Categoria: Linha do Tempo

1833 – Historie de Monsieur Jabot

A primeira história em quadrinhos do mundo.

Rodolphe Töpffer (1799-1846) Genebra, Suíça

Filho de um pintor de estilo especializado, Töpffer aprendeu desenho e pode especializar sua técnica estudando em Paris. Além da pintura, escrevia romances e praticava a caricatura. Trabalhou com professor de Literatura da educação infantil da Universidade de Genebra.

A primeira história em quadrinhos criada por Töpffer, a Historie de M. Vieux Bois, chegou a ser finalizada em 1827 mas guardada e impressa somente em 1837. Por isso, a publicação de Historie de Monsieur Jabot, publicada em 1833, é considerada a pioneira das histórias em quadrinhos.

A caricatura influencia o trabalho do suíço Rodolphe Töpffer. Na época, o estilo era considerado uma arte menor e polêmica, que poderia colocar em risco a reputação de um artista de estilo clássico. Apesar disso, Töpffer litografou em 1833 o livro Histoire de Monsieur Jabot e imprimiu alguns exemplares para distribuição. Monsieur Jabot é um personagem que tenta sua ascensão social ao frequentar lugares onde a aristocracia francesa está presente.

Republicado no Brasil em 2017, pela editora Sesi-SP, o organizador da obra André Caramuru Aubert reafirmou a importância da obra e seu caráter inovador ao se perceber a “essência do que sãos as HQs de hoje: a estrutura de storyboard – em que uma sequência de quadrinhos instaura movimento – e uma integração completa entre texto e imagem” (Pompermaier, 2017).

Histoire de Monsieur Jabot é uma história de 52 páginas. Como exemplo dessa estrutura narrativa de Töpffer, vemos uma página do livro, onde verificamos a disposição de três quadros, separados por sarjetas (espaços em branco entre os quadros). Os diálogos que completam os desenhos encontram-se no rodapé de cada quadro. A cena mostra Monsieur Jabot convidando a senhorita Du Bocage para dançar, na tentativa de cortejar a bela moça.

Reconhecendo que quadrinhos não pode ser tratado como um “objeto sem historicidade”, dentro de um contexto não linear e restrito a um único local, Costa (2016, p. 50) diz que o trabalho de Töpffer “pode ser visto como quem reúne as características necessárias para ser considerado um dos fundadores principais desse saber que hoje chamo dequadrinístico”.

[…] se for necessário lançar uma data para o nascimento do modo de expressão ao qual, mais tarde, será dado o nome de história em quadrinhos, parece-me que é a de 1833 que deve ser mantida, ou seja, o ano em que o álbum Histoire de Mr. Jabot foi colocado em circulação (Groensteen, 2000, p. 15 apud Costa, 2016, p. 51).

Seguindo a mesma linha de trabalho, Töpffer publica em 1837 as obras Monsieur Crépin e Les Amous de Monsieur Vieux Bois; em 1840, Monsieur Pencil e Le Docteur Festus;em 1844, L’Histoire d’Albert; e a tira seriada Histoire de Monsieur Cryptogame, em 1845 no semanário L’Illustration. Costa (2016, p. 52) registra que os desenhos de Töpffer tinham como características ser um trabalho impresso e reprodutível, havendo uma relação comercial entre autor, livreiro e público, sendo perceptível o novo estilo pelos críticos de arte da época. Além disso, o pesquisador destaca que o próprio autor tinha consciência discursiva de sua obra, impressa no prefácio de Historie de Monsieur Jabot:

Este pequeno livro é de carácter misto. Ele se compõe de uma série de desenhos autografados. Cada um desses desenhos é acompanhado por uma ou duas linhas de texto. Os desenhos, sem texto, teriam apenas um significado obscuro; o texto sem os desenhos não significaria nada. Todos juntos formam um tipo de romance particularmente original, uma vez que parece mais como um romance do que outra coisa (Töpffer, 1837c, p. 334 apud Costa, 2016, p. 55).

Conclui Costa (2016, p. 56-57) que o trabalho inovador de Töpffer demonstra um novo estilo de contar histórias através de quadros justapostos, dotados de tempo-espaciais em cada quadro, formando uma história coesa e com progressão, e que, como em qualquer outro tipo de linguagem artística, foi se aperfeiçoando com o tempo através de seus artistas descendentes. Seus trabalhos inspiraram outros artistas, surgindo inclusive cópias e plágios, criando um mercado em torno desse novo gênero de narrar histórias.

As aventuras do Sr. Vieuxbois, do sr. Cryptogame, e do sr. Jabot foram reunidas em 1846-47 sob o título de Histories en Estampes (Histórias em gravuras), e tiveram grande sucesso devido a sua originalidade.

Revista Monsieur Jabot republicada no Brasil pela editora SESI-SP, organizado por André Caramuru Aubert.

Version 1.0.0

Fonte: https://hdl.handle.net/1843/3613

1831 – Gargantua, de Honoré Daumier

Honoré Daumier (1808-1879) caricaturista e pintor francês. Um dos mestres da litografia, colaborou com a revista La Caricature.

Uma das suas caricaturas mais famosas foi a Gargantua, que criticava o Rei Luís Filipe I. Publicada em 16 de dezembro de 1831, o desenho mostrava o rei sentado em seu trono devorando sacos de moedas retirados do povo desamparado, com pouco dinheiro e com fome. Movendo logo abaixo do trono, os seus ministros, retratados todos gordos, coletando comissões e condecorações pelo resultado da coleta destes impostos.

Por causa da caricatura, o artista e o editor da revista sofreram censura e foram levados para a Corte. Julgados em fevereiro de 1832, a arte foi considerada obscena, rude e vulgar. Foram condenados a pagar uma multa e cumpriram pena de 6 meses de prisão. Após a libertação, a La Caricature deixou de circular.

Em 1835, o rei implementou um golpe de estado que instituiu a censura na França. O Jornal do Commercio, de 2 de outubro, fez uma tradução de uma notícia publicada no Morning Herald que denunciava a fim da liberdade de imprensa:

“O Governo de Luiz Philippe desfechou o seu golpe de estado, e veio por fim communicar formalmente ás Camaras os meios de que tenciona servir-se abafar a pequena somma de liberdade que ainda restava á França. […] De todos os objectos revolucionarios de 1830, todos concordavão que a manutenção da liberdade de imprensa era o primeiro e o mais importante. A nova carta não era mais que o contracto entre o rei cidadão e o povo, que resultava daquella revolução. O artigo setimo daquella carta declara que a censura nunca mais seria estabelecida, e o artigo 69 determinava que todos os delictos da imprensa serão d’ora avante jugados pelo jury.

O projecto de lei viola ambos estes princípios, […] e Fica abolida a liberdade de Imprensa. […]

Art. 1. Todos os que forem declarados criminosos de offensa contra a pessoa do Rei serão punidos com prisão e huma mulcta de 10,000 a 50,000 francos.

Art. 2. O que ridiculisar a pessoa o autoridade do Rei, terá de 6 mezes a 5 annos de prisão, mulcta de 500 a 10,000 francos, e perderá todos os direitos civis.

Art. 14. Nenhuma caricatura politica poderá ser publicada em Paris sem previa concessão do Ministro do Interior, e nas Provincias sem a do Prefeito: mulcta de 100 a 1,000 francos e prisão.”

POST-Scriptum. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, ano 9, n. 216, 2 out. 1835, p. 4. Disponível em: https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=364568_02&pesq=caricatura&pasta=ano%20183&hf=memoria.bn.br&pagfis=6984

1822 – O Maribondo

Charge de um artista anônimo foi publicado no jornal O Maribondo, de Pernambuco em 25 de julho de 1822. O desenho aparece como uma logo, ilustrando todas as edições do jornal.

O desenho retrata a crise política instalada no Brasil Colônia. Um homem corcunda (português) foge ao ser atacado por marimbondos (os brasileiros). Todo o ambiente social conturbado da época culminaria com a proclamação da independência no dia 7 de setembro de 1822.

Essa charge foi encontrada pelo pesquisador Luciano Magno (Lucio Muruci), que lançou a obra História da Caricatura Brasileira.

Nessa edição, de 7 de setembro de 1922, o texto diz que os brasileiros são revoltos e dignos de castigo por quererem ser livres. Acaba-se de descobrir em Lisboa uma conspiração contra a Liberdade!

O Maribondo, Pernambuco, n. 1, 25 de julho de 1822. p. 1. Disponível em:
https://digital.bbm.usp.br/view/?45000033247&bbm/7065#page/2/mode/2up

1798 – Litografia

“A litografia representou […] para o mundo todo, mais um passo importante em direção à modernidade e ao aperfeiçoamento da comunicação visual. Inventada por Alois Senefelder no final do século XVIII, difundiu-se imediatamente pela Europa por volta de 1800. Em 1818 já estava no Brasil, antes mesmo de chegar a alguns países europeus.

Uma pedra, lápis graxo, água e tinta eram o bastante. Desenhar na pedra com um simples lápis, o crayon grass, espalhar a água-forte, que penetrava e corroía apenas a superfície não-graxa, passar a tinta, colocar a folha de papel sobre a pedra, passar o rolo sobre o papel, e a imagem surgia como que por encanto! Pouco dispêndio, fácil execução e multiplicação rápida permitiam passar desenhos e ilustrações para os jornais e publicá-los até diariamente. Todos os outros processos de gravar na madeira ou no metal, morosos e difíceis, forma superados pelas vantagens de reprodução litográfica. E surgiu uma nova categoria de desenhista, a do ‘repórter do lápis’, trazendo para o leitor fatos, pessoas e coisas distantes no tempo e no espaço. […]

A litografia democratizou a imagem, tornando-a popular. […] Todos passaram a ler imagens. Todas as semanas.” (Gama, p. 13)

GAMA, Luís. Diabo Coxo: São Paulo, 1864-1865. Ed. fac-similar. São Paulo, Editora USP, 2005. Disponível em: https://www.livrosabertos.edusp.usp.br/edusp/catalog/view/44/40/180-1

1789 – Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é resultado direto da Revolução Francesa. Sinaliza o fim do regime absolutista na França, que dava o poder ilimitado ao rei sobre o Estado, passando para um regime onde representantes da população eram escolhidos para atender os interesses dos cidadãos.

A crise econômica e social fez com que atos revolucionário surgissem na França em 1789, levando a derrubada do Rei Luís XVI. Após a Revolução, formou-se uma Assembleia Nacional, que em 1789 aprovou a Declaração, que possuía um preâmbulo e 17 artigos. O documento define com universais os direitos dos homens, válidos a qualquer tempo e em qualquer lugar, de caráter imprescritíveis, trazendo para o debate os temas: liberdade, igualdade e fraternidade.

O francês Jean-Jacques-François Le Barbier (1738-1826), que era o pintor oficial do Rei da França desde 1780, ficou com a responsabilidade de ilustrar a Declaração.

A pintura mostra a figura da Monarquia segurando uma corrente quebrada, sinalizando o fim da tirania. No centro há o Olho da Providência – o olho que tudo vê – que é um globo ocular dentro de um triângulo iluminado da Santíssima Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ele é um símbolo cristão, presente em várias pinturas da Renascença, visto como sinal de aprovação dos atos da humanidade por Deus. Do lado direito há a figura feminina da Nação, em um corpo de anjo com asas. Ela segura em uma de suas mãos o Cetro do Poder apontado para o Olho da Providência. A outra mão da Nação aponta para o conteúdo, completando o simbolismo de aprovação divina da Declaração.

Essa pintura encontra-se no Museu de La Ville de Paris. Tem 78 x 64 cm. A imagem pode ser baixada em alta resolução: https://www.parismuseescollections.paris.fr/fr/musee-carnavalet/oeuvres/declaration-des-droits-de-l-homme-et-du-citoyen-4#infos-principales

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1873 – Leonardo und Blandine: ein Melodram nach Bürger

1ª edição: 1873, Romênia

O Romeno Joseph Franz Von Goz (1754/?) é o autor do livro Leonardo und Blandine: ein Melodram nach Bürger editado em 1783, publicação com 160 páginas em que os textos apareciam no rodapé das ilustrações.

http://konkykru.com/e.goez.1783.lenardo.und.blandine.1.html

James Gillary (1756-1815)

James Gillray , caricaturista britânico nascido em Londres.

Aprende a técnica de gravador e em 1778 ingressa na Royal Academy. Inicia sua série de trabalhos de sátiras pólitcas com a caricatura “Paddy on Horseback” de 1779.

Crédito imagem: National Portrait Gallery

Suas caricaturas já apresentavam o recurso de balões de fala:

“Gloria Mundi,, or The Devil addressing the Sun” de 1782

“Anti-Saccharites, or John Bull and his Family leaving off the use of Sugar” de 1782

“A Block for the Wigs or The New State Whirligig” de 1783

“John Bull taking a Luncheon” de 1798.

“The Friend of the People’ und his Petty New Tax Gatherer” de 1806

No trabalho de James Gillray encontra-se experimentações para contar histórias através da sequência de quadros.

“Vices Overlook’d in the New Proclamation” de 1792

Gravura com o tema Democracia, ou um esboço da vida de Napoleão Bonaparte.

“Democracy, or a Sketch of the Life of Buonaparte” de 1800

Créditos fotos: Meisterdrucke: https://www.meisterdrucke.pt/artista/James-Gillray.html

1732 – Modern Moral Subjects

1ª edição: 1732, Inglaterra

O artista britânico William Hogarth (1697-1764) que a partir de 1732 lançou a série “Modern Moral Subjects” (Assuntos Morais Modernos). Através de uma narrativa usando uma sequência de gravuras, Hogarth satirizava os vícios e os costumes de sua época.

Abaixo “Beer Street/Gin Lane” sobre o vício da bebida alcoólica Gin nas ruas de Londres.

Annibale Carracci (1560-1690)

O italiano Annibale Carracci nasceu em 3 de novembro de 1560 em Bolonha. Em parceria com seu irmão e um primo, abriu em 1582 o estúdio de pintura Accademia dei Desiderosi, posteriormente chamada de Accademia degli Incamminati. O estúdio produziu vários afrescos famosos, como os do Palazzo Farnese em Roma, onde Annibale produziu os esboços e coordenou a equipe de pintura do grande salão.

Entre suas obras, Carracci produziu diversos estudos de tipos populares que viviam na Bolonha.

Carracci conceituou:

“A tarefa do caricaturista não é a mesma do artista clássico? Os dois vêem a verdade final por baixo da superfície da mera aparência exterior. Os dois tentam ajudar a natureza a realizar seu plano. Um pode lutar para visualizar a forma perfeita e executá-la em sua obra, o outro luta para alcançar a deformidade perfeita, e assim revelar a essência de uma personalidade. Uma boa caricatura, como toda obra de arte, é mais verdadeira à vida que a própria realidade. (ROSA, 2014, p.13-14)

Mais tarde, Carracci passou a adotar nas aulas de sua Academia exercícios de desenhos rápidos para seus alunos, usando os traços exagerados como forma de relaxamento e para que seus aprendizes pudessem capturar a essência do retratado.

Caricaturas de1595

Após a sua morte, foi editada uma coleção de gravuras onde se encontra escrita a palavra caricatura, que deriva do verbo italiano caricare, que significa carregar, sobrecarregar, carregar exageradamente.

Referência

ROSA, Pollyana Ferreira. A comédia satânica de Honoré Daumier: a caricatura política na aurora da comunicação de massas. São Paulo: Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes, 2014.
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27160/tde-22092015-111638/publico/PollyanaFerreiraRosa.pdf

Wikiart.org: Disponível em: https://www.wikiart.org/pt/annibale-carracci

1530 – Códice Boturini ou Tira de la Peregrinación

Estima-se que foi produzido entre 1530 e 1541. O autor desconhecido. México.

O Códice Boturini é uma tira de papel amate (feita a partir de fibras de plantas) produzida em 22 lâminas de 19.8 x 25.5 cm e 5,49 metros de comprimento.

Seus desenhos narram a história da migração dos astecas – por isso é também conhecida como Tira de la Peregrinación- desde sua saída de Aztlan até a chegada ao Vale do México, na cidade de Tenochtitlan. Estudiosos estimam que esse movimento migratório começou por volta do ano de 1116.

Aztlan era uma terra ancestral asteca de localização imprecisa. Era rodeada de água e próximo a uma ilha onde havia um templo dedicado à água e ao fogo. Quando uma mulher chamada Chimalma atravessa o rio em sua canoa em direção a ilha para levar oferendas, encontra o deus Huitzilopochtli. O deus lhe envia uma mensagem para que os astecas deixem sua antiga terra e partam em uma jornada para formar uma nova cidade. Durante a jornada, passam por 7 diferentes povoados, que se juntam no movimento migratório. Se dividiram em quatro grupos, onde cada um carregava um dos deuses que veneravam.

Caminharam até chegar a um lugar onde havia uma árvore enorme. Começaram a se organizar porém a árvore se partiu ao meio e perceberam que não era ali que deveriam ficar. Um pouco tristes, retomaram a caminhada. Se depararam com grandes dificuldades que lhe obrigaram a fazer sacrifícios. Nesse momento, o deus Huitzilopochtli envia outra mensagem dizendo que eles não mais se chamariam astecas, agora seriam mexicas.

Chegaram a um lugar onde havia dois montes onde permaneceram por 26 anos. Depois o Códice registra vários descolamentos e fixação temporárias, sempre registrando o tempo de permanência, o número de pessoas relacionado a cada grupo de origem e as cerimônias realizadas em cada morada fixada.

Na caminhada, após uma batalha em que foram derrotado, os mexicas são capturados e levados como prisioneiros. Passaram um bom tempo preso até que esse povoado entrasse novamente em batalha. O rei fez uma proposta para que os prisioneiros guerreassem a seu lado para derrotar o seu inimigo.

Os mexicas deveriam trazer uma orelha de cada inimigo morto, depositadas em um saco, como prova de seus feitos. Eles aceitaram a proposta. Pensaram que poderiam ser acusados de cortar as duas orelhas para aumentar o número de morte, por isso decidiram cortar os narizes dos inimigos mortos. Com armas improvisadas, saíram para a batalha.

Abaixo um vídeo que narra a história detalhada contida no Códice Boturini:

Veja imagens do Códice Boturini em Instituto Nacional de Antropologia e História do México: https://mediateca.inah.gob.mx/repositorio/islandora/object/codice%3A605