A onomatopeia é um recurso de narrativa das histórias em quadrinhos para simular sons em forma de fonemas. Elas amplificam os acontecimentos de uma cena.
“Etimologia: Vem do grego Onomatopiia (ação de imitar uma palavra por imitação do som – ou criação de palavras), pelo latim Onomatopeia, por via semi-erudita. […]”
“As onomatopeias são palavras imitativas, isto é, palavras que pretendem imitar, através dos fonemas de que se compõem, certos ruídos como o grito ou o canto dos animais, o som dos instrumentos musicais, o barulho das máquinas, o ruído que acompanha os fenômentos da natureza etc. A onomatopéia é sempre uma aproximação e nunca uma reprodução exata, como nem de outra forma poderia ser. Os fonemas da voz humana diferem no seu timbre, e noutras qualidades dos ruídos da natureza que procuram imitar” (Krystoffer Nyrop).
(Aizen, 1977, p. 270) In: Moya (org.), Shazam!, 1977.
Vamos acompanhar um exemplo de uma xícara caindo no chão.

Na primeira tirinha, não foi usado o recurso da onomatopeia. Não há prejuízo de entendimento porque o desenho deixa claro que a xícara caiu no chão e se quebrou.

Nessa segunda tira, o recurso da onomatopeia faz com que a cena da xícara se espatifando no chão tenha uma maior impacto. Isso acontece porque ao acrescentarmos “CRASH” induzimos o leitor, ao ler a palavra, a recriar o som em sua cabeça.
Que tal experimentarmos uma outra opção?

Para a construção da onomatopeia , pode-se trilhar por dois caminhos: a interpretação foneticamente de um som ou o uso de um verbo que descreva a ação.
- INTERPRETAÇÃO FONÉTICA
Na interpretação fonética, traduz-se em palavra o som.

Muitas das onomatopeias que usamos acabaram se tornando convenções. Em uma batida na porta, normalmente usamos TOC-TOC, porém nada impede de optarmos por outras interpretações, como TUM-TUM ou PÁ-PÁ.
Releia os quadros acima, só que desta vez leia em voz alta os sons. Veja qual som combina mais. Depois bata em uma porta. Tente criar algum um fonema diferente dos três exemplos apresentados.

Pode-se trabalhar o volume do som . Quanto maior o barulho, maior será o espaço ocupado pela onomatopeia dentro do quadro.
- VERBOS DE AÇÃO
Outra opção de onomatopeia é usar o verbo da ação, literalmente.

Na tira acima, as onomatopeias reforçam o ato de lavar, varrer e dormir roncando. Pode parecer uma repetição mas o propósito é reforçar a ação. Cabe ao quadrinista avaliar o seu uso de acordo com a intenção de sua narrativa.
Outro recurso interessante é o de dar uma forma especial. Em LAVA-LAVA-LAVA as palavras aparecem pingando para dar uma sensação de molhado no ato de lavar a panela. Em VARRE-VARRE, além de acompanhar o movimento da poeira, tem hachuras em sua tipologia para indicar sujeira. O RONCO, que aqui substituiu o tradicional ZZZZZZZZZ, tem forma ondulada para indicar que o barulho é tão alto que até a letra se treme.

A onomatopeia de verbos pode acrescentar uma informação ao leitor do que está acontecendo na cena. No exemplo, como o personagem está com o papel de costa para o leitor, não dá para identificar o que ele está fazendo com o lápis. A onomatopeia informa se ele está escrevendo, desenhando ou colorindo.
Muitas das onomatopeias usadas são verbos de língua inglesa que incorporamos ao nosso repertório. Veja alguns exemplos:

BANG: sua tradução é estrondo, usado para tiro.
CLICK: clicar, usado para ligar ou desligar algo.
SPLASH: respingo, esguichar algum líquido.
SNIFF: fungar, cheirar.
CRASH: que significa quebrar em inglês. Usado na primeira tira da xícara lá em cima.
Apesar das referências, não existe um manual de palavras com os sons que você é obrigado a usar. Repare como outros artistas usam o recurso e invente suas próprias onomatopeias.
Solte sua criatividade e incremente suas histórias.
