Humor Gráfico

Texto versão BETA
Obs: Este texto ainda precisa de uma boa revisão, algumas atualizações e de mais informações. Aos pouquinhos vou acrescentando novos dados. No final há a bibliografia usada para a pesquisa.

HUMOR GRÁFICO
Do desenho impresso ao digital
Richardson Santos

“Outra qualidade da charge é a de se constituir como instrumento de persuasão, intervindo no processo de definições políticas e ideológicas do receptor, através da sedução pelo humor, e criando um sentimento de adesão que pode culminar com um processo de mobilização”. (Miani, 2002)

CATEGORIAS

- CHARGE
Desenho humorístico relativo a fato real ocorrido recentemente. Sua característica principal está em seu conteúdo de sátira com o objetivo de criticar e denunciar acontecimentos políticos ou sociais estritamente atuais.

“Charge se constitui realidade inquestionável no universo da comunicação, dentro do qual não pretende apenas distrair, mas, ao contrário, alertar, denunciar, coibir e levar a reflexão.” (Agostinho, 1993, p.229)

Charge de Angeli - www2.uol.com.br/angeli

- CARTUM
Desenho humorístico sem vínculo necessário com qualquer fato específico. Sua origem está na palavra inglesa cartoon, que significa papel cartão, folha usada pelos artistas ao se fazer os desenhos. Trata de temas mais gerais e universais tornando-se assim “atemporal, ou seja, sua compreensão pode se dar em épocas diferentes, tendo uma ‘vida útil’ muito mais longa e duradoura que a charge.” (Rianim, 2006)

Cartum de Koostela - http://koostella.blogspot.com

- CARICATURA
Retrato com distorções anatômicas e psicológicas, geralmente de alguma personalidade famosa. Deriva do verbo italiano caricare, que significa carregar, sobrecarregar, carregar exageradamente. No Brasil, e em países de língua portuguesa, a expressão tornou-se um sinônimo de retrato por sua semelhança ortográfica com a palavra cara. Entretanto, a representação pode vir acompanhada do desenho do corpo. O desenho tem o interesse de retratar apenas a personagem, não sendo característica abordar um fato ocorrido.

Caricatura de Sebastian Kruger - www.sebastiankruger.com

- HISTÓRIA EM QUADRINHOS (HQs)
História seqüencial narrada em etapas/quadros. Em sua forma básica é uma mistura entre palavras e imagens, com elementos tipicamente da linguagem como, por exemplo, onomatopéias e os balões de fala e pensamentos.

No Brasil ganhou o apelido de Gibi, devido a uma publicação do Jornal O Globo, lançada em 1939 por Roberto Marinho. O grande sucesso fez com que a palavra se tornasse sinônimo de quadrinhos.

HQ de João Marcos - www.mendelevio.com.br - Trecho da história feita pelo autor para a revista MSP 50 em homenagem aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica

- TIRINHAS EM QUADRINHOS
História seqüencial com enredo que se fecha em um formato padrão, usualmente publicado em uma única tira. É uma variação das histórias em quadrinhos. Tem como características serem publicadas em única linha, podendo ter um ou mais quadros. Em sua maioria tem início, meio e fim na mesma seqüência.

Tirinha Darío Velasco - www.nacapa.com.br

A HISTÓRIA DO HUMOR GRÁFICO

O surgimento dos cartuns e das histórias em quadrinhos ainda é um objeto de estudo polêmico. As explicações para sua origem e seus precursores são defendidas por pesquisadores das mais diversas opiniões. O único ponto de concordância é que a popularização do humor gráfico aconteceu com o desenvolvimento da imprensa, onde os artistas encontraram espaço para desenvolver um novo tipo de arte, com uma linguagem, narrativa e elementos próprios.

Sendo um documento da história e dos costumes de uma determinada época, a caricatura foi a primeira a utilizar o humor gráfico como crítica da sociedade, logo nos fins do século XVIII, com a descoberta da litografia pelo bávaro Aloys Senefelde.

Em 1830, surgiu na França o semanário La Caricature, editado por Charles Philipon e redigido por Balzac. Com colaborações de vários artistas, seu principal alvo era o reinado de Luís Filipe.

Ainda na década de 1830 o Brasil importou esta tendência. O Jornal do Comércio de 14 de dezembro de 1837 trazia um anúncio que informava: “A bela invenção das Caricaturas, tão apreciadas na Europa, aparece hoje pela primeira vez no nosso país e sem dúvida receberá do público aqueles sinais de estima que ele tributa às coisas úteis, necessárias e agradáveis.”

Primeiramente as caricaturas eram publicadas em pranchas avulsas, pelo jornal Correio Oficial dirigido pelo jornalista Justiniano José da Rocha. Somente em 1844, A Lanterna Mágica inovou ao colocar os desenhos juntos dos textos das publicações. O responsável pelas ilustrações era Rafael Mendes de Carvalho, que era editado por Manuel de Araújo Porto Alegre.

A novidade se alastrou e outros meios passaram a usar este recurso. A Marmota Fluminense, O Brasil Ilustrado, Semana Ilustrada, Revista Ilustrada, O Diabo Coxo, entre outros.

Em São Paulo, Ângelo Agostini, um imigrande italiano, inicia sua carreira desenhando para a revista O Diabo Coxo (1864), onde suas primeiras histórias ilustradas (sem seqüências, nem personagem fixo) e charges foram publicadas. Ângelo era conhecido por suas opiniões fortes e críticas a sociedade, sobretudo contra os políticos e a Igreja. Em uma época imperialista e escravocrata, defendeu os ideais abolicionistas e republicanos. Suas caricaturas ganharam fama por serem ofensivas, o que lhe rendeu vários inimigos. Ele enfrentou várias pressões e provocou o primeiro processo contra a impressa brasileira.

As Aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora, de Ângelo Agostini, é considerada a primeira história em quadrinhos feita no Brasil

Muda-se para o Rio de Janeiro, e no dia 30 de janeiro de 1869, Agostini publica no jornal Vida Fluminense a primeira história em quadrinhos do Brasil com um personagem fixo: Nhô Quim. “As Aventura de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte” é uma das primeiras tentativas de desenvolver uma narrativa gráfica inovadora com desenhos em seqüências e textos em seu rodapé. Contavam as histórias de um caipira perdido na cidade grande. Por esta razão, o dia 30 de janeiro é comemorado o “Dia do Quadrinho Nacional”.

Charge representa Oswaldo Cruz atrás do Castelo de Manguinhos (construído em 1904), combatendo a febre amarela e a peste bubônica

Na década de 1880, o dono do jornal New York Word, Joseph Pulitzer, começou a inovar o segmento com edições aos domingos recheadas de ilustrações e de cores. Apreciador do cartum, Pulitzer passou a exibir em suas páginas o quadro humorístico Down Hogan’s Alley de Richard Outcault (1895). Na sátira, um garoto de feições orientais e camisolão foi o primeiro a utilizar desenho misturados com diálogos, que antes apareciam apenas no rodapé. Em 1896, o jornal conseguir resolver problemas técnicos e passou a imprimir a cor amarela. O vestido do personagem ganhou esta cor e logo passou a ser reconhecido como Yellow Kid (O Garoto Amarelo).

Personagem Yellow Kid, de Richard Outcault

Outros jornais aderiram à novidade e abriram espaço para as charges e as tirinhas em quadrinhos como um diferencial para atrair novos leitores. Suas páginas coloridas e linguagem fácil e rápida de ser compreendida logo conquistaram público fiel, além de abrir espaço para a leitura de crianças (futuros compradores potenciais das edições) e, consequentemente, aumentando as vendas.

No decorrer do tempo, a charge ganhou destaque e status de coluna de opinião desenhada, com espaço garantido nas primeiras páginas dos grandes jornais, em tablóides de sindicatos ou jornais de bairro. Por abordar fatos cotidianos extremamente direcionado a vida local ou de um público específico, não sofreu o impacto da globalização, onde grandes empresas distribuem trabalhos de artistas internacionais a vários veículos de comunicação a um preço baixo.

Snoop (Peanuts), criado por Charles Schulz - www.snoopy.com. Os Syndicates distribuem as tirinhas de seus contratados mundialmente, dificultando a abertura de espaço para artistas locais.

Em contrapartida, as histórias quadrinhos perderam espaço dentro das redações. Antigamente eram lançados, aos domingos, suplementos inteiramente dedicados a elas. Muitas destas séries ganharam revistas próprias e passaram a ser impressas por editoras especializadas. Atualmente apenas histórias curtas ou tirinhas em quadrinhos continuam a serem publicadas periodicamente nos cadernos voltados para o público infantil e adolescente ou caderno de Cultura. A grande concorrência com os “sindicatos”, empresas especializadas em agenciar e distribuir conteúdo de cartunistas, limitou ainda mais o espaço para talentos nacionais.

Quinho - http://fotolog.terra.com.br/quinhoravelli

Com a grande exposição na mídia impressa surgiram vários artistas interessados em trabalhar na área de ilustração de humor. Entretanto, a maioria esbarrava em um grave problema: a falta de espaço para a publicação. A solução encontrada era a criação de fanzines (revistas independentes), com produção e impressão limitada e dificuldades na distribuição do material. Sua divulgação era feita entre amigos, familiares e em eventos de quadrinhos. O contato e envio das revistas eram feitas através dos correios.

André Dahmer - www.malvados.com.br

Com o surgimento da internet, o humor gráfico ganhou nova força. Centenas de sites estão no ar, desde as páginas dos profissionais do traço até aqueles que querem apenas se expressar através do desenho. A facilidade de manutenção de blogs, fotologs e sites fez com que muitos projetos, antes inviáveis, saíssem do fundo das gavetas para o espaço virtual. Com a nova mídia, leitores passaram a ter mais acessos a conteúdos que antes só eram encontrados em bancas de revistas, mas com a distribuição prejudicada, principalmente em cidades longe dos grandes centros econômicos. Materiais importados, encontrados apenas em gibiterias e lojas especializadas, também passaram a circular entre internautas.

Amorim - www.satiramorim.blogspot.com

As duas formas que melhor se adaptaram a mudança de mídia foram as charges e as tirinhas em quadrinhos. Em sintonia com um público que procura informação e entretenimento dinâmico, a mensagens e o humor nestes dois tipos de estilos agradaram em cheio o internauta.

Junião - www.juniao.com.br

Uma das características da charge é o hiperlocalismo pelo fato de seu conteúdo ser direcionado a discussões e interesses locais. Por isso há espaço para artistas que desenharão os assuntos que afetam a vida do país, do estado, da cidade e do bairro em que vivem, cada um com seu público específico. Alguns sites de notícias permitem que seus leitores enviem seus desenhos, que são postados na área reservada a coluna de opinião. Desta maneira até os fatos internacionais, como conflitos, política e economia mundial são abordados sob o ponto de vista nacional.

Nani - http://nanihumor.blogspot.com

BIBLIOGRAFIA

• AGOSTINHO, Aucione Torres. A Charge. São Paulo, ECA/USP, 1993 (tese doutorado)
• EISNER, Will. Quadrinhos e Arte Seqüencial. 2ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
• GUIMARÃES, Edgard. Fanzine. 3ª Ed. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2005.
• GUIMARÃES, Edgard (org.). O que é Histórias em Quadrinhos Brasileira. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2005.
• IANNONE, Leila Rentroia Iannone e Roberto Antonio. O Mundo das Histórias em Quadrinhos. Coleção Desafios. 4ª ed. São Paulo: Ed. Moderna, 1994.
• LUYTEN, Sonia M. Bibe, O que é História em Quadrinhos. Coleção Primeiros Passos. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1985.
• MAGALHÃES, Henrique. Humor em Pírulas – A Força Criativa das Tiras Brasileiras. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2006.
• MCCLOUD, Scott. Desvendando os Quadrinhos. São Paulo: Ed. Makron Books, 1995.
• MIANI, Rozinaldo Antonio. A Charge na Imprensa Sindical: uma iconografia do mundo do trabalho. XXV Congresso Anual em Ciência da Comunicação, Salvador/BA. Setembro de 2002.
• MOYA, Álvaro. História das Histórias em Quadrinhos. Porto Alegre: Ed. L&B, 1986.
• RIANI, Camilo. Visual, Humor Gráfico & Publicidade – Cadê Vocês?! XI Simpósio de Ciências da Comunicação na Região Sudeste. 2006.

SITOGRAFIA
www.quadrinho.com
www.universohq.com
www.omelete.com.br
www.melhoresdomundo.net
www.nonaarte.com.br
www.hqmaniacs.com
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br
http://oglobo.globo.com/blogs/Gibizada
www.chargeonline.com.br

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