Categoria: Linha do Tempo

Inaguração Gibiteca de Curitiba

Anúncio da inauguração da Gibiteca de Curitiva

Dia 16 de outubro de 1982
Galeria Schaffer, loja 3
Curitiba / Paraná

onte: Keynews. Disponível em: https://keyimaguirejunior.wordpress.com/2016/10/19/o-exemplo-da-gibiteca-de-curitiba/

Espaço cativo para os heróis de todas as idades

Diário da Tarde – PR
29 de setembro de 1982
Coluna Informa – Dino Almeida

Crianças de todas as idades ganham no próximo dia 16 um belíssimo espaço não só de recordações, mas principalmente de muita magia. É que será inaugurada, ali na Galeria Schaffer, 10h, uma especialísma “Gibiteca”.

Fonte: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=800074&pesq=gibiteca&pasta=ano%20198&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=151549

Cultura em quadrinhos

Jornal do Brasil – Rio de Janeiro
20 dezembro de 1981
Zózimo

Cultura em quadrinhos

O Rio , mais precisamente o Largo do Machado, ganhou esta semana sua primeira gibiteca – uma biblioteca especializada no empréstimo de revistas em quadrinhos.

Funciona na Livraria Pé de Página e reúne em seu acervo desde edições raras até a mais recente publicação do gênero.

Quem pensa que os bibliófilos cariocas resumiam seu interesse aos clássicos, engana-se: podem ser vistos lá, diariamente, dezenas de conhecidos literatos à cata de gibis antigos, sem nenhuma enibição, mostrando que Proust não é incompatível com Pato Donald e que Machado de Assis pode perfeitamente ser lido ao mesmo tempo que o Tico-Tico.

Fonte: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_10&pesq=gibiteca&pasta=ano%20198&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=63332

Prefeito cria Assessoria Jovem

Jornal do Brasil
Quarta, 20/6/79
1º Caderno
p. 8

Fonte: Biblioteca Nacional

Curitiba – Considerando que a programação para adolescentes é falha – “O teatro, por exemplo, só exibe peça infantil ou proibido para menoresaté 18 anos” – O Prefeito Jaime Lerner criou a Assessoria Jovem, que se reúne, informalmente com ele de 15 em 15 dias, propondo obras e programas voltados para essa faixa etária.

A Assessoria, formada por jovens entre 13 e 17 abism embora não institucionalizadas, dá oportunidade de “a gente sentir o que os jovens gostariam que acontecesse na cidade”, segundo o Prefeito. Ele acredita que “é preciso ouvir os interessados” e já recebeu, entre outras, a sugestão de criar uma Gibiteca – biblioteca constituída de revistas em quadrinhos.

Com a palavra, os jovens

Correio de Notícias – Paraná
Sexta, 27/4/1979
p. 1

GIBITECA

A biblioteca de gibis foi uma das sugestões consideradas mais viáveis pelo prefeito. Junto das gibitecas, funcionariam saldas de pesquisa e arquivos de jornais e revistas. As justificativas da proposição são possibilitar o acesso de crianças pobres às revistas infantis e de estimular o estudo em grupos. Apesar de ter sideo apresentada pela Assessoria, Jaime Lerner já tinha planos em relação ao tema.

Fonte: Biblioteca Nacional

A Academia Brasileira de Letras e as Histórias-em-Quadrinhos

Notícias em quadrinhos: Sete acadêmicos da mais alta instituição cultural do país falam sobre o momentoso assunto

Revista Durango Kid
N. 7 (3ª série)
Editora Ebal
Fev. 1975
p. 2

Trecho:

A Academia Brasileira de Letras, em sua sessão de 26 de setembro de 1974, homenageou o sr. Adolfo Aizen, Diretor desta Editora, pelos 40 anos de publicações das histórias-em-quadrinhos no Brasil.

Depoimento do Dr. Francisco de Assis Barbosa, autor da biografia de Lima Barreto:

O SR. PRESIDENTE. Tem a palavra Francisco de Assis Barbosa, para saudar o visitante de hoje, Sr. Adolfo Aizen.

O SR. FRANCISCO DE ASSIS BARBOSA. Sr. Presidente, compareceu a esta sessão, a meu convite, mas com a plena aquiescência dos ilustres Acadêmicos que compõem a diretoria desta Casa, o Diretor-Presidente da Editora Brasil-América, sr. Adolfo Aizen. A história de Adolfo Aizen começa na revista O Malho, onde o conhecemos […]. Adolfo Aizen formou-se como jornalista naquela revista, onde apareceu, pela primeira vez, no Brasil, em sua feição modera, a história-em-quadrinhos. […] Depois da revolução de 1930, quando se tornou mais intensiva a massificação da imprensa, Adolfo Aizen propôs a um dos homens mais influentes da nova situação, João Alberto Lins de Barros, que , em face da invasão da história-em-quadrinhos norte-americana, fosse criada entre nós a própria história-em-quadrinhos brasileira. Era um desafio. E esse desafio foi aceito. Trata-se de um momento muito importante da história da imprensa e para ele estou chamando a atenção da Academia. Aizen realizou ao longo de quarenta anos, com o seu esforço e sua pertinácia, uma obra extraordinária, não só de nacionalização da história-em-quadrinhos, como de divulgação da literatura brasileira. Só de patronos e sócios efetivos desta Casa, a Editora Brasil-América editou centenas de títulos. É um trabalho realmente digno de todo o nosso apreço, direi mesmo, de toda a nossa gratidão. V. Exa. , Sr. Presidente, antecipando-se a esta homenagem que hoje prestamos, houve por bem conferir a Adolfo Aizen a Medalha Machado de Assis, uma de nossas mais altas insígnias. Nesse ilustre jornalista e editor, que nos honra com a sua visita, saudamos um autêntico, batalhador da nova imprensa de massa, que muito fez, faz e fará, não só pela recreação infantil, mas também pela cultura popular em nossa pátria.

Enfoque: Notícia positiva

1972 – Exposição História em Quadrinhos & Comunicação de Massa – Museu de Arte da Pampulha

No dia 22 de agosto de 1972, o Museu de Arte da Pampulha abriu a exposição História em Quadrinhos & Comunicação de Massas.

A exposição originalmente intitulada Bande Dessineé et Figuration Narrative aconteceu no Museu de Artes Decoratifs, no Louvre em Paris em 1967. Estava ligada a Societé d’Esudes et de Recherches des Litteratures Dessignées e Geraldo G. Talabot. A mostra era baseada no livro de mesmo nome da exposição.

Em 1970, o professor Pietro Maria Bardi (Diretor do Museu de Arte de São Paulo- MASP) e Enrique Lipsick (Escola Panamericana de Arte) trouxeram a exposição para o MASP. Foi dado a ela o nome para História em Quadrinhos & Comunicação de Massas. A parte internacional estava organizada e, na época, Ziraldo foi convidado para fazer a capa do catálogo, a marca símbolo da exposição e ajudar na participação dos artistas mineiros da exposição nacionais. A remessa de originais acabou atrasando e Ziraldo só recebeu os trabalhos mineiros dois dias depois da abertura da exposição.

Em 1972, a exposição veio para o Museu de Arte da Pampulha (MAP). A gestora do museu, Conceição Piló, convidou Ziraldo para fazer a curadoria da Sala Mineira, recolhendo trabalhos de artistas a partir da década de 30.

“A História em Quadrinhos já foi analisada sob os mais variados aspectos, principalmente a partir da década 60. Na mesma época foi elevada à categoria de arte com os ‘comics’ dos integrantes do movimento ‘Pop”, nos Estados Unidos, e com a participação de vários artistas plásticos brasileiros, através de salões de âmbito nacional e pelo fato de despertar o potencial criativo das crianças em geral já está mais do que comprovado. Dáí, reveste-se de grande importância esta promoção do Museu de Arte Moderna da Prefeitura realizando em combinação com o Museu de Arte Moderna de São Paulo (Prof. Pietro Maria Bardi e Henrique Lipzig) e os cartunistas mineiros” (Histórias […], Diário da Tarde, 21 ago. 1972).

“A exposição foi dividida em duas partes: No andar superior um levantamento geral da história em quadrinhos. No térreo, grupo liderado por Ziraldo vai reunir histórias em quadrinhos ou ‘comics’ dos mineiros” (Histórias […], Diário da Tarde, 21 ago. 1972).

Entre os artistas estavam artistas e colaboradores de jornais, revistas e livros de Minas Gerais.

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1969 – O Pasquim

Lançado em 1969 no Rio de Janeiro, O Pasquim foi um tabloide de humor que surgiu em pleno período de Ditadura Militar com uma linha editorial de contestação politica. Se tornou um dos principais e mais emblemáticos jornais devido a sua linguagem jornalística inovadora e cartuns críticos.

Começou com uma tiragem de 14 mil exemplares, que se esgotou em dois dias, sendo necessários reimprimir mais 14 mil. Seu auge foi cerca de 200 mil no anos 1970. O projeto nasceu da união de Jaguar, Tarso de Castro , Sérgio Cabral, Carlos Prósperi e Claudius que foi atraindo outros nomes, como Ziraldo, Millôr, Miguel Paiva, Fortuna, Henfil, Paulo Francis, Ivan Lesa, Ruy Castro, entre outros.

O ratinho Sig foi nomeado para símbolo do Pasquim. Na primeira edição do jornal Millôr Fernandes escreveu:

“ Em suma, Sérgio Magalhães Jaguaribe, vulgo Jaguar, vai de Banda de Ipanema, que é mais melhor. Fazendo O Pasquim vocês vão ter que enfrentar: A) O establishment em geral, que, nunca tendo olhado com bons olhos a nossa atividade, agora, positivamente, não vê nela a menor graça. B) As agências de publicidade, que adoram humor, desde que, naturalmente, ele seja estrangeiro, lá longe, feito pelo Mad publicado no Play-Boy ou filmado pelo Jaques Tati (“Que mordacidade!” “Que crítica social!” “Que sempiternos pífaros!”) C) A Igreja, que, depois de uma guinada de 360 graus, é extremamente liberal em tudo que seja dito por ela mesma. D) A Família, as Classes Sociais, As Pessoas de Importância, Os Quadrados, Os TFM, Os Avant-Chatos que se fantasiam de Avant-Garde, etcetera.
Não estou desanimando vocês não, mas uma coisa eu digo: se este jornal for mesmo independente, não dura nem três meses. Se durar três meses não é independente. Longa vida a esta revista! P.S. Não se esqueça daquilo que eu te disse: nós, os humoristas, temos bastante importância pra ser presos e nenhuma pra ser soltos”.

O Pasquim sofreu com a censura e vários de seus colaboradores foram presos. Apesar da repressão, a vendas só aumentavam, então as bancas de revistas que vendiam o tabloide passaram a ser alvo de atentados, obrigando os jornaleiros a recusarem a vender a publicação. Mesmo assim O Pasquim continuou a circular após a abertura política em 1985, sendo sua última edição publicada em 11 de novembro de 1991.

Todas as edições de O Pasquim para leitura on-line. Hemeroteca da Biblioteca Nacional: https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=124745&pagfis=22453

1965 – Fanzine Ficção

1ª edição: 12 de outubro de 1965, Piracicaba/SP.

O primeiro fanzine de histórias em quadrinhos do Brasil é o “Ficção – Boletim do Intercâmbio Ciência – Ficção Alex Raymond”, idealizado pelo desenhista Edson Rontani. Feito em mimeógrafo, a edição era distribuída via correio. Chegou a ter 12 edições e tiragens de 300 cópias.

O boletim trazia reportagens sobre personagens, artistas e editoras. Publicava catálogos de compra e venda de hqs e uma lista de produções. Tinha o objetivo de ser uma publicação de troca de informações entre os colecionadores de histórias em quadrinhos .

Ao enviar exemplares do antigo boletim para um clube de colecionadores na França, eles responderam chamando a publicação de fanzine. Assim, Rontani lançou uma nova versão substituindo o termo “boletim” por “fanzine”, ficando Fanzine Ficção.

Fanzine é uma palavra inglesa que vem da contração dos termos FANatic + magaZINE (revista de fã). Significa uma revista artesanal feita por fãs que querem trocar informações ou mostrar seus trabalhos independentes. Os primeiros fanzines surgiram a partir da década de 30 nos EUA, elaborado por leitores de revistas de ficção científica. A revista artesanal, devido ao seu baixo custo e a possibilidade de reprodução em pequena escala, logo foi adotado também por fãs de quadrinhos. Com o novo lançamento de Rontani, o termo passou a ser disseminado e adotado no cenário da produção brasileira, tanto para edições informativas, quanto para revistas independentes e experimentais.

Painel de exposição em homenagem a Esdon Rontani.
Crédito: http://edsonrontani.blogspot.com/

Edson Rontani nasceu em Piracicaba em 23 de março de 1933. Foi formado em Direito mas nunca exerceu a profissão. Era polivalente, atuando em diversas atividades profissionais como jornalista, pintor, decorador, radialista, cartunista e ilustrador. Era amante de quadrinhos e um grande colecionador. Sua coleção chegou a ter um acervo de mais de mil gibis. Criou o Estúdio Orbis de Desenho nos anos 50, onde ministrava aulas e prestava serviços de desenho e publicidade. Em 1974, teve a ideia de realizar o Salão de Caricaturas de Piracicaba, na Pinacoteca Municipal.

Criou o mascote Nhô Quim para o time de futebol XV de Novembro de Piracicaba. Passou a criar ilustrações de Jeca, sobre futebol, o que o levou seus desenhos para a Gazeta Esportiva. Trabalhou para as publicações Folha Piracicabana, Tribuna, Jornal de Piracicaba e O Diário. Contribui para as revistas da EBAL fazendo desenho para as capas. Entre elas, Superman nº 9 e Batman nº 43, ambas publicadas em janeiro de 1965.

Em 1981, cria o suplemento infantil “Você Sabia?”, sendo redator e ilustrador. Rontani produziu a página até 1997, ano de seu falecimento.

REFERÊNCIAS

Blog Edson Rontani: http://edsonrontani.blogspot.com/

GUIMARÃES, Edgard. Fanzine. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2005. Disponível em https://www.marcadefantasia.com/livros/quiosque/fanzine/fanzine4ed.pdf

MEDEIROS, Lucas de Sousa. A identidade de fã mediada pelos fanzines: análise do discurso de fã nos fanzines brasileiros de história em quadrinhos da década de 1990. Dissertação (Mestrado em História Cultural) – Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/16527/1/IdentidadeFaMedida.pdf

NEGRI, Ana CAmila. Quarenta anos de fanzine no Brasil: o pioneirismo de Edson Rontani. V Encontro de Pesquisa da Intercom. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2005/resumos/R0469-1.pdf

1962 – O Juvenil Mensal – Ebal

1ª Edição: Janeiro de 1962, Rio de Janeiro
Editora Ebal- Editora Brasil-América Limitada
Revista de bolso, P&B, 36 páginas, Cr$ 10,00
Diretor: Adolfo Aizen

Crédito: Guia Ebal – http://guiaebal.com/ojuvenilmensal01.html

A revista O Juvenil Mensal foi lançada em um momento que houve um aumento do preço do papel, o que fez com que várias revistas ficassem mais caras. A proposta era vender uma publicação com a metade do preço da maioria das outras revistas, que na época custavam Cr$ 20,00.

Nessa primeira edição, uma história de faroeste de Tex Ritter enfrentando os “Espíritos Brancos”, uma gangue de capuz branco que aterrorizava os índios e a população da cidade de Brady.

A primeira série durou 55 edições, de janeiro de 1962 até julho de 1966.

Créditos: Guia Ebal