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Uma pesquisa que não está no gibi: um estudo com colecionadores de revistas em quadrinhos

Autores:
Luciano José Martins Vieira
Neusa Rolita Cavedon

Resumo: O presente exercício etnográfico tem como objetivo identificar as peculiaridades da relação existente entre colecionadores porto-alegrenses de histórias em quadrinhos (HQs) de superaventura com as suas revistas. O referencial teórico aborda as HQs de superaventura e as principais características da cultura do consumo, focando em uma de suas consequências, o colecionismo. Para a coleta de dados foram utilizadas as técnicas de observação participante com idas a campo na Feira do Gibi de Porto Alegre e foram realizadas entrevistas com expositores e frequentadores do evento. Os resultados apontam que o colecionar HQs extrapola a dimensão utilitária do consumo, pois as revistas são adquiridas para serem conservadas e lidas novamente por representarem aspectos da vida do colecionador e ser fonte de satisfação para ele, proporcionando, inclusive, uma sensação de obtenção de alguma forma de imortalidade. As coleções não iniciam deliberadamente, mas uma vez constituídas, a busca e aquisição de novos itens ocorrem com regularidade e a formação do acervo segue critérios definidos. A possibilidade de retirada de um item da coleção é considerada algo negativo. O colecionar envolve o consumo contínuo já que as coleções nunca estarão completas, pois sempre existirão novas revistas interessantes para serem adquiridas.


Belk et al. (1988) apontam oito proposições sobre o colecionismo:

a) As coleções raramente são iniciadas de forma proposital: elas frequentemente começam a partir de uma ação acidental ou inesperada, como o recebimento de um presente ou de uma herança. Normalmente os colecionadores percebem que
têm uma coleção somente após já terem reunido certa quantidade de itens.

b) A prática de colecionar apresenta aspectos viciantes e compulsivos: apesar do início inesperado muitas coleções tornam-se uma atividade viciante de busca e aquisição do objeto colecionado (compulsão), que envolve euforia e angústia e que ocasionalmente causa repercussões negativas na vida pessoal e social do colecionador. O fato de vários colecionadores prontamente reconhecerem que estão “viciados” pela coleção indica o poder da atração do reconhecimento social da atividade compulsiva de aquisição conferida ao colecionismo.

c) A aquisição de bens ocorre como arte ou ciência de modo que existem dois tipos (puros) de colecionadores: a) o que adota critérios afetivos para selecionar os itens da sua coleção, não havendo a necessidade de ter uma série completa, pois o que importa é aumentar a beleza da coleção; e, b) aquele que usa critérios cognitivos para a escolha dos itens da coleção, em que há a procura de itens que formem uma série e que aprimorem o seu conhecimento. Ressalta-se que o
reconhecimento da sua coleção por outras pessoas dá ao colecionador um senso de que a sua coleção tem um propósito nobre posto que ela auxilia na construção do conhecimento e na preservação de algo importante.

d) Há uma sacralização do objeto quando ele passa a fazer parte da coleção: ele recebe uma condição extraordinária, especial e digna de reverência, incorporando a conotação de veículo de experiência transcendental que excede seu aspecto utilitário e estético. A sacralização pode ocorrer pela definição de um espaço físico específico (gaveta, caixas, armários, quartos e até mesmo um apartamento só para abrigar os itens colecionáveis) para a coleção e de maneiras especiais para o manuseio dos itens; pelo fato do objeto ter tido contato com pessoas importantes ou por ter sido parte de outra coleção. A venda dos objetos sacralizados só é considerada se for para adquirir um item considerado mais valioso.

e) As coleções são uma extensão do colecionador: a dedicação de tempo e o esforço empreendido para montar uma coleção significa que o colecionador coloca uma parte de si nela. A coleção dá visibilidade aos gostos e preferências de seu dono. A noção de que as coleções representam tal extensão considera os motivos pelos quais a pessoa inicia a coleção, como lembranças da infância, conhecimento, prestígio, autoridade e controle.

f) As coleções tendem à especialização: com o acréscimo do conhecimento do colecionador sobre determinado tema ocorre uma delimitação do tipo de item que será colecionado, o que também possibilita a chance da sua coleção ser única.

g) Como a manutenção de uma coleção intacta é uma forma de obter a imortalidade, a decisão sobre o que fazer com ela após a morte do colecionador por vezes resulta em problemas familiares quando a sua família não possui interesse em dar
continuidade à coleção.

h) Há simultaneamente um medo e um desejo em completar uma coleção, pois a aquisição contínua reforça o senso de perícia e proeza. Para evitar o medo o

colecionador adota duas estratégias: a) ter novas coleções (de novos itens ou de variações do objeto já colecionado); b) ter coleções que são adquiridas de maneira sequencial, não podendo ser adquiridas simultaneamente.

(VIEIRA e CAVEDONK, 2013, p. 15-16)

VIEIRA, L. J. M.; CAVEDON, N. R. Uma pesquisa que não está no gibi: um estudo com colecionadores de revistas em quadrinhos. GESTÃO.Org – Revista Eletrônica de Gestão Organizacional, v. 11, n. 1, p. 1-33, 2013. Disponível em: http://www.spell.org.br/documentos/ver/11608/uma-pesquisa-que-nao-esta-no-gibi–um-estudo-com-colecionadores-de-revistas-em-quadrinhos

Capa Panorama dos Quadrinhos Contemporâneos na Alemanha

Design da capa do livro: Panorama dos Quadrinhos Contemporâneos na Alemanha
Organizador Georg Wink
Ilustração capa: Carlos Fonseca
Emcomum Estúdio Livre
2009

Apaixonados por Quadrinhos 2009

Apaixonados por Quadrinhos 2004

A odisséia dos quadrinhos infantis brasileiros: parte 1: de O Tico-Tico aos quadrinhos Disney, a predominância dos personagens importados (1999)

Autor: Waldomiro Vergueiro

Resumo:

Discute a evolução dos quadrinhos infantis brasileiros, desde o aparecimento da revista O Tico-Tico à introdução do modelo norte-americano de quadrinhos no país, com o Suplemento Juvenil e as demais publicações que lhe seguiram. Enfoca os personagens e histórias nacionais surgidas no interior dessas publicações. Analisa a predominância dos quadrinhos importados no mercado brasileiro durante várias décadas, com a preferência das crianças recaindo sobre os quadrinhos Disney. Comenta as dificuldades que os quadrinhos importados representaram para os autores brasileiros.

VERGUEIRO, Waldomiro. A odisséia dos quadrinhos infantis brasileiros: parte 1: de O Tico-Tico aos quadrinhos Disney, a predominância dos personagens importados. Agaquê : revista eletrônica especializada em Histórias em Quadrinhos e temas correlatos, v. 2, n. 1, 1999 . Disponível em: https://www.eca.usp.br/acervo/producao-academica/001070933.pdf.

Reencontro

1ª BHQ

I Convenção de Quadrinhos de Belo Horizonte – BHQ
Maio de 1995
Belo Horizonte/MG

Primeiro evento que participei, como público.

Programação:

1990 – Associacion Latino-Americana de Historietistas

Como resultado do Primer Encuentro Iberamericano de Historietas, acontecido entre os dias 20 e 22 de fevereiro de 1990, na cidade de Havana/Cuba, surge a entidade Associacion Latino-Americana de Historietas (ALAH) para promover a união de todos os artistas envolvidos como os quadrinhos e comprometida com o desenvolvimento das hqs na América Latina.

Como Secretário Executivo para o Brasil, foi escolhido o prof. Waldomiro Vergueiro, do Núcleo de Pesquisas de HQs da ECA (São Paulo).

1989 – II Encontro Nacional de HQs de Araxá

Aconteceu na cidade de Araxá/MG, situada no Triângulo Mineiro, entre os dias 20 e 22 de outubro de 1989, o II Encontro Nacional de Histórias em Quadrinhos, realizado pelo Departamento Cultural da Prefeitura de Araxá. Fazineiros, editores de revistas, desenhistas e fãs de todo o Brasil estiveram reunidos para participar, debater e mostrar trabalhos em exposições.

A programação contou com a presença de Ziraldo em uma noite de autógrafo do dia 20 de seu lançamento O menino quadradinho, e da Palestra de Franco de Rosa, Gustavo Machado Ferreira e Antônio Roque Gobbo. O encontro aconteceu juntamente como a semana Caminhos da Liberdade, com apresentação teatral e de dança, folclore e palestras culturais.

TROFÉU DONA BEJA

A comissão organizadora do Encontro entregou o Troféu Dona Beja para as pessoas que realizavam trabalhos relevantes em prol das histórias em quadrinhos. Os contemplados foram:

  • Antônio Luiz Ramos Cedraz, de Salvador;
  • Antônio Roque Gobbo, de Belo Horizonte;
  • Franco de Rosa, de São Paulo;
  • Gustavo Machado, de São Paulo;
  • Henrique Farias, de São Paulo;
  • Oscar Kern, de Porto Alegre;
  • Ofeliano de Almeida, do Rio de Janeiro.

Referência:

Repórter HQ: informativo de quadrinhos, ano 2, v. 23, Belo Horizonte, nov. 1989. p. 19

1972 – Exposição História em Quadrinhos & Comunicação de Massa – Museu de Arte da Pampulha

No dia 22 de agosto de 1972, o Museu de Arte da Pampulha abriu a exposição História em Quadrinhos & Comunicação de Massas.

A exposição originalmente intitulada Bande Dessineé et Figuration Narrative aconteceu no Museu de Artes Decoratifs, no Louvre em Paris em 1967. Estava ligada a Societé d’Esudes et de Recherches des Litteratures Dessignées e Geraldo G. Talabot. A mostra era baseada no livro de mesmo nome da exposição.

Em 1970, o professor Pietro Maria Bardi (Diretor do Museu de Arte de São Paulo- MASP) e Enrique Lipsick (Escola Panamericana de Arte) trouxeram a exposição para o MASP. Foi dado a ela o nome para História em Quadrinhos & Comunicação de Massas. A parte internacional estava organizada e, na época, Ziraldo foi convidado para fazer a capa do catálogo, a marca símbolo da exposição e ajudar na participação dos artistas mineiros da exposição nacionais. A remessa de originais acabou atrasando e Ziraldo só recebeu os trabalhos mineiros dois dias depois da abertura da exposição.

Em 1972, a exposição veio para o Museu de Arte da Pampulha (MAP). A gestora do museu, Conceição Piló, convidou Ziraldo para fazer a curadoria da Sala Mineira, recolhendo trabalhos de artistas a partir da década de 30.

“A História em Quadrinhos já foi analisada sob os mais variados aspectos, principalmente a partir da década 60. Na mesma época foi elevada à categoria de arte com os ‘comics’ dos integrantes do movimento ‘Pop”, nos Estados Unidos, e com a participação de vários artistas plásticos brasileiros, através de salões de âmbito nacional e pelo fato de despertar o potencial criativo das crianças em geral já está mais do que comprovado. Dáí, reveste-se de grande importância esta promoção do Museu de Arte Moderna da Prefeitura realizando em combinação com o Museu de Arte Moderna de São Paulo (Prof. Pietro Maria Bardi e Henrique Lipzig) e os cartunistas mineiros” (Histórias […], Diário da Tarde, 21 ago. 1972).

“A exposição foi dividida em duas partes: No andar superior um levantamento geral da história em quadrinhos. No térreo, grupo liderado por Ziraldo vai reunir histórias em quadrinhos ou ‘comics’ dos mineiros” (Histórias […], Diário da Tarde, 21 ago. 1972).

Entre os artistas estavam artistas e colaboradores de jornais, revistas e livros de Minas Gerais.

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