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A Gibiteca Stan Lee: uma articulação entre quadrinhos, leitura e temas transversais

Autores:
Alex Caldas Simões
Jehíza Kiister Clementino
João Vitor do Vale da Rocha
Kedson de Oliveira Bertazo

Resumo

Uma Gibiteca é um espaço de socialização de leituras de quadrinhos, bem como de organização, seleção e aquisição de publicações em quadrinhos (Nogueira, 2015). É um estímulo à leitura multimodal, à crítica e à reflexão à indústria cultural. Relatamos aqui a experiência de implementação da Gibiteca itinerante Stan Lee, na cidade de Venda Nova do Imigrante (ES). O projeto articulou os quadrinhos aos temas transversais propostos pelos PCN, às datas comemorativas do ano letivo escolar e às temáticas escolares relevantes. Aqui a história em quadrinhos é um objeto interdisciplinar (Japiassú, 1976) e integrador das disciplinas. Como resultados parciais do projeto temos: (a) a constituição de um acervo representativo de revistas em quadrinhos, cujo critério foi abordar os temas transversais; e (b) a realização de oficinas de leitura sobre o mês da mulher, tendo como base a alfabetização dos quadrinhos (Vergueiro, 2009a), na qual a sua linguagem (Ramos, 2009) foi apresentada. Tivemos como objeto de estudo as histórias em quadrinhos Mulher-Maravilha: deuses e mortais (Wein, Pérez, 2016) e Mafalda: feminino singular (Quino, 2020). A proposta se desenvolveu na biblioteca da escola parceira e revelou ser um instrumento relevante para discussão dos temas transversais e do currículo oculto. A leitura da história em quadrinhos mobilizou conhecimentos de leitura, sociedade e texto.

Trechos

“[…] uma gibiteca, a fim de promover os quadrinhos, tem como objetivo o estímulo e o incentivo à leitura de narrativas quadrinizadas. […] “Numa definição bem simples, gibitecas são espaços destinados ao armazenamento e leitura de HQs.” (Nogueira, 2015, p. 90). […] O termo “Gibiteca” faz menção à palavra “Gibi”, sinônimo de histórias em quadrinhos –e “nome de uma famosa e popular revista das organizações O Globo, publicada de 1939 a 1950.” (Vergueiro, 2003, p. 2). Uma gibiteca, portanto, é um estímulo à formação de leitores e à leitura crítica de histórias em quadrinhos, uma reflexão à indústria cultural. Acima de tudo é um lugar de integração e reunião de toda comunidade escolar (Nogueira, 2007) e um incentivo à leitura (Baía; Condurú, 2022)” (Simões; Clementino; Rocha; Bertazo, 2024, p. 4).

“Desde os PCN (1998) as histórias em quadrinhos estão na escola, sendo reconhecidas como legítimos objetos para o trabalho com a leitura, a escrita e a análise linguística. É um claro objeto interdisciplinar porque, por meio de um projeto comum com as histórias em quadrinhos, desenvolve-se uma forte relação e diálogo –combinação –entre as disciplinas escolares (Japiassú, 1976)” (Simões; Clementino; Rocha; Bertazo, 2024, p. 5).

“Nesse sentido, todas as disciplinas –cada uma em sua área de formação, a partir de pelo menos duas disciplinas –podem utilizar as histórias em quadrinhos em um projeto escolar integrador. […] ” (Simões; Clementino; Rocha; Bertazo 2024, p. 5).

“Como se vê, a interdisciplinaridade é uma exigência da pós-modernidade (Oliveira, 2009) e com ela surge a possibilidade de reflexão crítica sobre muitos problemas atuais” (Simões; Clementino; Rocha; Bertazo, 2024, p. 6).

SIMÕES, Alex Caldas; CLEMENTINO, Jehíza Kiister; ROCHA, João Vitor do Vale da; BERTAZO, Kedson de Oliveira. A Gibiteca Stan Lee: Uma articulação entre quadrinhos, leitura e temas transversais. 9ª Arte (São Paulo)[S. l.], p. e218673, 2024. DOI: 10.11606/2316-9877.Dossie.2023.e218673. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/nonaarte/article/view/218673.

Do gibi à gibiteca

Do gibi à gibiteca: origem e gênese de significados historicamente situados
Autor: Richardson Santos de Freitas

Orientadora: Lorena Tavares de Paula

Monografia apresentada em 14 de novembro de 2023 à Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), como atividade optativa do curso de graduação em Biblioteconomia.

Banca:
Waldomiro de Castro Santos Vergueiro
Lígia Maria Moreira Dumont
Terezinha de Fátima Carvalho de Souza

RESUMO
Esta pesquisa faz um estudo sobre a palavra gibi, através do método histórico, investigando as mudanças de seu significado e sua assimilação sociocultural. Considera-se que esse gênero artístico e fonte de informação para desenvolvimento de coleções especiais prescinde de estudos críticos sobre abordagens teóricas, lexicais e historiográficas para melhor compreensão desses materiais para o desenvolvimento de coleções. Nesta investigação, os primeiros registros foram encontrados em jornais de 1888, pesquisados na Hemeroteca Virtual da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil. Constatou-se que inicialmente gibi era um apelido atribuído a pessoas negras. Posteriormente, transformou-se em uma gíria racista direcionada aos meninos negros, possuindo o sentido pejorativo de feio e grotesco, publicados em anúncios e em páginas de quadrinhos de periódicos. Depois a palavra passou a ser usada para designar os meninos negros que vendiam jornais nas ruas. Desses pequenos vendedores surgiu a inspiração para o título da revista Gibi, lançada em 1939 pela editora O Globo. O sucesso de vendas da revista, a ampla publicidade, o investimento em relações públicas e o cenário de críticas aos quadrinhos vindas principalmente de adversários da editora transformaram a palavra gibi em sinônimo de revista de histórias em quadrinhos no Brasil, fazendo o sentido original cair em desuso. A popularização do termo inspirou as bibliotecas brasileiras a adotarem a denominação de gibiteca para seus acervos de quadrinhos.

ORIGEM E GÊNESE DA PALAVRA GIBI (GIBY)

A pesquisa começou pela busca do significado da palavra gibi nos dicionários disponíveis nos acervos das bibliotecas da Faculdade de Ciência da Informação, da Faculdade de Letras e da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais. Ao todo foram encontradas 23 edições, de diferentes editoras, publicadas entre 1940 a 2011. 

O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa de 2010 é o exemplar com o maior detalhamento do significado da palavra gibi. O termo é definido como um substantivo masculino e um brasileirismo, isto é, próprio do português do Brasil. A palavra é sinônimo de revista em quadrinhos, mas o dicionário também informa que é uma gíria em desuso atribuída a menino negro:

gibi. S. m. Bras. 1. Gír. Desus. Meninote preto; negrinho. 2. Nome registrado de determinada revista em quadrinhos, infatojuvenil. 3. P. ext. Qualquer revista em quadrinhos. 4. Publicação interna […] (Ferreira, 2010, p. 1030, grifo nosso).

São raros os vestígios do uso de gírias até o fim do século XIX. “[…] com o crescimento das cidades brasileiras, em particular da capital, o Rio de Janeiro, observamos que a gíria começa a fazer parte da linguagem dos grupos sociais […]” (Preti, 2001, p. 60). Esse uso coincide com o aumento da circulação de jornais que passam a exercer influência social e política nos centros urbanos. 

A gíria é um fenômeno sociolinguístico que constituiu um vocábulo tipicamente oral. Ela é um código que pode pertencer a um grupo social restrito ou transformar-se em um fenômeno que extrapola essa comunidade, tornando-se popular. Segundo Preti (2001, p. 68) os especialistas possuem dificuldade em encontrar a evolução e as transformações de sentido referente à língua oral porque a documentação escrita existente é precária e ocasional. 

O desconhecimento da origem da gíria gibi é citado em dois dicionários, que usam o termo “origem obscura”. No Novíssimo Aulete: Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa define gibi como “[…] 2. Gír. Menino negro; Negrinho [F.: De or. Obsc.]” (Aulete, 2011, p. 711, grifo nosso). O Dicionário Houaiss confirma que a palavra informal brasileira tem origem etimológica desconhecida, registrando “gibi s.m. B. Infrm. 1 garoto negro; negrinho. […] ETIM orig. obsc.” (Houaiss; Villar, 2007, p. 1449, grifo nosso). 

No Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa há uma segunda definição, que diz que gibi vem do latim gibbus possuindo o significado de giba, ou seja, uma pessoa corcunda ou com o corpo disforme.

gibi. [Do lat. gibbus, í.] El. comp. = ‘giba’, ‘corcunda’; gibífero, bibifloro.   (Ferreira, 2010, p. 1030).

giba. [Do lat. gibba.] S. f. 1. V. corcunda (1): “Seu corpo disforme, cheio de gibas de gordura, dava-lhe aspecto de grande besouro castanho e zumbidor, “ (Cornélio Pena, A Menina Morta, p. 20) […] (Ferreira, 2010, p. 1030).

O exemplo do uso da palavra, que aparece na edição do dicionário Aurélio, trata-se de trecho da obra de Cornélio Penna intitulada “A Menina Morta”. Ambientada no tempo da escravidão, o livro conta a história da morte da filha de um senhor de pessoas escravizadas e os preparativos para o enterro. Um dos personagens, o senhor Justino, é um homem adulto que possui o cargo de administrador da fazenda. Justino foi encarregado de levar um pedido dos escravizados ao seu senhor. Eles desejariam acompanhar o cortejo fúnebre da menina. Justino é descrito como um negro “cheio de gibas de gordura” por ser tão gordo que aparentava ser disforme. 

No Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa, organizado por Laudelino Freire, publicado em volumes entre 1940 a 1943, traz a descrição de que gibi é a “Forma inexata de jibí” (Freire, [194?], v. 3, p. 2725). Jibí é “s.m., Gír. 1 Negrinho, moleque. || 2. Tipo feio, hediondo, grutesco.” (Freire, [194?], v. 4, p. 3073, grifo nosso). Nenhum outro dicionário possui essa alternativa de grafia e não se encontrou nenhum registro de jibí em jornais ou revistas na hemeroteca da Biblioteca Nacional. Ainda na década de 1940, o dicionário Lello define “Gibi, s. m. Pop. Negro, Typo feio e grotesco” (Lello, [194?], p. 1157, grifo nosso). A definição do Dicionário Brasileiro Contemporâneo Ilustrado, elaborado por Francisco Fernandes, que traz “gibi. s.m. (bras.) (pop.) Moleque; negrinho; indivíduo feio, grotesco” (Fernandes, 1965, p. 558, grifo nosso). Essas definições indicam que o uso da palavra era empregado para definir criança negra e estava vinculada a um segundo sentido pejorativo de pessoa feia, grotesca e hedionda.

Sabendo da dificuldade para se encontrar a origem da gíria gibi, optou-se por mapear o momento em que o seu uso tornou-se popular, incorporado aos textos jornalísticos. O trabalho pesquisou a palavra em jornais e revistas que circulavam no Brasil antes de 1939, data de lançamento da revista Gibi. O objetivo era encontrar a palavra sendo usada no seu sentido mais antigo. Durante esta busca, percebeu-se que gibi poderia assumir a forma variante giby, que foi incorporada nas buscas.

Alcunha Giby/Gibi

A mais antiga menção de gibi encontrada na hemeroteca virtual da Biblioteca Nacional tem a grafia de giby. A palavra está em uma nota na seção de notícias policiais da Gazeta da Tarde da edição que circulou na cidade do Rio de Janeiro em junho de 1888. O ano é marcado pela Lei Áurea, assinado em 13 de maio, no processo gradual do fim da escravidão no país. Sem nenhum tipo de compensação ou integração social, os recém-libertados se viram na situação de continuar trabalhando nas fazendas como assalariados ou seguir para os grandes centros urbanos em busca de alguma ocupação. Porém, esses centros urbanos não foram capazes de absorver o novo contingente de mão de obra, aumentando o número de pessoas desocupadas que vagavam pelas cidades em busca de sobrevivência. 

O crime de vadiagem já era usado para o controle social desde a promulgação do Código Criminal do Imperio do Brazil em 16 de dezembro de 1830. O mecanismo ganhou regulamentação através do Código do Processo Criminal de 1832, que em seu artigo 12 detalhou as competências e procedimentos dos Juízes de Paz diante de vadios, mendigos ou qualquer outra pessoas que perturbasse o sossego público:

§ 1º Tomar conhecimento das pessoas, que de novo vierem habitar no seu Districto, sendo desconhecidas, ou suspeitas; e conceder passaporte ás pessoas que lh’o requererem.

§ 2º Obrigar a assignar termo de bem viver aos vadios, mendigos, bebados por habito, prostitutas, que perturbam o socego publico, aos turbulentos, que por palavras, ou acções offendem os bons costumes, a tranquillidade publica, e a paz das familias. (Brasil, 1932).

As pessoas fora do mercado de trabalho eram consideradas perigosas pela elite imperial e, por isso, o termo de bem viver foi o instrumento jurídico criado para vigiar, punir e segregar os indivíduos pobres livres, estigmatizados como vadios ou vagabundos. Eduardo Martins esclarece que: 

No contexto de uma sociedade escravista, em que o controle dos senhores no máximo abrangia escravos agregados, a criminalização da vadiagem se constituiu em poderoso recurso de controle extra-econômico utilizado pelas autoridades para constranger os pobres livres ao trabalho. (Martins, 2003, p. 64-65).

Na seção “Pela Polícia” da Gazeta da Tarde em 4 de julho de 1888 (Figura 1), está noticiado que “Assignou termo de bem viver, como vagabundo, na subdelegacia da freguezia da Lagoa, Joaquim dos Santos, vulgo Giby.” (Pela polícia, 1888, p. 3). A mesma notícia foi publicada no dia seguinte, nas seções dedicadas as notícias policiais do Diario de Noticias e Jornal do Commercio, ambos da cidade do Rio de Janeiro. O Jornal do Commercio acrescentou ao fato a informação de que Joaquim dos Santos recebeu a punição de três meses de prisão e foi encaminhado para a casa de correção.

Figura 1 – Vulgo Giby assina termo como vagabundo.   Gazeta da Tarde, Rio de Janeiro, n. 125, 4 de junho de 1888. Fonte: Fundação Biblioteca Nacional
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Gibiteca: Unidade de Informação para a mediação da leitura de histórias em quadrinhos

Autor: Rubem Borges Teixeira Ramos

RESUMO: Considerando-se as histórias em quadrinhos como recursos / dispositivos informacionais, e as gibitecas enquanto unidades de informação, que contam em seu acervo com diversas coleções de quadrinhos, o presente estudo tem por objetivo identificar a existência de ações ou eventos promovidos pelas gibitecas voltados a mediação da leitura, tendo por base as dimensões da mediação da informação, conforme aponta Gomes (2014, 2017, 2019, 2020). Para tanto, procedeu-se a um estudo de caso, de natureza qualitativa e descritiva, realizado junto a um conjunto de gibitecas brasileiras, elencando algumas de suas atividades e projetos, procurando evidenciá-las também como ações pertinentes a mediação da leitura. Ao analisar essas atividades e projetos, a pesquisa constatou que as gibitecas oferecem ações que
se enquadram junto as dimensões da mediação da informação, o que favorece o senso de envolvimento e a prática da leitura de histórias em quadrinhos, contribuindo tanto junto a atuação de mediadores da leitura, como profissionais conscientes para com seu dever e funções em relação a escolha e a abordagem que devem considerar junto aos quadrinhos, como quanto aos leitores alvo da mediação da leitura, com vistas a favorecer a sua formação enquanto leitores de diferentes contextos e realidades sociais, estimulando a apropriação de informação e a serem conscientes e ativos com seu papel de protagonismo social.

Citações

“Uma vez estabelecendo a presença de informação junto a narrativa das HQs, e considerando os diferentes gêneros presentes nesses quadrinhos – terror, infantis, biografias, super-heróis, entre outros – bem como a quantidade expressiva de publicações disponíveis atualmente no mercado nacional e internacional, é interessante se pensar em formas pelas quais seja possível fornecer o acesso as HQs, tanto das que foram produzidas em décadas anteriores quanto as atuais, estimando aqueles que necessitam obter e acessar a informação contida em suas narrativas. Para isso, deve-se contar com um local que atue como disseminador, para que outros possam também receber informações presentes nesses recursos informacionais, promovendo seu acesso e uso por parte dos leitores” (Ramos, 2023, p. 7-8).

“A existência de Gibitecas enquanto UI possibilita não apenas um local cuja função seja a de organizar, catalogar e disseminar as HQs, nem tampouco o de fornecer exclusivamente como fruto dessas importantes ações o acesso desses quadrinhos ao público leitor interessado em lê-los. Segundo Pustz (2000), a existência de locais que estimulem em base regular encontros e debates que sejam interessantes, contribuindo assim para com a formação de leitores engajados e de uma cultura devotada as HQs é algo que se deve endossar” (Ramos, 2023, p. 8).

“Podemos estabelecer, como função social da gibiteca, a inclusão e o estímulo a leitura, criatividade e criticidade e, no caso da gibiteca escolar, acrescente-se aí a inclusão pela educação. Assim, a gibiteca não pode ser considerada tão somente uma coleção de histórias em quadrinhos disposta a consulta pública (p. 101)” (Ramos, 2023, p. 9).

(Ramos, 2023, p. )

RAMOS, Rubem Borges Teixeira. Gibiteca: unidade de informação para a mediação da leitura de histórias em quadrinhos. Liinc em revista, v. 19, n. 1, maio 2023. Disponível em: https://revista.ibict.br/liinc/article/view/6312.

A primeira gibiteca pública sergipana: Manual de catalogação de acervos de histórias em quadrinhos

Autora: Ida Conceição Andrade de Melo

Resumo

Como catalogar acervos de HQ, considerando as especificidades desta fonte, para viabilizar a Organização do Conhecimento e da Informação em Gibitecas? Seu objetivo geral foi o de elaborar um produto editorial que visa propor um método de representação descritiva, temática e de indexação (catalogação) para o acervo de HQ da gibiteca projetada, com aprofundamento analítico e adaptação dos instrumentos já aplicados aos outros setores da Biblioteca; aplicar os princípios do Guia Prático de Classificação Indicativa do Governo Federal às obras, para gerar informação que facilite a mediação de leitura, com respeito às faixas etárias e sugerir recursos informacionais, ou seja, produtos e serviços especializados para leitores de HQ e voltado para o fomento à cultura leitora e a leitura pública.

Citações

“A Gibiteca é um acervo especializado em Histórias em Quadrinhos (HQ), que pode funcionar como um setor da departamentalização de uma unidade de informação, ou mesmo se constituir numa unidade de informação independente e autônoma. Caracteriza-se por reunir coleções de publicações voltadas para HQ, no todo ou em parte, assim como na organização de séries de quadrinhos destacadas do veículo de publicação original, em formato de Hemeroteca. As Gibitecas também se dedicam a colecionar as Narrativas Sequenciais Gráficas anteriores, que trazem as características primordiais desse gênero literário, assim como sua linguagem híbrida de texto e imagem e publicação em suportes típicos” (Melo, 2022, p. 14).

“O tema dessa pesquisa é a Gibiteca, unidade de informação característica da custódia ou acesso às produções e coleções de HQ e, pregressamente, de Narrativas Sequenciais Gráficas em geral. É uma unidade de informação cuja gestão exige do profissional um alto nível de especialização e apropriação de diferentes mídias, suportes e linguagens puras e híbridas; assim como um nível de letramento, leitura e erudição que o posicionem como interlocutor de diferentes comunidades leitoras” (Melo, 2022, p. 15).

“O Bibliotecário e a equipe multidisciplinar envolvida na implantação da gibiteca terão de buscar a identificação de necessidades informacionais latentes, usuários potenciais, transformações inerentes às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e no regime de informação. Em todos os ambientes da sociedade nos quais circulem crianças e adolescentes, também existe a preocupação legal na disponibilização de informações segundo os princípios de respeito à faixa etária, prática gestora que tem se constituído em um desafio recorrente às Gibitecas” (Melo, 2022, p. 15-16).

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Gibiteca Henfil

20 anos de jornada

Autores: Hugo Leonardo Abud e Maria Helena S. Corrêa Pinho

Resumo
Apresenta a importância da preservação de histórias em quadrinhos para a sociedade e mostra como a criação da Gibiteca Henfil em 1991 impulsionou a formação de outros acervos pelo Brasil. Descreve através de um histórico a criação da Gibiteca Henfil, a idealização, o projeto inicial, as pessoas envolvidas neste projeto e por último as principais atividades desenvolvidas pela Gibiteca e alguns eventos que deram destaque a este acervo.

Citações

“A Gibiteca Municipal Henfil foi idealizada por uma equipe de profissionais e especialistas, com o objetivo de ser um local de encontro de pesquisadores, quadrinistas, estudantes, fanzineiros e leitores de HQs” (Abud; Pinho, 2011, p. 2).

“O termo gibiteca segundo Vergueiro (2003) é “[…] um neologismo que buscava nomear uma biblioteca especialmente dedicada à coleta, armazenamento e disseminação de histórias em quadrinhos” (Abud; Pinho, 2011, p. 2).

“O conceito de preservação não se limita somente ao escrito ou a arte. Preservar está atrelado ao que é um bem patrimonial para a sociedade ou aquilo que é reflexo da memória e da identidade de uma comunidade. Para Teixeira Coelho (2004) a preservação é um conjunto de medidas que visa resguardar em locais públicos a produção cultural e técnica” (Abud; Pinho, 2011, p. 2-3).

A Gibiteca tinha por propósito servir à pesquisa, à formação, preservação e atualização do acervo, à coleta de documentação para formação de base de dados, e servir como disseminador da informação sobre quadrinhos, bem como desenvolver um acervo especializado. Para o cumprimento das regras da biblioteconomia, obrigatoriamente deveria coletar, selecionar, processar tecnicamente e armazenar de modo adequado todo este acervo” (Abud; Pinho, 2011, p. 5).

ABUD, Hugo Leonardo; PINHO, Maria Helena S. Corrêa. Gibiteca Henfil: 20 anos de Jornadas nas 1ª Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos. In: Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, ed. 1, Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 23 a 26 ago. 2011. Disponível em: https://anais2ajornada.eca.usp.br/anais1asjornadas/q_sociedade/hugo_maria.pdf

Histórias em quadrinhos e serviços de informação: um relacionamento em fase de definição

Autor: Waldomiro Vergueiro

Resumo:

Existentes como meio de comunicação de massa desde o fim do século 19, as histórias em quadrinhos recentemente têm sido mais bem recebidas pela sociedade, adentrando as unidades de informação e trazendo novos desafios para os profissionais de informação, que necessitam familiarizar-se com elas, informar-se sobre as suas características e conhecer as fontes na área. Com base neste contexto, apresenta-se uma definição das histórias em quadrinhos, as características de sua linguagem, seu enfoque como meios de comunicação de massa, relação com as bibliotecas e as principais características de seus produtos, consumidores e fontes de informação. Sugerem-se algumas fontes na área.

Citações

” O Brasil, depois de alguma controvérsia inicial sobre a utilização de “estórias” ou “histórias”, parece ter consagrado a expressão “histórias em quadrinhos” (normalmente abreviada para “HQ”) como a de maior preferência; no entanto, muitos leitores antigos e grande parte dos novos continuam ainda a utilizar o termo gibis quando se referem às revistas de histórias em quadrinhos de uma maneira geral, reproduzindo uma apropriação lingüística semelhante à ocorrida no território espanhol, pois Gibi foi também uma popular revista de histórias em quadrinhos publicada no país [ANSELMO, 1975; CIRNE, 1990; MOYA, 1996]” (Vergueiro, 2005, p. 2).

” […] é possível afirmar, em relação a elas, que constituem um meio de comunicação de
massa que agrega dois códigos distintos para a transmissão de uma mensagem:
1) o lingüístico, presente nas palavras utilizadas nos elementos narrativos, na expressão dos diversos personagens e na representação dos diversos sons; e
2) o pictórico, constituído pela representação de pessoas, objetos, meio ambiente, idéias abstratas e/ou esotéricas etc” .

Além desses dois códigos, as histórias em quadrinhos desenvolveram também diversos elementos que lhes são hoje característicos e constituem elementos característicos de sua linguagem, como o balão, as onomatopéias, as parábolas visuais etc., todos eles concorrendo para expressar uma narrativa, por mais breve que esta seja [SARACENI, 2003]” (Vergueiro, 2005, p. 2).

GIBITECAS

” Bibliotecas públicas especialmente dedicadas à coleta, armazenamento e disseminação de histórias em quadrinhos são instituições genuinamente brasileiras, existindo desde o início da década de 1980, quando uma instituição pública na capital do Estado do Paraná decidiu fundar a primeira unidade desse tipo, que batizou com o nome de gibiteca, um neologismo que mescla a forma como as revistas de histórias em quadrinhos são tradicional e carinhosamente referidas no país – gibis -, com as unidades de informação – bibliotecas [VERGUEIRO, 1994]. Com o surgimento da Gibiteca de Curitiba, cunhava-se o termo genérico para denominar qualquer biblioteca que colocasse as histórias em quadrinhos como o centro de sua prática de serviço de informação e que seria então
utilizado em todo o país” (Vergueiro, 2005, p. 2).

TIPOS DE PUBLICAÇÕES

“De uma maneira geral, atualmente diversos veículos e formatos de publicação de histórias em quadrinhos podem ser encontrados no mercado, cada um deles com características singulares que afetam tanto sua forma como seu conteúdo. Entre esses, pode-se destacar:

a) gibis: publicações periódicas disponíveis em uma grande diversidade de títulos e temáticas, são encontrados com facilidade em qualquer banca de jornal. […] Normalmente destinados ao público infantil e juvenil, são baratos, feitos em papel frágil e de pouca durabilidade, representando o clássico produto para consumo de massa; no entanto, também existem gibis no formato conhecido como americano, por ser o tamanho em que
são publicados os “comic books” nos Estados Unidos e diversos outros países. A periodicidade dessas revistas pode variar, sendo mais comum a mensal. […] Além das revistas de periodicidade regular, costumam também ser publicados suplementos e edições especiais, almanaques e edições singulares ou comemorativas que englobam personagens de várias revistas diferentes, às vezes sob uma denominação totalmente nova, outras utilizando um título já familiar aos leitores.

Sob muitos aspectos, os gibis representam um mercado totalmente caótico, sem qualquer tipo de padronização em relação à numeração, uniformidade dos títulos ou continuidade […]

b) álbuns e edições encadernadas: fisicamente, estão muito mais próximos dos livros infantis do que dos gibis. Diferentemente destes últimos, no entanto, não têm periodicidade, sendo publicados em edições únicas, que trazem histórias em geral fechadas em si mesmas, sem um compromisso declarado com a continuidade (embora, algumas vezes, ocorra que o sucesso de um personagem leve a seu aparecimento em álbuns posteriores).

[…] O custo dessas publicações costuma ser mais alto que o dos gibis, o que se justifica pela qualidade do papel, da impressão e da encadernação. […]

c) “Graphic novels”, maxi e minisséries: […] constitui-se na busca de um tratamento
diferenciado para um ou mais personagens familiares aos leitores, explorando-os em edições fechadas que se diferenciam daquele tratamento dado a eles nos meios tradicionais. Isto envolve tanto um maior aprimoramento gráfico, com publicações em formato diverso e papel de melhor qualidade, como temático, envolvendo produções mais elaboradas em termos de roteiro e arte, muitas vezes com a presença de artistas especialmente convidados.

[…]

d) quadrinhos em jornais: os jornais foram o berço das histórias em quadrinhos e uma grande quantidade delas continua a ser publicada neles diária ou semanalmente, numa produção cuja dimensão é difícil de avaliar. Muitas tiras ou histórias dominicais jamais são lançadas novamente em outra modalidade de publicação, dificultando o trabalho de preservação da memória quadrinhística, pois os jornais são materiais frágeis que se perdem com muita facilidade.

Para se ter acesso aos quadrinhos publicados na imprensa jornalística, sejam as tiras diárias ou as páginas dominicais, muitas vezes não existe alternativa a não ser identificar os títulos em que aparecem e efetuar uma assinatura (ou adquiri-los diariamente em bancas de jornais), uma solução que é apropriada para materiais correntes mas que pouco efetiva quando se busca material retrospectivo.

[…]

e) fanzines: o termo designa uma revista feitas por aficcionados do gênero, a maioria das vezes colecionadores ou artistas iniciantes. Nesse sentido, a própria palavra escolhida para definir essas publicações já define suas principais características, representando a junção de dois termos: fã e magazine.

Os fanzines podem ser publicações de caráter analítico, buscando discutir as histórias em quadrinhos e suas particularidades, debater preferências, explorar as características de cada autor ou personagem, como também incluir histórias originais elaboradas pelos responsáveis pela publicação ou por leitores e pessoas especialmente convidadas. Neste último caso, costuma-se distinguir uma outra categoria, a de revistas alternativas, designando aquelas produzidas fora do mercado tradicional de gibis.

[…]

f) Publicações variadas: além de sua disponibilidade nos diversos tipos de materiais já descritos, as histórias em quadrinhos podem também ser incluídas em revistas gerais de informação ou dirigidas para públicos especializados. Além disso, os quadrinhos podem surgir em publicações especialmente elaboradas para uso em publicidade ou propaganda política; livros didáticos; edições patrocinadas por instituições governamentais ou não, que as utilizam como instrumentos para a transmissão de mensagens educativas; revistas que as enfocam como tema principal, abordando aspectos de conteúdo e novidades da área, para apenas citar algumas das modalidades mais evidentes.

(Vergueiro, 2005, p. 6-8)

CONSUMO

” a) eventuais: aqueles que usufruem das histórias em quadrinhos da mesma forma como utilizam todas as outras modalidades de leitura, sem qualquer predileção especial por esse meio de comunicação específico, com um conhecimento apenas superficial de autores ou títulos e tendendo a se concentrar naqueles de maior popularidade. Não buscam nada além da satisfação momentânea de suas necessidades de leitura de entretenimento, sendo guiados muito mais por motivos circunstanciais do que por qualquer ato consciente de escolha;

b) exaustivos: os que lêem apenas histórias em quadrinhos mas não fazem qualquer tipo de seleção, consumindo à exaustão tudo o que for produzido pelo meio. Em termos etários, tendem a se concentrar nas camadas mais jovens da população. É possível supor que o número desses leitores diminui em proporção com o seu envelhecimento: quanto mais velhos, menor é a probabilidade da leitura exclusiva de histórias em quadrinhos, já que surgem outros interesses a dividir sua atenção. No entanto, essa regra não é assim tão rígida. Algumas vezes, leitores exaustivos são também grandes colecionadores;

c) seletivos: leitores que têm predileção apenas por determinados gêneros, personagens ou autores. Lêem tudo o que é publicado em sua área de interesse e buscam fazer a correlação de suas leituras com outros meios de comunicação de massa. Leitores seletivos também costumam, algumas vezes, ser colecionadores desses materiais;

d) fanáticos: como o próprio nome diz, levam sua predileção a extremos. Não apenas lêem as histórias de seus personagens e títulos prediletos, como também procuram saber o máximo possível sobre eles, conhecendo minúcias de produção, características específicas de cada desenhista ou roteirista, evolução histórica do protagonista e coadjuvantes, etc. Constantemente, são também ávidos colecionadores de tudo que diga respeito a sua predileção, englobando publicações de todos os tipos que se relacionem com ele, bem como filmes e suas trilhas sonoras, autógrafos dos autores e desenhos originais dos artistas. Os fanáticos não falam de outro assunto que não aquele de sua predileção e tendem a defender seus pontos de vista com unhas e dentes, parecendo não entender muito bem porque estes não são compartilhados pelo restante da população. Quando encontram outros com preocupações semelhantes, costumam criar clubes ou associações;

e) estudiosos: nem sempre são leitores tão ávidos, mas resolveram se debruçar sobre as histórias em quadrinhos para estudar suas características e relações com outros meios de comunicação, com outros aspectos da vida social ou sob o ponto de vista de sua aplicação em determinadas ciências ou atividades. Muitas vezes, a predileção pelo estudo das histórias em quadrinhos ocorre em função de contingências acadêmicas específicas, como a elaboração de uma tese ou trabalho de conclusão de curso de graduação, deixando de existir tão logo elas terminem. Outras vezes, esse estudo inicial funciona como um despertar para esse tipo de publicação, persistindo na vida intelectual do indivíduo, que continua a ler e a estudar os quadrinhos durante muito tempo após o término da atividade acadêmica que originalmente o levou a eles. Ele passa a fazer parte, então, de grupos mais exigentes de leitores, que procuram por materiais de maior nível de qualidade, que tenham condições de lhes trazer benefícios intelectuais inquestionáveis. “

(Vergueiro, 2005, p. 8-9)

VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Histórias em quadrinhos e serviços de informação: um relacionamento em fase de definição. DataGramaZero, v. 6, n. 2. , 2005. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/5643.

1993 – 1ª Mostra Nacional de Quadrinhos

Realizado pelo Centro de Criação e Divulgação do Quadrinho Nacional

Ano: 1993

Local: Gibiteca da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte

Programação: exposição, mesa-redonda e oficinas.

Santos Ganha sua Gibiteca

Jornal da Orla – Santos
Domingo, 13/12/1992

Fonte: Biblioteca Nacional

Biblioteca de Santos: Inaugurada no dia 8/12/1992.

Os fãs de histórias em quadrinhos ganharam um novo espaço para leitura em Santos. Já funciona no Posto 5, no jardim da Praia do Boqueirão, a Gibiteca Municipal com mais de 1.500 exemplares, alguns considerados raridades pelos colecionadores, entre gibis, histórias para adultos e crianças, dos mais variados gêneros, além de recortes de jornais.

A Gibiteca abre de terça a sábado, das 9 às 20h00, e aos domingos, das 9 às 15h00. Para frequentá-la, os interessados devem fazer sua matrícula, gratuitamente, apresentando documento de identidade e comprovante de residência.

A Gibiteca receberá o nome do jornalista Marcel Rodrigues Paes, uma apaixonado por esta arte, falecido no último dia 30, aos 26 anos.

Posto da Orla vão receber melhorias

Gibiteca de Santos

Jornal da Orla – Santos
Domingo, 26/1/1992
p. 1

Fonte: Biblioteca Nacional

Os postos de salvamento instalados nos jardins da orla da praia srão retomados pela Prefeitura, que instalará ali novos equipamentos para a população. […] O Posto 5 será transformado em uma Gibiteca […].

1991 – Painéis de HQs na 8ª Feira do Livro de Belo Horizonte

No dia 19 de outubro de 1991 aconteceu na 8ª Feira do Livro de Belo Horizonte “Painéis de HQs” com o anúncio do lançamento da Gibiteca de BH. Evento realizado no recinto de exposições do Shopping Center BH.

O painel contou com a presença de Nilson, Melado e Antônio Roque Gobbo, que “[…] enfatizou a necessidade da Gibiteca Pública Estadual como elemento dinamizador das atividades quadrinísticas da cidade e catalisador dos artistas da área” (Repórter HQ, v. 42, 1991, p. 12).

“Em pleno andamento o projeto de criar gibitecas em todas as bibliotecas públicas estaduais de Minas, que serão lideradas pela gibiteca de BH, a ser instalada na capital mineira. Empenhados no projeto todos os diretores e coordenadores da Biblioteca Pública de BH, que já vem realizando campanha (através do rádio, tv e jornais) para angariar volumes e despertar o interesse maior da população nesta empreitada”. Na ocasião, Gobbo doou centenas de revistas para a iniciativa.

Referência.

Repórter HQ: informativo de quadrinhos, ano 4, v. 42, Belo Horizonte, nov. 1991.