Laonte Klawa e Haron Cohen
Preocupação com o movimento
Os quadrinhos, como o próprio nome indica, são um conjunto e uma sequência. O que faz do bloco de imagens uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido depois de visto o anterior; a ação contínua continua e estabelece a ligação entre as diferentes figuras. Existem corte de tempo e espaço, mas estão ligados a uma rede de ações lógicas e coerentes.
[…]
Uma característica vital foi acrescentada à representação das imagens: o tempo passava a ser um elemento de organização da série. No entanto, fazia-se necessário que o leitor completasse o “vazio” entre um e outro quadrinhos.
(Klawa; Cohen, 1977, p. 110)
Pensamos que a grande probabilidade do desfecho da ação não seja uma característica da linguagem das histórias em quadrinhos, mas sim de uma mercantilização, […] A sequência de quadros não é obrigatoriamente provável, […] Cada quadrinho tem, quando isolado, um grau menor de inteligibilidade e maior quando em conjunto. O grau maior é conferido pela continuidade de tempo, espaço e movimento na maneira descrita anteriormente. Contudo, a articulação dos quadros pode ser feita exclusivamente através da unidade de ação.
Não fica difícil portanto chegar à conclusão de que as histórias em quadrinhos são uma forma de representação diversa da ilustração, da caricatura e do cartoon.
A inclusão dos quadrinhos dentro de balões
De fato, a inclusão de palavras no campo imagístico implicou numa transformação do seu uso, acrescentando conotações e algumas vezes alterando o seu significado. As palavras sofreram um tratamento plástico; passaram a ser desenhadas; o tamanho, a cor, a forma, a espessura, etc.; tornaram-se elementos importantes para o texto.
(Klawa; Cohen, 1977, p. 112-113)
KLAWA, Laonte; COHEN, Haron. Os quadrinhos e a comunicação de massas. In: MOYA, Álvaro de Moya (org.). Shazam!. Coleção Debates Comunicação. São Paulo: Editora Perspectiva, 1977. p. 103-114.
