no cinema e incorporado aos quadrinhos. Enquadrar significa definir o tamanho e a posição dos personagens e dos objetos de cada quadro. Através desses planos, o quadrinista busca provocar um efeito específico no leitor.

Conheça os tipos de planos:

  • GRANDE PLANO GERAL

Mostra a cena em um enquadramento muito aberto. É um plano usado para ambientação, para situar o leitor dentro da história. Ao mostrar a cena do ponto de vista mais amplo, determina o local ou período histórico da ação.

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