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1951 – 1ª Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos

Realizada entre 19 de junho e 2 de julho de 1951, no Centro Cultura e Progresso em São Paulo, foi a primeira exposição de quadrinhos do Brasil que reunia exposições e trazia debates e reflexões para a valorização das histórias em quadrinhos no país.

Idealizada por Álvaro de Moya, Jayme Cortez, Syllas Roberg, Reinaldo de Oliveira e Miguel Penteado.

Ideliazadores da exposição
Programação da exposição

“Uma das artes modernas mais combativas e discutidas do momento é a história em quadrinhos. Enquanto uns a reconhecem como uma das maiores exteriorizações de todos os tempos, e a mais jovem dentre as demais, há instituições e pessoas que a combatem intransigentemente e confundem história em quadrinho com habilidade, comercio ou simples técnica. A polêmica está lançada.

E, com o intuito de lançar mais luz sobre este momentoso problema, e esclarecer ao público e à crítica em geral o extraordinário índice artístico e social alcançado por esta nova arte, o CENTRO CULTURA E PROGRESSO entrou em contacto com o STUDIOARTE, formado por jovens desenhistas desta Capital, que organizaram a 1ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, que se realizará em nossa sede social de 19 do corrente a 2 de julho próximo.”

Jornal Nossa Voz – Fonte Hemeroteca Biblioteca Nacional

1ª Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos

Jonal Nossa Voz – 28 de junho de 1951
Autor: Maurício Kuss

Sob o patrocínio do CENTRO CULTURAL E PROGRESSO realiza-se presentemente, em sua sede social, a 1ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA EM QUADRINHOS, organizada pelo STUDIOARTE, formada por jovens desenhistas desta Capital.

Trata-se de uma iniciativa de moços, honesta, levada, a efeitos com meios modestos, o que bata para torná-la uma realização bastante simpática e merecedora de uma demorada visita por parte de todos os interessados em qualquer espécie de arte moderna. Na Exposição pode-se verificar trabalhos originais e impressos de Alex Raymond (Flash Gordon), Harold Foster (Príncipe Valente), Milton Caniff (Steve Canyon), George Wunder (Terry e os Piratas), Al Capp (Li Abner), separados por blocos e tendências artísticas de cada um, conforme crítica explicativa feita para cada trabalho. Além disto, poderão todos notar os países do mundo, entre os quais se incluem amostra da Itália, Polônia, Canadá, Portugal, Argentina e muito outro países.

Porém, o mais importante da exposição não é este particular, puramente artístico, mas o fator social e educativo que a história em quadrinhos pode apresentar, aliado ao fato de que tal Exposição levantará seriamente um problema: o do desenhista nacional. Como é sabido, a grande maioria das histórias em quadrinhos publicadas no Brasil, provém dos Estados Unidos, não obstante, desenhistas de todo o mundo, inclusiva brasileiros, se dedicaram à esta forma de exteriorização dos conhecimentos humanos. Isto se dá em virtude de existência de alguns trustes que controlam toda a produção de histórias em quadrinhos , destacando-se dentre eles o “King Features Syndicates” e a “APLA”, com ramificações aqui no Brasil. Este reduzido número de cadeias de produção dos Estados Unidos, espalhado pelo mundo todo, vende aos proprietários de jornais e revistas, a preço vil, matrizes de papelão de histórias já publicadas nos Estados Unidos. Estas cadeias associam-se, por assim dizer, a quantos em cada país desejem produzir revistas infantis, deixando nas mãos de seus proprietários lucros fabulosos, tornando completamente impossível ao desenhista nacional competir, em preços, mas que poderia produzir leitura infantil mais digna, mais útil, mais bela, mais saudável.

A atenção do público para a exposição fará com que abram os olhos contra os habituais detratores da história em quadrinhos que a combatem intransigentemente sem ao menos conhecê-la e muitas vezes por estarem ligados a editoras de livros de histoiretas infantis sem tiragem. Ninguém pode, de boa fé, desconhecer as imensas possibilidades das histórias em quadrinhos como expressão artística e como instrumento de recreação e educação. E, se, infelizmente a maior parte delas prega a violência e conta histórias de super-homens e homens-borracha, cumpre por isso mesmo, e com urgência, separar o joio do trigo. Esclarecer a crítica e a opinião no sentido de preservar e ampliar as boas histórias, substituir as más, e incentivar os desenhistas nacionais que possam criar e adaptar temas brasileiros – este é o objetivo da Exposição. Tal objetivo é além de tudo patriótico, pois que, sem ter ligações com nenhuma organização ou entidade comercial, visa eliminar dertupações que vem sendo impostas à infância, por certos “capitalistas da imprensa” que se dedicam a publicação de histórias em sequências e que impedem o aparecimento de verdadeiros valores artísticos no domínio da histórias em Quadrinhos.

Biblioteca Pública

Jornal A Época

Título: Biblioteca Pública

Outubro de 1948

Caxias do Sul / RS

Autor: Jimmy Rodrigues – Redator da Rádio Caxias do Sul

Biblioteca Pública – Jornal Caxias do Sul (1948)

Trecho:

Não é isso que se quer, mas isso não quer dizer, também, que está certo que tenhamos uma mentalidade de jornal, ou de histórias de quadrinhos que aparecem no Gibi. E notem bem: o jornal e mesmo os Gibis são muito interessantes, interessantes quanto variedade, e nunca quando constituem a exclusiva leitura de alguém. A propósito, Ruy Barbosa, uma vez, contou a alguns amigos um conto muito interessante que havia lido. Perguntaram-lhe, depois da narração, onde havia lido aquele conto. E o Águia de Haya, respondeu: “Parece que foi no Globo Juvenil”… Talvez isso seja apenas anedotas, mas mesmo como anedota serve para demonstrar que Ruy Barbosa lia tudo que lhe caia nas mãos. E não queriam dizer agora que Ruy Barbosa sorveu a sua vasta cultura no Globo Juvenil.

Enfoque: Notícia positiva

Crédito: Memorial Biblioteca Nacional

Link: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=882089&pasta=ano%20194&pesq=&pagfis=1386

1939 – Gibi

1ª edição: 12 de abril de 1939 .
Editora O Globo. Formato tabloide com 32 páginas. Custava 300 réis.
Primeira série da revista foi até o número 1739, em 31 de maio de 1950.

.Anúncio do lançamento de Gibi no Jornal O Globo, de 12 de abril de 1939

Adolfo Aizen, jornalista que prestava serviços para Roberto Marinho, visitou os EUA onde conheceu o grande potencial de venda dos suplementos. Aizen voltou com a ideia de implementar essas cadernos no jornal O Globo. Marinho não aprovou por achar que era um investimento de alto risco.

Aizen busca parceiros e encontra a oportunidade de publicar no jornal A Nação. Entre os suplementos, o que mais fez sucesso era o Suplemento Infantil. Logo depois fundaria sua própria editora, Grande Consórcio Suplementos Nacionais, onde passaria a publicar o Suplemento Juvenil.

Vendo o sucesso de vendas de seu antigo colaborador, Roberto Marinho muda de ideia e inicia uma linha de revistas para disputar mercado com Aizen. Para concorrer com o Suplemento Juvenil, lançou O Globo Juvenil. Com o sucesso da primeira revista, em 1939 chega as bancas a revista Gibi.

Gibi era terno que na época significava menino, moleque, menino negro. Muitos desses garotos vendiam jornais nas ruas das grandes cidades. Foi esse pequeno vendedor de jornais negro que inspirou o nome e o personagem apareceu nas capas, ao lado da logo, em diversas edições.

Gibi tinha como conteúdo As Aventuras do Detetive Charlie Chan, Ferdinando, Brucutu, Tarzan, Flash Gordon, Príncipe Valente, Dick Tracy, Spirit, entre outros títulos distribuídos pelo sindicatos norte-americanos detentores dos direitos autorais.

As Aventuras de Chalie Chan, de Earl Derr Biggers, era o destaque do número 1 de Gibi.

Capa da primeira edição de Gibi, de 12 de abril de 1939

O sucesso de vendas e o preço baixo fez com que a revista tivesse três edições por dia e ganhasse uma revista variante, chamada Gibi Mensal.

Em 1952, o Grupo Globo fundou a Rio Gráfica e Editora (RGE), para dar conta do aumento das tiragens das revistas especializadas em quadrinhos. O sucesso durou mais alguns anos, porém o mercado foi se modificando, e os leitores passaram a gostar mais de revistas com uma linha editorial com seus personagens preferidos protagonizando com revistas próprias do que revistas com coletâneas de várias histórias com diferentes personagens e gêneros. Desta maneira, as revistas de coletâneas, que era a característica da Gibi, acabaram sendo descontinuadas. O Novo Gibi, deixou de circular em dezembro de 1954. A Gibi Mensal seguiu até o número 249, em 1961.

Uma tentativa de relançamento aconteceu em 1974 como o Gibi Semanal, que durou 40 números. A segunda, em 1975, lançou o Gibi Especial e teve 8 números. O Almanaque do Gibi Nostalgia, terceira tentativa, durou 6 edições entre 1975 e 1977. Uma coletânea foi criada em 1980, em Gibi de Ouro – Os Clássicos dos Quadrinhos, com 6 edições.

Depois que a RGE se transformou em Editora Globo, 12 edições de Gibi foram lançadas entre 1993 e 1994, com personagens clássicos. Usou-se ainda os títulos Gibizinho entre 1991 e 2006 e o Gibizão da Turma da Mônica, entre 2001 e 2005.

A revista, principalmente em sua primeira fase, fez muito sucesso e deixou sua marca no mercado editorial das hqs. Ao mesmo tempo, uma série de ataques contra os quadrinhos, onde muitos defendiam que eram maléficos para a juventude, jornais rivais d’O Globo passaram a fazer matéria usando Gibi de forma genérica para falar mal sobre todas as revistas de fantasia e aventura e atingir indiretamente Roberto Marinho. Esse cenário permitiu que a marca mudasse o significado de gibi, transformando o termo em sinônimo de histórias em quadrinhos no Brasil.

Lista das edições da revista Gibi:

Gibi/Novo Gibi

  • 1939 a 1950 – Gibi – O Globo – n.  1 ao 1739.
    • 1950 a 1952 – Novo Gibi – O Globo – n. 1740 ao 1797. (Mudança de nome, continuação da numeração).
    • 1952 a 1954 – Novo Gibi – RGE – n. 1798 ao 1842. (O sucesso fez com que o jornal criasse uma editora própria para histórias em quadrinhos: a Rio Gráfica Editora – RGE.) 

Gibi Mensal

Outras revistas Gibis

  • 1944 a 1951 – Gibi de Natal – O Globo – 8 edições,
  • 1965 a 1968 – Gibi Apresenta – RGE – Histórias do Gato Félix, Popeye, Zezé, Gato Maluco e Popeye – 36 edições.
  • 1968 – 1969 – Mini-Gibi – RGE – Formato 5×9 cm – 19 edições.
  • 1974 a 1975 – Gibi Semanal – RGE – 40 edições.
  • 1974 a 1975 – Gibi Coleção – RGE – 4 edições.
  • 1975 a 1977 – Almanaque do Gibi Nostalgia – RGE – 7 edições
  • 1975 – Gibi Especial – RGE – n. 1 ao 5
    • 1975 – Gibi Mensal – RGE – n. 6 ao 8. (Mudança de nome, continuação da numeração).
  • 1985 – Gibi de Ouro – RGE – 6 edições.
  • 1991 a 1998 – Gibizinho da turma da Mônica86 edições.
  • 1993 a 1994 – Gibi – Editora Globo – 12 edições.
  • 1996 a 201 – Gibizão da turma da Mônica – Editora Globo – 9 edições.
  • 1998 a 2003 – Almanaque do Gibizinho Mônica – Editora Globo – 65 edições.

Gibi também inspirou o nome dos espaços dedicados à preservação, organização, leitura, difusão e formação de público leitor de história em quadrinhos. Da junção de gibi + biblioteca , surgiram as gibitecas.

(Explicação mais detalhada sobre a origem da palavra gibi e o contexto que fez com que a marca gibi mudasse de significado. TCC – Do gibi à gibiteca.)

Referências

Acervo O Globo. O Globo. Rio de Janeiro: Editora Globo, 10 de abril de 1939. p. 8. Disponível em https://acervo.oglobo.globo.com/

Acervo O Globo. O Globo. Rio de Janeiro: Editora Globo, 12 de abril de 1939. p. 7. Disponível em https://acervo.oglobo.globo.com/

Guia dos Quadrinhoshttp://www.guiadosquadrinhos.com/

VERGUEIRO, Waldomiro. SANTOS, Roberto E. dos. A revista Gibi e a consolidação do mercado editorial de quadrinhos no Brasil. Matrizes. Vol. 8, n.2, 2014. São Paulo: Universidade de São Paulo, jul./dez de 2014. p. 175-190. Disponível em https://www.redalyc.org/pdf/1430/143032897010.pdf

1937 – Revista Mirim

Editora Grande Consórcio Suplementos Nacionais

Editor: Adolfo Aizen

Primeira edição: 16 de maio de 1937

Edição que trouxe para o Brasil o formato Comic Book, contendo histórias completas que antes vinham apenas em tiras, publicadas por capítulos. Publicação tri-semanal: quartas e domingos com histórias em série; sextas com histórias completas.

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