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TV UFMG: Dia do Quadrinho Nacional

Monstro Discente

Discente empolgado desorientando os orientadores! 😀

Professor Carlos Alberto Ávila Araújo

Ilustração do professor da Escola de Ciência da Informação da UFMG Carlos Alberto Ávila Araújo (Casal).

Pesquisador da área da informação, notícias falsas (fake news) e pós-verdade.

https://casal.eci.ufmg.br/

Características da Pós-Verdade

  • Negacionismo científico: fenômeno em que a autoridade da ciência passou a ser questionada por pessoas comuns, em um processo motivado por interesses econômicos de terminados grupos empresariais e corporativos.
  • Viés cognitivo ou viés de confirmação: tendência do ser humano a formar suas crenças e visões de mundo sem se basear na razão e nas evidências.
  • Desintermediação: queda da importância dos meios de comunicação tradicionais, de atenção e acompanhamento, por parte das pessoas, aos meios de comunicação de massa, em detrimento do acompanhamento de notícias e informações por meio de redes sociais.
  • Efeito bolha: as redes sociais se tornam o ambiente privilegiado a partir do qual as pessoas recebem notícias e informações do mundo e essas redes são construídas a partir de algoritmos que selecionam o que provavelmente as pessoas querem ou o que concordam com o ponto de vista delas.
  • Relativização da verdade: promovida pelo pós-modernismo, o movimento que questiona a ideia de existência de uma verdade absoluta, única. A declaração de verdade seria um ato autoritário. Essa ideologia foi sequestrada por movimentos políticos para dizer que tudo seria ideológico , e portanto, não haveria verdade, apenas fatos alternativos.

Artigo completo no link: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/41730

Bibliocanto: Os gibis na biblioteca escolar

Os gibis na biblioteca escolar
24/06 – segunda-feira
19h30

Você sabe o que são gibis? Você conhece o potencial de leitura, cultura e formação que eles podem proporcionar? Venha descobrir como eles podem enriquecer o ambiente das bibliotecas escolares e envolver ainda mais os alunos na leitura!

Convidado: Richardson Santos de Freitas
Mediadora: Professora Marília Paiva

Youtube: Bibliocanto UFMG

Apresentação:

https://docs.google.com/presentation/d/1yN3koDmrBmjyBt3gicxV2HVvp-_c1o5ll-35xbiu0l8/edit?usp=sharing

Do gibi à gibiteca

Do gibi à gibiteca: origem e gênese de significados historicamente situados
Autor: Richardson Santos de Freitas

Orientadora: Lorena Tavares de Paula

Monografia apresentada em 14 de novembro de 2023 à Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), como atividade optativa do curso de graduação em Biblioteconomia.

Banca:
Waldomiro de Castro Santos Vergueiro
Lígia Maria Moreira Dumont
Terezinha de Fátima Carvalho de Souza

RESUMO
Esta pesquisa faz um estudo sobre a palavra gibi, através do método histórico, investigando as mudanças de seu significado e sua assimilação sociocultural. Considera-se que esse gênero artístico e fonte de informação para desenvolvimento de coleções especiais prescinde de estudos críticos sobre abordagens teóricas, lexicais e historiográficas para melhor compreensão desses materiais para o desenvolvimento de coleções. Nesta investigação, os primeiros registros foram encontrados em jornais de 1888, pesquisados na Hemeroteca Virtual da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil. Constatou-se que inicialmente gibi era um apelido atribuído a pessoas negras. Posteriormente, transformou-se em uma gíria racista direcionada aos meninos negros, possuindo o sentido pejorativo de feio e grotesco, publicados em anúncios e em páginas de quadrinhos de periódicos. Depois a palavra passou a ser usada para designar os meninos negros que vendiam jornais nas ruas. Desses pequenos vendedores surgiu a inspiração para o título da revista Gibi, lançada em 1939 pela editora O Globo. O sucesso de vendas da revista, a ampla publicidade, o investimento em relações públicas e o cenário de críticas aos quadrinhos vindas principalmente de adversários da editora transformaram a palavra gibi em sinônimo de revista de histórias em quadrinhos no Brasil, fazendo o sentido original cair em desuso. A popularização do termo inspirou as bibliotecas brasileiras a adotarem a denominação de gibiteca para seus acervos de quadrinhos.

ORIGEM E GÊNESE DA PALAVRA GIBI (GIBY)

A pesquisa começou pela busca do significado da palavra gibi nos dicionários disponíveis nos acervos das bibliotecas da Faculdade de Ciência da Informação, da Faculdade de Letras e da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais. Ao todo foram encontradas 23 edições, de diferentes editoras, publicadas entre 1940 a 2011. 

O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa de 2010 é o exemplar com o maior detalhamento do significado da palavra gibi. O termo é definido como um substantivo masculino e um brasileirismo, isto é, próprio do português do Brasil. A palavra é sinônimo de revista em quadrinhos, mas o dicionário também informa que é uma gíria em desuso atribuída a menino negro:

gibi. S. m. Bras. 1. Gír. Desus. Meninote preto; negrinho. 2. Nome registrado de determinada revista em quadrinhos, infatojuvenil. 3. P. ext. Qualquer revista em quadrinhos. 4. Publicação interna […] (Ferreira, 2010, p. 1030, grifo nosso).

São raros os vestígios do uso de gírias até o fim do século XIX. “[…] com o crescimento das cidades brasileiras, em particular da capital, o Rio de Janeiro, observamos que a gíria começa a fazer parte da linguagem dos grupos sociais […]” (Preti, 2001, p. 60). Esse uso coincide com o aumento da circulação de jornais que passam a exercer influência social e política nos centros urbanos. 

A gíria é um fenômeno sociolinguístico que constituiu um vocábulo tipicamente oral. Ela é um código que pode pertencer a um grupo social restrito ou transformar-se em um fenômeno que extrapola essa comunidade, tornando-se popular. Segundo Preti (2001, p. 68) os especialistas possuem dificuldade em encontrar a evolução e as transformações de sentido referente à língua oral porque a documentação escrita existente é precária e ocasional. 

O desconhecimento da origem da gíria gibi é citado em dois dicionários, que usam o termo “origem obscura”. No Novíssimo Aulete: Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa define gibi como “[…] 2. Gír. Menino negro; Negrinho [F.: De or. Obsc.]” (Aulete, 2011, p. 711, grifo nosso). O Dicionário Houaiss confirma que a palavra informal brasileira tem origem etimológica desconhecida, registrando “gibi s.m. B. Infrm. 1 garoto negro; negrinho. […] ETIM orig. obsc.” (Houaiss; Villar, 2007, p. 1449, grifo nosso). 

No Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa há uma segunda definição, que diz que gibi vem do latim gibbus possuindo o significado de giba, ou seja, uma pessoa corcunda ou com o corpo disforme.

gibi. [Do lat. gibbus, í.] El. comp. = ‘giba’, ‘corcunda’; gibífero, bibifloro.   (Ferreira, 2010, p. 1030).

giba. [Do lat. gibba.] S. f. 1. V. corcunda (1): “Seu corpo disforme, cheio de gibas de gordura, dava-lhe aspecto de grande besouro castanho e zumbidor, “ (Cornélio Pena, A Menina Morta, p. 20) […] (Ferreira, 2010, p. 1030).

O exemplo do uso da palavra, que aparece na edição do dicionário Aurélio, trata-se de trecho da obra de Cornélio Penna intitulada “A Menina Morta”. Ambientada no tempo da escravidão, o livro conta a história da morte da filha de um senhor de pessoas escravizadas e os preparativos para o enterro. Um dos personagens, o senhor Justino, é um homem adulto que possui o cargo de administrador da fazenda. Justino foi encarregado de levar um pedido dos escravizados ao seu senhor. Eles desejariam acompanhar o cortejo fúnebre da menina. Justino é descrito como um negro “cheio de gibas de gordura” por ser tão gordo que aparentava ser disforme. 

No Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa, organizado por Laudelino Freire, publicado em volumes entre 1940 a 1943, traz a descrição de que gibi é a “Forma inexata de jibí” (Freire, [194?], v. 3, p. 2725). Jibí é “s.m., Gír. 1 Negrinho, moleque. || 2. Tipo feio, hediondo, grutesco.” (Freire, [194?], v. 4, p. 3073, grifo nosso). Nenhum outro dicionário possui essa alternativa de grafia e não se encontrou nenhum registro de jibí em jornais ou revistas na hemeroteca da Biblioteca Nacional. Ainda na década de 1940, o dicionário Lello define “Gibi, s. m. Pop. Negro, Typo feio e grotesco” (Lello, [194?], p. 1157, grifo nosso). A definição do Dicionário Brasileiro Contemporâneo Ilustrado, elaborado por Francisco Fernandes, que traz “gibi. s.m. (bras.) (pop.) Moleque; negrinho; indivíduo feio, grotesco” (Fernandes, 1965, p. 558, grifo nosso). Essas definições indicam que o uso da palavra era empregado para definir criança negra e estava vinculada a um segundo sentido pejorativo de pessoa feia, grotesca e hedionda.

Sabendo da dificuldade para se encontrar a origem da gíria gibi, optou-se por mapear o momento em que o seu uso tornou-se popular, incorporado aos textos jornalísticos. O trabalho pesquisou a palavra em jornais e revistas que circulavam no Brasil antes de 1939, data de lançamento da revista Gibi. O objetivo era encontrar a palavra sendo usada no seu sentido mais antigo. Durante esta busca, percebeu-se que gibi poderia assumir a forma variante giby, que foi incorporada nas buscas.

Alcunha Giby/Gibi

A mais antiga menção de gibi encontrada na hemeroteca virtual da Biblioteca Nacional tem a grafia de giby. A palavra está em uma nota na seção de notícias policiais da Gazeta da Tarde da edição que circulou na cidade do Rio de Janeiro em junho de 1888. O ano é marcado pela Lei Áurea, assinado em 13 de maio, no processo gradual do fim da escravidão no país. Sem nenhum tipo de compensação ou integração social, os recém-libertados se viram na situação de continuar trabalhando nas fazendas como assalariados ou seguir para os grandes centros urbanos em busca de alguma ocupação. Porém, esses centros urbanos não foram capazes de absorver o novo contingente de mão de obra, aumentando o número de pessoas desocupadas que vagavam pelas cidades em busca de sobrevivência. 

O crime de vadiagem já era usado para o controle social desde a promulgação do Código Criminal do Imperio do Brazil em 16 de dezembro de 1830. O mecanismo ganhou regulamentação através do Código do Processo Criminal de 1832, que em seu artigo 12 detalhou as competências e procedimentos dos Juízes de Paz diante de vadios, mendigos ou qualquer outra pessoas que perturbasse o sossego público:

§ 1º Tomar conhecimento das pessoas, que de novo vierem habitar no seu Districto, sendo desconhecidas, ou suspeitas; e conceder passaporte ás pessoas que lh’o requererem.

§ 2º Obrigar a assignar termo de bem viver aos vadios, mendigos, bebados por habito, prostitutas, que perturbam o socego publico, aos turbulentos, que por palavras, ou acções offendem os bons costumes, a tranquillidade publica, e a paz das familias. (Brasil, 1932).

As pessoas fora do mercado de trabalho eram consideradas perigosas pela elite imperial e, por isso, o termo de bem viver foi o instrumento jurídico criado para vigiar, punir e segregar os indivíduos pobres livres, estigmatizados como vadios ou vagabundos. Eduardo Martins esclarece que: 

No contexto de uma sociedade escravista, em que o controle dos senhores no máximo abrangia escravos agregados, a criminalização da vadiagem se constituiu em poderoso recurso de controle extra-econômico utilizado pelas autoridades para constranger os pobres livres ao trabalho. (Martins, 2003, p. 64-65).

Na seção “Pela Polícia” da Gazeta da Tarde em 4 de julho de 1888 (Figura 1), está noticiado que “Assignou termo de bem viver, como vagabundo, na subdelegacia da freguezia da Lagoa, Joaquim dos Santos, vulgo Giby.” (Pela polícia, 1888, p. 3). A mesma notícia foi publicada no dia seguinte, nas seções dedicadas as notícias policiais do Diario de Noticias e Jornal do Commercio, ambos da cidade do Rio de Janeiro. O Jornal do Commercio acrescentou ao fato a informação de que Joaquim dos Santos recebeu a punição de três meses de prisão e foi encaminhado para a casa de correção.

Figura 1 – Vulgo Giby assina termo como vagabundo.   Gazeta da Tarde, Rio de Janeiro, n. 125, 4 de junho de 1888. Fonte: Fundação Biblioteca Nacional
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Encontro com o pesquisador Waldomiro Vergueiro

Encontro com o pesquisador Waldomiro Vergueiro
Escola de Ciência da Informação – UFMG
Dia 13/11/2023 – Seminário Desenvolvimento de Coleções: questões sobre coleções especiais de quadrinhos
Dia 14/11/2023 – Oficina de Histórias em Quadrinhos

Uma análise do discurso quadrinístico: práticas institucionais e interdiscurso, de Lucas Costa

Autor: Lucas Piter Alves Costa

Resumo:
Desde que os Quadrinhos começaram a se tornar objeto de estudos, tem sido comum o esforço em defini-los por parte de alguns pesquisadores, teóricos e profissionais da área. A compreensão do que sejam os Quadrinhos está intimamente ligada à compreensão de sua origem, de seu percurso histórico, dos usos e aplicações de sua linguagem, bem como da evolução e, sobretudo, da diversificação desses aspectos. A história dos Quadrinhos, então, assume diferentes feições a depender dos aspectos valorizados. Como produtos de natureza fortemente heterogênea, os gêneros dos Quadrinhos colocam em movimento todo um sistema de práticas institucionais que, por sua vez, também podem ser associadas às Artes e à Mídia. Independente da origem e da definição adotadas, o estado atual dos Quadrinhos revela que esse nicho cultural passou por inúmeras mudanças, vindo a se consolidar como área relativamente autônoma no panorama cultural. Tanto sua linguagem e suas temáticas se desenvolveram, quanto suas formas de produção, circulação e recepção. Como instituição discursiva, os Quadrinhos têm práticas sociais e discursivas próprias e tendem a compartilhar outras práticas com diversas instituições. Diante dessas observações, os objetivos deste trabalho são: (a) descrever algumas práticas linguageiras do campo quadrinístico; (b) verificar o funcionamento do nome de Autor na instituição discursiva quadrinística; (c) analisar a constituição do nome de Autor no discurso quadrinístico. O percurso de análise e elaboração teórica deste trabalho buscou descrever a estrutura do campo quadrinístico e as práticas sociais e discursivas que possibilitaram instituir os Quadrinhos como domínio relativamente autônomo. Este trabalho buscou estabelecer uma distinção entre o Autor tomado como sujeito no discurso e o Autor tomado como enunciado, ou seja, produto desse mesmo discurso. Para isso, foram descritos e analisados diversos regimes de autorialidade no Discurso Quadrinístico. A análise dos Quadrinhos possibilitou concluir que o nome de Autor é um tipo de enunciado complexo sustentado coletivamente por toda instituição discursiva.

COSTA, Lucas Piter Alves. Uma análise do discurso quadrinístico: práticas institucionais e interdiscurso. Tese (Doutorado em Linguística do Texto e do Discurso) Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais. 2016. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/MGSS-ACENCR. Acesso em 27 fev. 2025.

Oficina de Quadrinhos FAE – UFMG

Oficina de Quadrinhos FAE
Faculdade de Educação
UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
20 de setembro de 2014
Belo Horizonte/MG

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Oficina Contestação social através dos quadrinhos

Oficina Contestação social através dos quadrinhos
Semana Cultural do Diretório Acadêmico Travessia
FALE – Faculdade de Letras
UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
6 de novembro de 2013
Belo Horizonte/MG

Apresentação

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